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quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

Confronto Cultural

silêncio, lógica, segurança, prudência × liberdade, beleza, verdade e amor


Essa foi a primeira coisa que me veio à mente logo nos primeiros minutos de Alphaville. Ok, admito meu cérebro às vezes faz conexões sem sentido par outras pessoas. Entretanto, não parece sem sentido opor  os ideais boêmios de Moulin Rouge, e as normas restritivas, de Alphaville. Afinal, embora ambos tenham a cara de Paris, não poderiam haver cenários mais diferentes.

Enquanto os boêmios do musical cantavam viviam suas emoções livremente à flor da pele. Os moradores de Alphaville não podem sentir nada, e são controlados pelo super computador Alpha 60. Claro, é difícil entender o que é Alphaville  a primeira vista.

Acompanhamos Lemmy Caution (Eddie Constantine), aparentemente um jornalista com uma matéria a fazer. Não demora muito para o repórter mostrar habilidades além daquelas necessárias para fazer uma boa matéria. Fica claro que ele não é quem diz ser. Pronto, fomos pegos pela curiosidade.

Sim! Apenas com muita curiosidade para acompanhar o filme. Cheio de mistérios, passagens aparentemente desconexas, e pouquíssima informação sobre aquele mundo (que aliais é intergalático!?!), o longa é um quebra-cabeça a ser montado. E mesmo para os fortes (ou extremamente curiosos) que chegam ao fim, e conseguem encaixar todas as peças, nem sempre a imagem fica clara. Está mais para um daqueles quadros abstratos em que se entende algo novo a cada vez que se olha.

Antes que digam que minha análise faz com que o filme pareça não ter "pé nem cabeça". Existe sim uma trama,  Lemmy é na verdade um agente secreto intergalático com a missão de matar o inventor de Alpha 60, desestabilizando todo o sistema.

A missão acaba por envolver a filha do inventor. É nas cenas com Natasha (Anna Karina), que residem as melhores cenas do filme. Afinal ela é nosso guia para entender aquele mundo, e descobrir novos mundos é uma das partes mais divertidas de uma ficção cientifica. 

Em Alphaville, as pessoas não sentem. sua bíblia é um dicionário do qual palavras "perigosas", como consciência, são retirada todos os dias. É nesse choque de culturas, e de gêneros (o filme une sci-fi e noir)  que está a força do longa. Confronto este, muito bem representado pelos "opostos" que apresentei no início deste post.


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