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sábado, 12 de abril de 2014

A diferença entre sozinho e solitário!

É irônico que assim que chega ao socialmente isolado Alasca, Alex Supertramp (Emile Hirsch) tenha encontrado refúgio em um ônibus. Afinal, o "coletivo" é um perfeito símbolo da vida em sociedade. E Alex, defendia um irrefutável discursos sobre os males da sociedade e sonhava com uma vida purista Na Natureza Selvagem.


Alex, nasceu Christopher McCandless, filho de uma família de classe média alta. Mas ao terminar a faculdade aos 22 anos, abandonou tudo em busca de uma vida longe dos males da sociedade, como consumismo, hipocrisia e a mentira. Não é que ele não gostasse das pessoas, apenas achava a natureza infinitamente mais interessante.

É esta jornada de mais de descoberta do mundo, que de auto-descoberta que acompanhamos. Alex conhece todo tipo de pessoas, aprende, convive e modifica suas vidas. Mas nada do que encontra sequer chega a colocar dúvidas sobre suas convicções sobre os males do mundo. Conceitos criados a partir da infância recheada de erros dos tradicionais pais burgueses (com sua felicidade de fachada), e de dezenas de livros que carregou consigo em boa parte da jornada.

Ao mesmo tempo conhecemos, através dos olhos da irmã (sempre competente Jena Malone), o desespero dos pais, ao não ter notícias do filho por anos. Castigo grande demais para um pai, não importa o quanto eles tenham errado. Força que fica evidente, embora Alex não pareça notar, ao conhecermos a história da hippie Jan (Catherine Keener).

Road movie típico do gênero, que se não causa tantas reflexões para seu protagonista (ou ao menos as reflexões que gostaríamos), coloca questões de sobra na mente do expectador. A cada nova parada, novos exemplos/possibilidades de relações humanas são apresentadas. Difícil não se encantar com o velinho que embora viva sozinho tem certeza que todo mundo o ama. Em contrasta com otutro, que com medo de amar e perder novamente, se fechou para a vida.


Histórias suportadas por boas interpretações, especialmente de Hal Holbrook (o tal velinho que se fechou para a vida), e Jena Malone, quase são vemos a irmã de Christopher, mas a moça se faz presente através de pontais e emotivas narraçoes durante toda a projeção. Temos até uma Kristen Stewart, pré Crepúsculo, quando era apontada como um talento promissor. Contudo o trabalho pesado fica mesmo com Hirsche, que trabalha bem com o resto do elenco, mas também carrega bem longos momentos sozinho em cena.

Mas é um road movie, então também apresenta as mais diferentes paisagens "estadunidenses" com uma bela fotografia que aos poucos incorpora o protagonista ao mundo ao seu redor. Alex termina "fazendo parte da paisagem", como se sempre pertencesse a ela.

É um ótimo filme. O que me incomodou foi mesmo a história (real vale lembrar). Para alguém que almejava tanto a vida natural Christopher parecia saber muito pouco sobre ela. Com todo respeito à família McCandless, longe de julgamentos preconceituosos. O abandono radical da família e amigos, até da irmã que em suas palavras, "era a única capaz de realmente compreendê-lo", soa mais como uma revolta de um jovem mimado burgês. Egoísta ao queimar todo seu dinheiro em uma ato meramente simbólico. Quando podia em outro ato simbólico, mais condizente com sua buscar por um mundo melhor, usá-lo dinheiro para ajudar quem precisa.

E mesmo diante de uma incível jornada que deveria fazê-lo se encontrar, e preencher esses vazios, Alex, parece só compreender toda a sabedoria que adquiriu em quilômetros de caminhada quando já é tarde demais para aproveita-la. É só no fim que o rapaz percebe, que a felicidade só é verdadeira se compartilhada. Transformando seu outrora entusiasmado "sozinho Na Natureza Selvagem", se apenas "solitário"!


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