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Oh, minha nossa!

Elizabeth (Temple): até sapatear num piano de cauda ela podia e nunca ficava de castigo

A pequena órfã (Curly top, 1935) causou uma comoção nos EUA, mas (me chamem 'coração de pedra') não me cativou. Shirley Temple era fofa? Sim, dava vontade de apertar as bochechas gordas dela. As histórias eram mais ingênuas? Sim, e o ritmo de desenvolvimento da trama era mais lento - algo que eu aprecio em filmes antigos. Mas é aí que mora o problema: falta trama. Explico.

Elizabeth Blair (Temple) é uma fofíssima garotinha órfã que mora num orfanato com a irmã mais velha, Mary (Rochelle Hudson) e tem um pônei (?!) e um pato de estimação. Esse orfanato é sustentado pela doação de generosos benfeitores, e como um grupo deles iria visitar o local em breve, então nada podia dar errado. Então quando eles chegam e encontram as meninas dançando enquanto a pequena Elizabeth canta uma música animada e comanda a coreografia, não agrada em nada às responsáveis pelo orfanato nem ao idoso e rabugento que iria dar a contribuição mais generosa. Após uma reprimenda dele por ter brincado de imitá-lo, a pequena foi ameaçada de ir para um lar público. Mas o jovem advogado Edward Morgan (John Boles) se encanta pela garota e, principalmente, pela irmã dela. Decide, então ser o guardião delas, mas inventa um senhor Hiram Jones (que seria seu patrão) para deixar sua benfeitoria no anonimato.

As irmãs Blair e seu charme encantador: não tinha como o Edward resistir
Leva as crianças para viver com ele e sua tia Genevieve (Esther Dale) numa linda casa à beira do mar. Lá eles são uma família feliz, e Mary fica cada vez mais apaixonada por Edward. Mas ele só vai perceber que está apaixonado por ela quando descobre que ela ficou noiva. Pensando em ir embora para a Europa e deixar as meninas serem felizes, a pequena Cachinhos (Curly Top era o apelido dela e foi traduzido para Cachinhos) pede ele em casamento (?!) e ele tem que recusar - lógico. No fim das contas, Mary acaba por desmanchar o noivado e Edward finalmente se declara pra ela. E foram todos felizes para sempre. 

Então. É isso aí a trama. Ah, sim. O filme é pra Shirley mostrar seu talento como fofura master, então tem musiquinhas fofas e um show de talentos pra caridade (que a pequena idealizou para arrecadar fundos pro orfanato dela) onde ela interpreta as várias fases da vida - ela de velhinha é a coisa mais gostosa do mundo. Quanto ao pedido de casamento de Cachinhos ao seu protetor, tem explicação: ela diz que a irmã vai se casar, e que, por consequência, ele vai casar com ela também; mas ela queria mesmo que elas se casassem com Edward - até porque elas acreditavam que seu tutor era o imaginário Hiram Jones. Uma daquelas típicas coisas de criança que é mais fofo ainda quando dito por uma bonequinha em forma de gente.

Família feliz, e nem precisa de muita explicação
Bem, o filme acaba assim. Não explica a que veio nem pra onde vai. É só um desfile de esquetes para a fofura de Temple. O bordão da pequena (na versão dublada) era esse: "Oh, minha nossa!". Bordões são chatos por sua natureza repetitiva, tem que tomar muito cuidado na hora de utilizar. E nesse filme, ele é usado indiscriminadamente. Independente se a tradução foi mal feita, os bordões foram colocados na hora errada em 90% dos casos. É estranhíssimo o fato de ninguém achou estranho o tutor querer namorar/casar com a protegida menor de idade. Enfim, não fui cativada pelo filme e nem estou tentada a ver outros dela. Quem sabe, mais pra frente, eu mude de ideia...

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