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segunda-feira, 21 de abril de 2014

Aprendendo a ser cool

Descobrindo um tesouro
 Quase famosos (Almost famous, 2000) é um filme quase profético: foi a partir desse filme que muita gente boa começou a ser vista em Hollywood, e o caso mais emblemático é o de Kate Hudson - que interpreta a doce e doida Penny Lane. É estranho só ver esse filme agora, quase quinze anos depois de ele ter sido lançado, e ver que vários atores estavam começando a despontar ali. Tirando Frances McDormand (sempre brilhante), Philip Seymour-Hoffman (que se foi tão repentinamente, ainda é difícil de acreditar) e Billy Crudup (nem tão famoso por essas bandas de cá), havia muita gente querendo uma boa chance de ser famoso. Mas vamos pro filme!

Mãe é mãe, né?
William Miller (Patrick Fugit) é um adolescente superdotado que, influenciado pela irmã mais velha, acaba se tornando um grande fã de rock. Anita (Zoey Deschanel, big blue eyes reconhecíveis em qualquer lugar) saiu de casa muito cedo tentando fugir da mãe megacontroladora, Elaine (McDormand), mas William ainda tinha uma relação sadia com ela. Tudo começa a mudar quando ele, já tremendamente conhecedor de rock, acaba encontrando o crítico de rock Lester Bangs (Seymour-Hoffman) e quando tenta entrevistar a banda Black Sabbath quando eles fazem um show em sua cidade. Ali ele conhece Penny Lane (Hudson) e as band-aids (um trocadilho ótimo), as groupies que são fiéis a um ideal: o que elas fazem é música, de uma forma ou de outra. Barrado no backstage e sem conseguir a ajuda das moças, ele acaba por conseguir se enturmar com a banda de abertura, os caras do Stillwater. 

Stillwater: fictícia, mas parece tão real...
Atrás de informações para a revista local para a qual trabalhava, a Creem, acaba conseguindo muito mais que isso: o editor da Rolling Stones oferece uma matéria completa, basta que ele siga com o grupo em turnê e entregue a matéria no prazo. Nem precisaria se preocupar com os custos, tudo pago pela revista. Ah, sim, e ele ainda receberia uma graninha pela matéria. Essa é a vida que todo adolescente poderia pedir aos deuses do rock, certo? E apesar de tudo o que estava acontecendo com ele, William ainda parecia não acreditar que era verdade: ele, o garoto esquisito, sempre renegado pelos mais legais por ser mais inteligente, descolado, estava ali em meio a rockstars, curtindo uma viagem de ônibus pelos EUA, conquistando garotas. Tava bom demais para ser verdade.

William (Fugit) e Penny Lane (Hudson): "Esta é sua casa"
A gente acaba ficando como William: deslumbrado. É gostoso acompanhar a estrada com o a banda, ter a sensação de não saber onde vai dar, descobrir a vida junto com o garoto. Mas, no fim das contas, William descobriu do jeito mais difícil que o mundo não é bolinho. Com as máscaras caindo, as responsabilidades aumentando, as drogas aparecendo, o jovem percebe que esse é um mundo feito para os fortes, e não havia espaço para sua inocência ali. Apesar do meio hostil, William ainda era essencialmente infantil - desde o início ele era assim, quando a irmã xingava a mãe e ele não entendia, quando os garotos da turma dele o sacaneavam por não ter pelos, quando as garotas se insinuaram para ele. O mundo maravilhoso que estava se abrindo para os Stillwater não era o mundo para William, e essa queda na realidade foi dura para ambos lados. Apesar de tudo, de uma coisa ele tinha certeza: aquele foi o melhor momento da vida dele, e provavelmente foi o da banda também. Sorte nossa, que pudemos acompanhar esse relato semibiográfico do diretor.

2 comentários:

renatocinema disse...

Quase famosos é um filme quase profético?

Discordo, acho um filme cruel..de tão maravilhoso para quem gosta de música e cinema. kkk

abs

Geisy Almeida disse...

Olá, Renato!

O "profético" foi só uma piadinha -meio sem graça, assumo - com os talentos escondidos ali. Na época, a Kare Hudson e a Zoey Deschanel eram "quase famosas" ;)

E o filme é realmente uma delícia, né?