3 blogueiras + 1 desafio = aprimorar a cinefilia.
DVD, sofá e pipoca,
formando cinéfilas melhores!

sábado, 29 de março de 2014

Antes era infantil, agora é um divertido Trash 80's!

Então a garotada saboreia um delicioso biscoito Triunfo, antes de montar em suas Calois e pedalar até o posto Shell mais próximo, e pintar seu muto com a mais brilhante tinta Suvinil, enquanto cantam, dançam e saboreiam aquela coca-cola geladinha. Dessa vez, não deu para ignorar toda a publicidade que eu não percebia quando assistia ao 7, 8 anos. E olha que nem mencionei, o Bob's, a Colgate, os Lango-Langos e a própria Xuxa, que era boneca, personagem de quadrinhos, roupas, sapatos, entre outras coisas!


Passada esta estranha nova impressão (de que estava sendo manipulada descaradamente), vamos à trama. Xuxa é uma apresentadora de TV "super do bem" que até tem tempo para sair por aí pintando muros, porque segundo a campanha "Vamos deixar a cidade mais colorida", é só isso que é preciso para tudo melhorar. Infelizmente toda essa felicidade irrita nosso vilão, o residente dos esgotos, Baixo Astral (Guilherme Karan, roubando o filme). Para acabar com a festa, ele decide sequestrar cãozinho Xuxo, e consequentemente acabar com o alto astral de sua dona. É claro, que a moça sai ao resgate de seu mascote, em uma aventura cheia de desafios mágicos. Enquanto isso, o vilão multitarefas, decide ainda recrutar e treinar um novo capanga cujo o potencial é descoberto por causa de uma briguinha de criança.

Também não é mais imperceptível a semelhança com Labirinto e outros longas de fantasia da época (descubra mais sobre o plágio isso aqui). Entretanto o que realmente saltou aos olhos nesta sessão duas décadas mais tarde é que esses 20 anos a mais de experiência fazer diferença, até demais. Difícil crer que com olhos infantis não reparávamos que muita coisa não faz sentido. Dá até para fazer uma listinha:
  1. Se o sofá da Xuxa podia falar como Sandra de Sá, porque não deu um alerta quando os bandidos entraram na sala. 
  2. Se Baixo Astral vive nos esgotos, porque para alcançá-lo Xuxa precisa entrar na TV, cruzar um muro, um deserto e escalar uma árvore para chegar no topo de uma montanha, que parece mais uma nuvem? 
  3. Porque existe um macaco vestido de gari da Comlurbe? (varredores de rua da empresa carioca, para quem não conhece o palavreado da área). Aliais qual a função dele, do periquito e dos pássaros que vivem na árvore do conhecimento? Ou das pulgas de Xuxo, quem fim elas tiveram.
  4. Qual é a das crianças zumbis? E que métodos estranhos Baixo Astral usa para o recrutamento de seus capangas?
  5. E o que afinal o cristal fez com o Baixo Astral?
Ainda assim existem boas sacadas. Xixa apesar de copiada (e cheia de piadas acidentais de duplo sendtido) é divertida, e até bem manipulada em comparação com outros personagens. Já Karan rouba a cena, ao simplesmente se divertir com aquele mundo nonsense, no melhor estilo malvadeza por diversão. Entratanto, impagável mesmo, é a sequencia em que Xuxa fica presa na teia da burocracia. É absurdamente realista mesmo mais de 2 décadas depois! Infelizmente, sua solução que a heroína encontrou, se aplicada na prática, além de não funcionar, provavelmente só provocaria mais burocracia. 

E por falar em atualidade! Fiquei surpresa ao ouvir de Xuxo a seguinte frase: "Baderna não faz revolução!". Globo que tal, reprisar esse trecho repetidamente para nossos revolucionários sem causa? Por outro lado ver a veterana Henriqueta Brieba proferir a pérola - "Não deixe o cágado ficar cagado!" - não foi das mais prazerosas. Mas faz parte das particularidades dos filme da era pré-politicamente correto.

Antes de super-protegermos as crianças, não era nada demais uma veterana falar a palavra "cagado" em um longa infantil. Pernas de fora não significavam nada além disso. Ou ainda um capanga cortar o próprio dedo e jogar na frigideira não levaria a pirralhada para a terapia.

O roteiro não faz muito sentido, copia descaradamente faz referências não autorizadas a várias outras produções. Entretanto Super Xuxa Contra Baixo Astral, usa e abusa do carisma de Xuxa e Karan, além da suspensão de descrença de seu público alvo. A petizada abaixo dos 10 anos, tinha sua Rainha, muita música seres esquisitos e muitas piadas, como notar as inconsistências diante de tudo isso?

Não sei se funcionaria com a criançada de hoje em dia, que mal lembra da Xuxa naqueles DVDs "Só para baixinhos". Mas se você era baixinho, e agora como altinho que desfrutar de um pouco de nostalgia e até algumas gargalhadas sinceras (por motivos completamente diferente de quando assistia na infância), reúna uma galera. Garanto vão se divertir!
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2 comentários:

Geisy Almeida disse...

E viva o pré-politicamente correto nos filmes infantis!

Incrível como esse filme conseguiu vender bem, se tornar um clássico, ter um vilão inesquecível e ainda passar mensagens de "moral e bons costumes" mostrando dedos cortados e palavras "feias".

Nenhuma criança ficou traumatizada após as filmagens (exceto que nunca mais dormiram tristes, por não querer ficar como o Baixo-Astral). ;]

Fabiane Bastos disse...

Né! Qual o problema de uns dedinhos fritos, ou do cágado ficar cagado? Oficialmente na lista de tão ruim que é bom! :)