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domingo, 29 de dezembro de 2013

É assim que aprendo história!

Uma vez estava explicando para uma prima adolescente, as licenças poéticas de um filme que retratava a 2ª Guerra Mundial: "Isso aconteceu mesmo, mas aquilo ou aquele personagem não existia, eles só criaram com o propósito de.... É assim que eu aprendo história!". Acredite ou não, eu já aprendi mais história vendo filmes do que na sala de aula. E se dá para aprender sobre história do mundo deste jeito, porque não aprenderíamos nossa própria história assim?

É claro, que Carlota Joaquina, Princesa do Brasil de Carla Camurati é cheio de licenças poéticas e leva tudo para o lado do humor. Mas, como toda piada tem um fundo de verdade...

A princesa espanhola Carlota Joaquina tinha apenas 10 anos quando viajou à Portugal para casar-se com Dom João VI, um segundo filho que não seria rei. Não é que anos e algumas tragédias mais tarde Carlota se viu na situação de esposa do Principe Regente e futura Rainha de Portugal? Para azar dela, esse reinado se passava em tempos conturbados, Napoleão aterrorizava a Europa. Em um ato de esperteza (ou covardia) Dom João evita o confronto mudando toda a corte para o Brasil, para desespero de sua geniosa esposa. Cheia de amantes e criadora de "causo" por natureza, a moça apronta bastante antes de finalmente deixar aliviada terras tupiniquins.

O longa traz ótimas atuações do elenco, especialmente Marieta Severo (Carlota), Marco Nanini (Don João) e da então pequena Ludimila Dayer (joven Carlota). O longa abusa do bom humor, e das piadas relacionadas às figuras históricas para cativar a audiência. Além de trazer para tela grande um pouco do tom novelesco ao que o brasileiro está tão acostumado, o que facilita a empatia do público com o formato. Sempre vale lembrar, que Carlota Joaquina é considerado o marco zero da Retomada do Cinema Brasileiro, e o formato foi crucial para se relacionar com um público que não estava mais acostumado a se ver na telona. 

O único equivoco é a introdução,onde Lorde Strangford (que é o nome de um diplomata irlandês que realmente existiu nos tempos de Napoleão) apresenta já no século XX a história da Princesa do Brasil para a jovem Yolanda (também Ludimila Dayer). Tudo isso em inglês, com narrações eventuais até o fim do filme. Não era necessário, ainda mais em outro idioma. Afinal tem muita criança do Brasil que ainda não ouviu essa história.

Um filme que não apenas ajuda a aprender história, mas também faz parte da história do cinema nacional. Este é o mérito de Carlota Joaquina, Princesa do Brasil, produção obrigatória para qualquer cinéfilo, que ainda diverte!

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