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sábado, 21 de dezembro de 2013

Drew, Da Vinci e Sessão da Tarde

Danielle (Barrymore) lendo o último livro que seu pai lhe dera, Utopia
Essas são as primeiras coisas que me vêm à mente quando se fala de Para sempre Cinderela (Ever After, 1997). Drew Barrymore faz a mais fofa de todas as Cinderelas existentes do cinema, e a adaptação com os sutis toques de humor - bem diferentes dos reais toques sombrios das versões originais - dão todo o charme dessa produção super divertida e despretensiosa. Aqui não há preocupação com a veracidade da história, embora haja toda uma possível reconstrução de como o conto foi escrito pelos irmãos Grimm.

O filme começa com uma nobre senhora (erroneamente chamada de Vossa Alteza - não há monarcas na França desde a Revolução; leiam os livros de história, roteiristas!) conta aos irmãos Grimm como realmente aconteceu a história da Cinderela. Ela soube que eles escreveram o conto baseado em boatos, então ela quis contar como sua tataravó deu origem aos boatos. Danielle de Barbarac (Anna Maguire quando criança e Drew Barrymore quando adulta) vivia com seu pai Auguste (Jeroen Krabbé) em uma pequena fazenda no interior da França. Um dia seu pai retorna de viagem com uma esposa, a baronesa Rodmila de Ghent (Anjelica Houston, para sempre Mortícia Adams), e as duas filhas dela, Marguerite (Megan Dodds na fase adulta) e Jacqueline (Melanie Lynskey, também adulta). O trio de forasteiras não estava acostumado com a vida no campo, e antes mesmo que elas se enturmassem com Danielle, o pai dela morre de ataque cardíaco. Desde então, a baronesa passa a viver esbanjando o pouco dinheiro que herdara, dando vida de princesa para as filhas legítimas, e renegando Danielle a ser apenas mais uma serva da casa.

Danielle (Barrymore) e a baronesa (Houston):
era só dar um pouquinho de amor pra garota...
Daniele sofre demais com a saudade do pai e a falta de amor da madrasta, mas consegue ser feliz com a ajuda das fiéis escudeiras Paullete (Kate Lansbury) e Louise (Matyelok Gibbs) sempre a ajudando. Tudo ia bem até o dia em que o príncipe da França, Henry (Dougray Scott), fugindo de seu pai e seu casamento arrumado com a princesa da Espanha, resolve roubar um dos cavalos de Danielle. Ela acerta várias maçãs nele até reconhecer o símbolo real em seu roupa, deixando-o fugir. Pelo silêncio da moça, ele lhe oferta algumas moedas de ouro, que ela pretende usar para soltar Maurice (Walter Sparrow), que estava sendo deportado para as Américas. 
Em meio a fuga, o príncipe esbarra em ninguém menos que Leonardo Da Vinci (Patrick Godfrey, um fofo) sendo atacado por um bando de ciganos. implorando para que resgate uma de suas pinturas, Leonardo acaba por atrasar o príncipe o suficiente para este ser resgatado pela guarda real. Enquanto Henry e toda a comitiva voltavam para a casa de Danielle afim de devolver-lhe o cavalo roubado, ela estava na corte, fingindo-se de dama da corte, para tentar negociar a soltura de seu velho amigo. Maurice havia sido entregue à Coroa como pagamento de uma dívida da baronesa, e agora ele estava sendo enviado para o outro lado do oceano com outros ladrões. Danielle, que sempre fora influenciada pelo livro que seu pai lhe dera, Utopia, tenta argumentar com o brutamontes que leva a carruagem de presos, mas ele não lhe dá ouvidos. Quando ele grita com ela, o príncipe em pessoa intervém. Envergonhada, mas ainda convicta de que pode resgatar seu amigo, ela argumenta com o príncipe a favor de Maurice e impressiona o homem. 

Henry (Scott) e Nicole/Danielle (Barrymore): ah, o amor...
Sentindo-se atraído por aquela bela jovem, que ele nunca vira na vida, ele implora por uma oportunidade de conversar com ela. Ela lhe fornece o nome de sua mãe, Nicole de Lancret. O príncipe então passa a querer saber mais sobre essa fascinante jovem, mas  não consegue maiores informações sobre ela com ninguém na Corte. Enquanto todas as mulheres da Corte parecem querer a vaga de princesa do reino (e se esforçando muito para isso), Danielle volta pra casa com Maurice, e seguiria sua vida tranquilamente - não fosse um ocasional encontro com Da Vinci e o príncipe novamente. Cada vez mais apaixonado pela moça, ele a leva para conhecer uma universidade e na volta acabam se perdendo. Hneyr e Danielle acabam disputando com os ciganos por seus pertences, mas acabam passando a noite com eles em um clima de amizade. Obviamente, o interesse dele por uma mulher que ninguém conhecia estava alvoroçando toda a França - e estragando os planos da baronesa de casar sua Marguerite com ele.

Usando de compra de informações e troca de favores, ela consegue uma reunião com a rainha - e descobre que a tal moça que todos comentam é Nicole/Danielle. Sentindo-se traída, ela acaba por trancafiar Danielle na despensa da casa no dia do baile em homenagem a Da Vinci, o dia em que Henry deveria anunciar seu casamento. O rei havia dado a ele a oportunidade de encontrar uma mulher que amasse para se casar, ou então ele deveria anunciar a união com a Espanha. Henry estava perto de anunciar seu amor por Danielle, mas Rodmila mentiu, dizendo que ela estava noiva de outro homem. Sem poder se explicar para o príncipe, castigada e presa, Danielle acaba sendo liberta por Da Vinci, que a ajuda em sua fantasia de pássaro. Danielle consegue chegar na festa antes do rei anunciar o casamento, mas não consegue se explicar a Henry: a baronesa a acusa de enganar o príncipe no meio da festa. Cinderela sai às pressas do castelo e perde o sapato (como não poderia deixar de ser), mas o príncipe não se arrepende do que fez - nem mesmo quando Leonardo o confronta.

Que atire a primeira pedra a garota que nunca quis uma fantasia linda como a dela!
O tempo passa e Danielle acaba sendo vendida como escrava para um mercador, em troca de todos os pertences de seu pai de volta à sua própria casa  - a baronesa os havia vendido para manter o luxo, embora empobrecesse a casa. Henry quase se casa com a princesa da Espanha, mas seu choro infindável o fez ver que ele se sentia da mesma forma: apaixonado por outra pessoa, obrigado a se casar por conta de compromissos de seus pais. Assim, ele decide jogar tudo para o alto e correr atrás de sua amada, que descobrira estar cativa em outra mansão. Ao chegar lá, Danielle já havia conquistado sua própria liberdade. Ainda assim, ele a pede em casamento.Tornada rainha, ela agora pode se vingar da madrasta, mas deseja apenas que a tratem com a mesma forma que ela fora, desde criança, tratada pela baronesa. Com a madrasta e a irmã má castigadas, o final feliz era inevitável.

Como disse antes, o filme é pura diversão, sem preocupação nenhuma com fatos ou fazer uma versão mais realista do que seria o conto de fadas. O toque de humor é sutil: as trapalhadas de Henry, o príncipe mais desajeitado e que nunca resgata a mocinha; os ciganos e a hilária cena de Danielle carregando o príncipe às costas; as curtas aparições de Da Vinci e suas falas sempre espirituosas. Um filme fofo, que subverte um pouco o mito da princesa que sofre horrores esperando que o príncipe a salve, mas nada além disso. Vale a pipoca da tarde, toda vez que passar na tv. Ou quando bater a saudade, pegando o dvd.

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