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segunda-feira, 31 de março de 2014

Super clipe + Baixo-Astral

Quem tem medo do Baixo-Astral?
 Super Xuxa contra o Baixo-Astral (1988) é daqueles filmes que a gente gosta porque tem uma nostalgia envolvida. No meu caso, lembro muito bem do filme por ter sido minha primeira experiência com a telona. Lembro de ter ficado impressionada com o tamanho da tela, do pavor que tive quando o Baixo-Astral (Guilherme Karan, eternamente o Baixo-Astral) apareceu e do medo que senti quando vi a Xuxa cair da árvore do conhecimento. E, lógico, que pessoa que foi criança na década de 1980 não sabe cantar a música tema do filme? Mas, como aqui a gente não tá falando de nostalgia, vamos ao que interessa: analisar um pouco melhor o filme.

Rever o filme hoje traz à nossa mente o quanto a idade e a experiência de vida influenciam numa experiência cinematográfica. Os recursos visuais toscos (que considero um charme) são incrivelmente subaproveitados e o roteiro é bem fraquinho. Baixo-Astral quer dominar o mundo, mas existe uma moça chamada Xuxa que espalha positividade por aí e está atrapalhando seus planos. Irritado, ele sequestra seu cãozinho e o leva para a escuridão de seu antro, para viver no meio da sujeira com seus ajudantes do mal. Xuxa, obviamente, não abandonaria seu amigo. Daí começa a jornada para resgatar o cachorro, e ela começa meio Poltergeist, com Xuxa entrando pela tv depois de bater um papo com a poltrona conselheira (?!). Se começou assim, a jornada só podia ficar ainda mais esquisita...

Xuxa e a burocracia: cadê o certificado
de sadomasoquismo, meu bem?
Xuxa encontra um labirinto e recebe a ajuda de uma minhoca, digamos, de aspecto curioso; atravessa um deserto que acaba num lago, onde ela recebe ajuda de um boto; depois encontra um pássaro e um macaco com roupa de gari que a confundem mais do que ajudam, até que a tartaruga a explica que ela precisa de conhecimento - sendo que ela está aos pés da árvore que dá livros; nela, Xuxa encontra pássaros esquisitos que tentam derrubá-la da árvore e quando ela cai, ela vai parar no Alto-Astral, onde tudo é lindo. De lá ela recebe um pedaço do cristal, amuleto poderoso contra as forças do Mal. Do nada ela aparece no Baixo-Astral, e tem que se virar com a burocracia: "passaporte falso, assine três vias e depois jogue fora, blablablá". Mas juro que fiquei passada quando pediram a ela até um certificado de sadomasoquismo. Como assim, minha gente?! (p.s.: já tinha achado esquisitíssima aquela minhoca que acompanha ela, depois dessa piadinha...)

Ela consegue se livrar de Morcegão (Roberto Guimarães), mas é enganada pelo Baixo-Astral disfarçado de motoqueiro, que a faz crer que seu cãozinho já está morto (interessante eles não utilizarem a palavra morte, mas sim desintegração para dizer o mesmo, já que todo o ambiente em si era bem assustador para as criancinhas). Mesmo usando do cristal para se defender, e perdoando aqueles que lhe fizeram mal - conquistando aliados para o bem, Baixo-Astral estava ganhando a disputa com o seu canhão de violência. Xuxa e seus amigos são salvos por Rafa (Jonas Torres, sumido desde a década de 1990), um personagem que não disse a que veio, e ficou completamente perdido na trama. No fim, todos cantam e são felizes.

Alto-Astral, tudo é lindo!
Nem preciso comentar aqui sobre as habilidades artísticas da Rainha dos Baixinhos, né? Os fãs que me perdoem, mas ela não sabe cantar (até hoje) e muito menos atuar. Lá na época do lançamento, eu nem reparava nisso: adorava a Xuxa e o programa dela, não perdia um. Mas hoje eu imagino o sofrimento causado à minha pobre mãezinha, que teve que aturar anos dessas músicas chicletes de Sullivan & Massadas cantadas pela apresentadora - e por mim junto, lógico - além de ter nos levado ao cinema pra ver esse super clipe, feito na medida para vender o LP do filme. A conexão dos pedaços de história com as músicas é sofrível, convenhamos. E o que falar dos merchans?! Até os lango-langos acharam espaço no deserto pra serem vendidos, minha gente! Mas uma verdade é incontestável: não há quem não se lembre do Baixo-Astral de Karan. Nojento, perverso, louco, assustador. Ganha fácil o título de pior vilão infantil brasuca - e ainda hoje é a melhor coisa do filme. Depois de revisto, fica o gostinho de nostalgia. É bacana ver como a gente era inocente naquela época e ver que, mesmo com tanta coisa "ruim", ainda havia preocupação em passar valores e lições de vida para as crianças (a gente precisa de conhecimento para crescer, não confie em estranhos, a amizade e o amor vencem o medo e o baixo-astral) e que, no fundo, a gente aprendeu com ele. Passar o resto do dia cantarolando Arco-íris é fichinha: a gente canta a música há quase 30 anos, sem errar a letra...

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