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quinta-feira, 30 de maio de 2013

Um robô de estimação!


É uma pena que O gigante de ferro não tenha feito tanto sucesso quanto os trabalhos posteriores do diretor Brad Bird (afinal, todo mundo já viu ou pelo menos ouviu falar de Os incríveis, Ratatouille e Missão impossível: Protocolo fantasma). Eu mesma ignorei solemente por anos esse longa-metragem adorável, o que não é de todo ruim: só assim, sem expectativas, pude ter aquela sensação indescritível de surpresa ao me deparar com um bom filme. Cinema tem dessas coisas.

A animação parte da história clássica de um garoto que cria amizade profunda por um ser estranho, seja ele um animal selvagem ou um alienígena, como em Free Willy ou E.T. - O extraterrestre. Em geral, o menino não tem muito crédito com os pais e com os adultos em geral, que costumam menosprezar a imaginação fértil das crianças. No caso de Hogarth, não é diferente: sua mãe não acredita nem um pouco quando ele conta que encontrou um robô gigante no meio da floresta. Percebendo que se seu novo companheiro for descoberto vai ser destruído na hora, o menino resolve manter sua descoberta em segredo.

Não demora muito para o gigante mostrar que por trás de todo aquele metal também bate um coração. Como um bichinho de estimação (só que com muitas toneladas), ele se esforça para aprender o que seu "dono" lhe ensina e para obedecê-lo, na medida do possível. Mas, por ser dotado de uma certa inteligência e de boa índole, o robô e Hogarth constroem uma relação bastante fraternal. Com algumas vantagens, há que se mencionar: que criança não gostaria de ter em mãos seu foguete particular? Eu gostaria!


Além da premissa atemporal e universal, que tem 200% de chances de criar empatia com o público, o filme conta ainda com uma charmosíssima ambientação nos anos 50, quando os soviéticos eram o grande inimigo dos Estados Unidos e quando a ameaça de uma arma secreta capaz de dizimar uma nação era o pior dos pesadelos dos americanos. E é aí que entra em cena o agente do governo Kent Mansley, que chega a ser hilário de tão paranoico com a criatura. Oficialmente, ele está apenas cumprindo seu dever ao avisar às autoridades da presença ameaçadora, mas, aos poucos, deixa sua obsessão tomar conta ao querer bancar o herói da vez. Eis uma boa provocação: até que ponto ter as melhores intenções conta? Será que os mocinhos não mudam de lado com o desenvolvimento da história?

Apostando no bom e velho 2D antes da fase Disney/Pixar, Bird consegue equilibrar bem alguns toques de comédia, cenas de ação e momentos delicados neste longa cheio de carisma. Isso sem falar nas referências que tornam o conjunto ainda mais saboroso: derivado de uma HQ, o protagonista escolhe se espelhar numa figura icônica dos quadrinhos: ele não quer ser o vilão, quer ser o Super-Homem! Não dá vontade de levar pra casa? Só lamento que, como Hogarth bem observou, as pessoas não estivessem preparadas para acolher O gigante de ferro.

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