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domingo, 2 de junho de 2013

Vivendo e aprendendo

O menino Hogart e o Gigante de Ferro
Eu tinha muito receio de ver esse filme, por um único motivo: eu sabia que iria me apegar ao robô gigante que tem um coração tão gigante quanto ele e que acaba se tornando amigo de um esperto menininho. Sim, porque os posteres de O gigante de ferro (The Iron Giant, 1999) são sempre a imagem de um gigante assustador acolhendo um menino confortavelmente sentado em sua mão. E por quê eu sabia que iria chorar? Porque adultos em geral não tem um coração tão grande e generoso quanto um menino de 11 anos. Ou um gigante de metal alienígena.

Hogart Hugues (Eli Marienthal) é um menino que vive sozinho com a mãe, uma mulher batalhadora que trabalha como garçonete em uma lanchonete para sustentar o filho. Ele vive arrumando amiguinhos para levar para casa, bichinhos que quer cuidar. Então descobre a existência de um gigante de ferro nas redondezas quando este come sua antena de tv. Com a inocência e boa vontade que só as crianças tem, ele ajuda o grandão esfomeado que acaba por destruir uma estação de luz elétrica e fica preso nos cabos energizados. Ali começa uma amizade improvável. Um robô gigante, de 30 metros de altura, demonstra aprender rápido as coisas que o ávido e pequeno Hogart quer ensinar a ele. Para alimentar o novo amigo, ele consegue convencer, na base do cansaço e insistência o jovem artista Dean McCopin (Harry Connick, Jr.), um escultor de sucata que vive num ferro-velho. Até ele ensina artesanato ao gigante, que o ajuda a construir algumas novas esculturas enquanto aprende o que pode comer e o que não pode na pilha de sucatas de Dean. Mas nem todos estavam dispostos a entender o dilema do robô gigante, que havia caído na Terra e parecia não se lembrar de onde havia vindo. 

Querendo mostrar serviço para seu general e com raiva do monstro que comeu parte de seu carro, o detetive Kent Mansley (Christopher McDonald) resolve fazer como a maioria dos humanos amedrontados: parte pro ataque sistemático. A paranoia de ter um robô gigante espião que não faz parte do poderio militar dos EUA obviamente assusta, porque pode ser usado contra eles. Se é a favor, não ia haver chiadeira nem chororô. O Gigante (que foi dublado, ora vejam, por Vin Diesel - um brutamontes que parece ter bom coração) parecia feliz e em paz com o menino e sua comida abundante no ferro-velho, mas uma inocente (?) brincadeira de atirar no bandido fez ativar o mecanismo de defesa do robô. E por isso ele quase mata seu amigo com um tiro de laser mortal. 

O Gigante sendo aceito pela população: só precisamos de uma chance de mostrar quem realmente somos antes de sermos apedrejados
Com todo um destacamento do exército no seu pé, era óbvio que o robô fosse surtar - mas ele não surta. Ele houve seu amigo e tenta fugir. Mas é perseguido e acaba por ser atingido, deixando o pobre Hogart, que ia consigo, caído na neve inconsciente. Ele havia aprendido que armas matavam, e acreditou que havia matado seu melhor amigo. Com raiva, resolveu vingar-se das coisas que o levaram a fazer aquilo. Mas Hogart não estava morto, e fez o impossível para conseguir impedir a destruição de seu amigo. Ele até impediu que um navio do exército fosse pras cucuias quando fez a consciência do robô vir à tona, mas a raiva havia invadido Kent (que não queria ser tomado como tolo novamente) e liberou o comando de lançamento do míssil. Provando mais uma vez ser mais humano que muito homem por estas bandas, o Gigante se despede de seu amigo, repete a ele as coisas que aprendeu e escolhe ser o Superman: vai de encontro ao míssil, com um sorriso nos lábios de metal, para salvar a Terra. Nessa hora, eu chorei. Eu sabia que ia chorar. Porque sei que tem muito mais gente pronta pra detonar um míssil na cabeça da gente do que pronta pra ouvir o que temos a dizer.

Esse filme poderia ser dito que não é feito para crianças, por ter um clima tenso do início ao fim. A gente sabe, desde o início, que o robô gigante vai se meter em encrencas simplesmente por não ser uma cria humana e que os seres humanos tendem a ser cruéis antes de ser simpáticos. Eu sabia que ia chorar, e não queria ter visto o filme. Mas a mensagem é tão positiva, no fim de tudo, que eu acho que esse é um filme quase obrigatório para crianças. Talvez elas entendam até melhor que eu, pois tem o coração mais puro e estão mais abertas a novidades que nós, burros velhos, preguiçosos e cheios de medos paranoicos e infindáveis. Às vezes é preciso que uma animação de um robô alienígena feito de ferro venha nos ensinar um pouquinho do que é humanidade...

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