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sábado, 15 de março de 2014

"A mistureba"

Lili (Sara) e Jack (Cruise): um conto de fadas com cara de colcha de retalhos
Acho que esse seria o nome mais adequado à esse A lenda (The legend, 1985) de Ridley Scott. É estranho a gente ver esses filmes de fantasia depois de adultos porque tudo fica mais difícil de "engolir". Ver A lenda quando criança teria reduzido também a minha quantidade de referências fantásticas para fazer comparativos e, talvez, eu tivesse aproveitado mais. De qualquer forma, não tiro os méritos desse filme, principalmente do diretor (que, confesso, é um queridinho meu). Mas, vamos com calma. Primeiro, vamos à história.

A princesa Lili (Mia Sara) tinha um amigo na floresta, Jack (Tom Cruise). Ele queria mostrar a ela o casal de unicórnios, os seres mais puros e mágicos do universo. Fascinada, ela acabou tocando em um unicórnio. Jack acabou magoado pela audácia de Lili, pois sabia que os outros seres da floresta ficariam irritados com ele por deixá-lo tocar nos animais sagrados. Mas ele estava apaixonado demais para perceber o que estava por vir. Sem querer, Lili contribuiu para os planos do vilão Escuridão (Tim Curry): se ele se livrasse dos unicórnios, ele poderia reinar absoluto naquela terra. Ao tocar o bicho, os duendes enviados por Escuridão tiveram a oportunidade de ouro de matar a criatura. Mas, burros que só eles, apenas o feriram mortalmente um deles - ainda teve tempo de roubarem o chifre dele. O outro, a fêmea, conseguiu fugir do ataque.

Lili (Sara) e o unicórnio, pouco antes do ataque dos duendes malvados
Lili acabou descobrindo os planos de Escuridão e resolveu que tinha que ajudar a salvar o outro unicórnio, já que tinha sido por culpa dela que o outro estava quase morrendo. Lógico que isso deu trabalho pro Jack, já que princesas tem boa vontade e coragem, mas só fazem besteiras para que os príncipes a salvem. Ok, isso foi um comentário pessoal. Continuando. Jack encontra-se com as outras criaturas da floresta e resolvem salvar o unicórnio. Quando Lili e a unicórnio fêmea são sequestradas, eles precisam partir para a ação. Mas como combater aquele vilão tão sinistro, se nem mesmo Lili conseguiu resistir? Mesmo sendo uma alma pura, e apesar de resistir, ela acaba sendo seduzida por Escuridão e pede para que seja ela a sacrificar o unicórnio. Lembram-se do óbvio que a Luz é a maior inimiga da Escuridão, então eles deveriam levar a luz até o covil onde as reféns estavam presas e tudo daria certo. Dito e feito. Lili, na verdade, fingira que estava sob domínio de Escuridão e libertou a unicórnio, a engenharia de refração de luz deu certo e Escuridão voltou para o abismo escuro, os unicórnios foram salvos e Jack e Lili foram para a cidade se casar, sendo felizes para sempre.

Escuridão (Curry), o diabão mais bem caracterizado do cinema
Então. Vamos analisar agora as referências fantásticas (algumas meio óbvias, outras nem tanto) encontradas nessa película. A primeira: as florestas povoadas de seres sobrenaturais. Beleza, mas... Cadê o castelo da Lili? Geralmente a floresta fica perto do castelo, e sempre tem guardas nas redondezas. A única outra ser humano era uma inexplicável serviçal que morava lá na floresta e aparentemente não tinha conexão nem com Jack nem com o castelo da Lili. Segunda referência: Jack, uma versão branca de olho verde e cabelo liso do Mowgli, o menino lobo. Juro que tava esperando o Baloo aparecer. Daí surge aquela espécie de Peter Pan meio Curupira que eu ainda não entendi bem o que é. Curupira porque sou brasileira e porque a gente sabe que ele é impiedoso com quem faz maldade com os animais da floresta que ele protege - e era bem assim que esse maléfico Peter Pan tava agindo. A Sininho, digo, a fada Rose também é muito esquisita... E falando em esquisitice, alguém consegue explicar porquê o Tom Cruise não usa calças? Assim, ele é o típico cavaleiro de armadura dourada, pronto a enfrentar qualquer desafio para salvar a sua amada... Mas cadê as calças?!

Das histórias fantásticas mais internacionalmente conhecidas, vi um pouquinho de Tolkien, de C.S. Lewis e até de George Martin. Os duendes tem um quê de hobbits, e o inverno que chega na floresta quando eles pegam o chifre do unicórnio me lembrou o grande frio que tomou Nárnia quando a Feiticeira Branca reinava por lá. O covil de Escuridão foi abertamente inspirado no filme francês A Bela e a Fera (que a gente já viu aqui no Dvd!), e lá embaixo também teve a estranha cena de um duende sendo resgatado vivo de dentro de uma torta juntamente com os pombos - que saíram voando. Bem, se você não leu os livros do bom velhinho, digo, do senhor Martin, talvez não saiba da pavorosa torta de pombos no casamento real. E bem, o que falar do vilão ser um baita diabão? Vermelho, chifrudo, com cascos de bode e vozeirão grotesco? Super clichê, mas convenhamos... Melhor caracterização de um diabo ever. Sorte minha só ter visto esse filme agora, me poupou muitos pesadelos com essa figura bizarra. Até porque a interpretação de Curry deixa ele bem aterrorizante e ao mesmo tempo hipnótico, não foi à toa que a princesa se deixou levar pela dança sensual... Aliás, a versão dark dela ficou linda! E me lembrou as madrastas más de Branca de Neve/Bela Adormecida e afins. 

Lili (Sara) na versão Dark. Super bacana, né?
Bem, no fundo o filme acaba sendo divertido - justamente por ser tosco de ver. Na época devia ter sido bem mais legal, a produção é caprichada e tinha efeitos visuais bastante interessantes. Ridley Scott é um dos meus diretores favoritos porque ele não teme se arriscar: faz fantasia, ficção científica, filme de guerra, road movie... Nem sempre os resultados são bons, como é o caso desse A Lenda, mas ele nunca fica parado no mesmo gênero. Ele parece se encantar com a história e resolver filmá-la, assim como eu me apaixono por histórias e as curto independente de qual seja o assunto. Curti demais essa experiência, mas só vou guardar no coração a criação incrível do diabão-Escuridão. O resto, é bem esquecível.

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