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sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

Diverte e faz pensar, precisa mais?

Eu não faço ideia à que versão de Blade Runner, assisti. Provavelmente uma das duas "versões oficiais" do diretor lançadas ao longo desses 30 anos, com certeza, não é a versão de cinema estadunidense (leia mais sobre as versões do filme). Seja qual for, a sensação de que "algo estava faltando" que ficou é difícil de ignorar.

É 2019 (quase amanhã!), a tecnologia evoluiu ao ponto de criamos réplicas perfeitas de nós mesmos. Entretanto, os replicantes, tão inteligentes e mais fortes que nós se rebelaram uma vez, por isso sua existência na Terra é ilegal, e seu tempo de vida extremamente curto. Logo, é de se espantar quando um grupo deles foge para nosso poluído planetinha. E Deckard (Harrison Ford em atuação preguiçosa), precisa sair da aposentadoria. Ele é um Blade Runner, responsável por caçar e "aposentar" replicantes rebeldes.

Provavelmente estou dando spoilers, mas...
É para conseguir mais tempo de vida que os replicantes, liderados por Batty (Rutger Hauer), se arriscam na Terra. Querem que seu criador aumente seu tempo de vida. Não pude evitar de me perguntar, se a expiração desses rebeldes era eminente e inevitável, e os humanos responsáveis sabem disso, porque arriscar uma pessoa na tarefa de elimina-los. Não seria menos dispendioso apenas esperar que deteriorassem por conta própria?
Continuando...

Ainda assim a premissa e os temas discutidos são ótimos. A humanidade, o instinto de preservação, a busca pelo criador, o desejo de viver mais tempo. Tudo emoldurado por um futuro decadente em qualidade de vida, embora com inigualável tecnologia. E um visual que une o noir e o "inigualável" década de 1980. Mencionei a fotografia escura e constantemente esfumaçada que só aumentam o clima?

O que deixou à desejar foi o desenvolvimento, com temas tão interessantes espera-se que sejam mais explorados. Se é uma falha de roteiro, do grande numero de versões, ou uma tentativa de estimular as discussões pós projeção, não sei dizer. Prefiro acreditar na última versão.

Até mesmo a supra-mencionada ambiguidade de Deckard me pareceu vaga. Eu sabia, antes de ver o filme, que existia o questionamento de o personagem ser ou não um replicante. Mas não tenho certeza se ficaria com a mesma dúvida caso não tivesse essa informação prévia. Talvez notasse apenas em uma reprise.

Diz-se que anos mais tarde, Ridley Scott afirmou que Deckard era sim um replicante. E novamente as discussões surgem. Segundo alguns, essa nova condição enfraqueceria o embate humano-replicante. Eu por lado acredito que o fato apenas tornaria a discussão mais interessante.

Mesmo não sendo um humano, nosso protagonista desconhecia desconhecia o fato. Por isso, agia como a maioria dos humanos, vivendo de forma fria e sem paixão. Enquanto os replicantes tentam ao máximo aproveitar o tempo que lhes resta. Acabam, por consequência, vivendo melhor. A questão é, ao se entender como um replicante, ele aproveitaria melhor seu tempo? Com Rachel (Sean Young) parece ser exatamente o que ocorreu. Faz pensar, não? Embora a ambiguidade seja sempre mais interessante!

No final das contas, apesar da sensação de ter perdido algo (que pode ser também devido à expectativa gerada por 30 anos de existência, e pelo status de cult), Blade Runner é um ótimo filme. Tem visual incomparável, e bons temas. Traz questionamentos, faz pensar, e ainda diverte. E não é isso que uma ficção cientifica deve fazer?

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