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sexta-feira, 2 de agosto de 2013

Provando que Shakespeare é atemporal

É muito provável que você já tenha ouvido alguém dizer que as obras de Shakespeare são atemporais. Pois Baz Luhrmann tanto acredita na afirmativa que decidiu prova-la verdadeira. Isso inclui não apenas a história, mas os diálogos originais seu formato incomum e palavras em desuso.

Caso você tenha passado os últimos quinhentos anos preso em uma tumba e não conheça o enredo de Romeu e Julieta, aqui vai uma ajudinha. Jovens apaixonados, filhos de famílias rivais, tentam consumar seu amor em meio a guerra. Terminam juntos sim, mas em uma grande tragédia.

Ao invés da Verona do século XVI, cheias de regras para fazer a corte a uma moça. A tragédia romântica se passa em uma metrópole violenta do século XX. A cidade é dominada por dois grande conglomerados empresariais cujas famílias que os comandam, é claro, se odeiam. Mesmo assim, contra todas as probabilidades, o sonhador Romeu (Leonardo DiCaprio) e a doce Julieta (Clair Danes) se apaixonam. E já que esperar até ambos terem 18 anos, e fugirem para bem longe, parece um plano de longuíssimo prazo para efervescência urgente de um amor adolescente, eles resolvem tudo por baixo dos planos.

Mas a guerra continua, algumas mortes depois Romeu tem que fugir. Coloca-se em ação então, o tal plano louco de falsa morte para unir Romeu e Julieta. Mas os correios não evoluíram muito desde o século XVI (será que com celulares e internet a mensagem finalmente chegaria à Romeu? isso é assunto p/ um remake), o mocinho não fica sabendo do plano e comete suicídio ao saber da morte de sua amada. E logo é seguido para outra vida por ela. Sim SPOILERS! Me processem.


A ideia de manter o texto original em tempos atuais é audaciosa. O visual vibrante, latino e exagerado é absurdo. Tinha tudo para dar errado, e por isso mesmo deu certo. Tudo no mundo destes Romeu e Julieta é "over". Colorido demais, exagerado demais, tudo explode na tela, assim como o amor adolescente, onde tudo é novidade, intensa e urgente!  Então entra a fala rebuscada, que precisa ser assimilada com mais calma, especialmente quando proferidas em forma de juras românticas dos protagonistas. Somada a muito suave musica tema (Kissing You interpretada por Des'ree), parece desacelerar, abrandar toda e efervescência daquele cenário. Como alguns diriam "equilibra o universo"! 

Um equilíbrio constante, que apenas completa uma história, que o tempo comprova, é excelente! Mas ainda podia dar errado. Romeu tem 17 anos, Julieta 13, o que exige (já que estavam sendo fiéis até no vocabulário) um elenco jovem, talvez não tão preparados para carregar a história. Felizmente, DiCaprio, longe de ser só um rostinho bonito (apesar de ser visto por muitos assim na época), entrega aquela que provavelmente é sua atuação mais intensa até hoje, isso aos 19 anos. E Clair o acompanha em intensidade, embora sem perder a ingenuidade que alguém tão jovem teria. 

Ainda assim, o longa não vai agradar a todos. Nem acho que este seja seu objetivo. Enquanto os fãs maníacos de Shakespeare vão reclamar das adaptações. Aqueles que conseguem "separar montéquios dos capuletos", vão poder apreciar outra forma de contar uma mesma história. E gostando ou não desta nova forma não vão poder negar, que a história é atemporal.

 Ah! E de bônus ainda vão curtir um filme visualmente deslumbrante e com uma ótima (e atual para 1996) trilha sonora. 

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