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quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

Quando se escolhe acreditar na sorte...

O ex-tenista Chris Wilton (Jonathan Rhys-Meyers) escolheu acreditar na sorte. E parece que foi assim, que recém chegado a Londres logo conseguiu um emprego de instrutor. Tornou-se treinador do rico Tom Hewett (Matthew Goode) e convenientemente próximo de sua irmã Chloe (Emily Mortimer). Considerado um candidato promissor, não demorou muito para começar a ser "treinado" para se enquadrar as normas da aristocracia e desposar a moça.

Mas havia uma Scarlett Johansson no caminho. A aspirante americana a atriz, que vive em Londres para fugir da vidinha de interior e é a namorada da vez de Tom, logo chama a atenção de Chris. Como própria personagem sugere, ela não é exatamente bonita, é sexy. Isso chama a atenção, mas a fantasia não dura muito.

Logo nosso protagonista se vê em um dilema: manter seu confortável cotidiano, ou ceder aos desejos impulsivos. Como bom aristocrata que se tornou talvez escolha ambos. Nem é preciso chegar ao final para descobrir que seja qual for a escolha, não vai acabar bem.

Mas a atuação apagada de Rhys-Meyers, e o ritmo devagar de suas ações (apesar de o filme cobrir anos em poucos minutos), quase nos faz acreditar que o rapaz não terá coragem de tomar uma posição. Se foi proposital ou o ator simplesmente foi eclipsado pelas boas atuações de Emily Mortimer (docemente neurótica) e Scarlett Johansson. Não sei dizer.

 Ainda assim, é um filme cheio de atitude, especialmente se comparado aos extensivos diálogos de outras obras de Woody Allen. Longe de Nova York, onde se passam a maioria de suas histórias, o diretor parece aproveitar os bons ares e arriscar dar tanto espaço para os impulsos de seus personagens, que para a razão, ou mesmo racionalização desses atos.

Allen nos apresenta o pacato cotidiano de alguém que escolhe o caminho seguro. E quando tudo aparenta correr bem, a mesma sorte o faz descobrir que deseja desesperadamente outra coisa. Vida, cedo ou tarde descobrimos que é assim, mas há quem ainda se surpreenda com isso. No caso de nosso protagonista é provavelmente um erro de semântica, esqueceu que o conceito da palavra se divide em boa e má sorte.


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