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Deliciosa versão moderna pós-feminista de um conto outrora machista

Acho que inconscientemente queríamos nos dar um presente de natal quando escolhemos o filme que encerraria a lista de 2014. Um dos mais jovens e últimos "clássicos da sessão da tarde" (depois disso a qualidade dos filmes do horário só caiu) é um dos raros títulos escolhidos, que já era conhecido (de cor e salteado, diga-se de passagem) por toda a equipe do blog.

Caso você tenha sido transmutado em uma abóbora nos últimos 15 anos, e não faça ideia do que se trata o filme. Para Sempre Cinderela, é mais uma versão para o cinema do conto da Gata Borralheira (dã). A diferença aqui é que a magia é substituída por um pouco de realismo histórico, com licenças poéticas, claro!

Então, a decidida Danielle de Barbarac (Drew Barrymore) é criada apenas pelo pai na França renascentista com conforto e boa educação. Ainda menina fica animada ao ganhar uma madrasta e irmãs, é claro que ela não conhecia a reputação das madrastas. Depois da morte repentina do pai, ela passa a ser tratada como criada por sua nova família. As coisas começam a mudar, quando ela acidentalmente "esbarra" em Henry (Dougray Scott), príncipe da França que sofre de um casamento arranjado e não tem vontade de assumir o trono. Nada de  amor à primeira vista, eles discutem bastante sobre os dilemas da vida e daí nasce o romance. O resto você já sabe, madrasta atrapalhando, baile, sapato e antes do final feliz um divertido castigo para as megeras.

Versão moderna pós-feminista para um conto bastante machista, o roteiro trata de colocar Danielle como dona de seu destino e ações. Sim, ela vive em uma situação injusta comum para a época, mas não se lamenta por isso e faz o possível para melhorar. É capaz de resgatar criados, se libertar de senhores e correntes, inspirar príncipes que precisam encontrar um rumo na vida, e ainda consegue manter a casa um brinco e aparecer diva em um baile. Convenhamos, que garota dos nossos tempos não gostaria de ser assim?

Com uma protagonista tão decidida não sobra muito para o príncipe fazer, embora ele até tente. Dougray Scott (que perdeu a chance de estrelato ao precisar desistir do papel de Wolverine por quebrar o braço), se sai bem ao dar vida ao encantador, porém perdido príncipe. Naquele que provavelmente será o único personagem dele do qual você vai se lembrar.

É Anjelica Huston que rouba a cena ao dar vida à Baroness Rodmilla de Ghent, a madrasa má. Elegantemente fria e calculista, ao abrir caminho para a coroa, junto com sua filha Marguerite (Megan Dodds, muito bem no papel). Ambas mentem e maltratam todos até a doce e atrapalhada Jacqueline (Melanie Lynskey, divertida), a irmã boazinha, afinal nem todos podem ser maus.

E se não temos fada madrinha temos Leonardo Da Vinci, o velhinho divertido é a voz da razão para os corações confusos por estarem apaixonados. Além usar invenções malucas e carregar um famoso quadro consigo.

Antes que digam que sou apenas elogios ao longa (o que provavelmente é verdade, afinal é difícil ver defeitos em seus filmes favoritos), eis uma questão (ou talvez um erro) que não sai da minha mente: A história é narrada por uma rainha francesa, que vive no mesmo palácio em que a história se passa. Essa mesma rainha, afirma que o retrato da Cinderela pintado por Da Vinci ficou nas paredes da universidade até a revolução. E se essa revolução não nomeada é a francesa, como esta senhora pode ser majestade? Afinal a frança não teve mais reis desde que decapitaram Maria Antonieta, certo? Alguém aí, que estudou mais história que eu, pode desvendar e me explicar este enigma?

Enquanto a dúvida continua, o jeito é curtir o longa. Para Sempre Cinderela, é um filme de "menininha", executado na medida certa, equilibrando humor, aventura e romance sem grandes pretensões. Sem dúvida uma ótima maneira de encerrar o ano.

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