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domingo, 20 de abril de 2014

Honesto e impiedoso, mas nem tanto

Seja honesto e impiedoso, é o conselho que o garoto William Miller (Patrick Fugit) recebe do experiente Lester Bangs (Philip Seymour Hoffman), pouco antes de tirar a sorte grande e ter seus textos notados pela revista Rolling Stone. É claro, que depois de contratado pela publicação e viajando com um grupo de rock para produzir uma matéria, ele esquece de tal conselho, assim como o aviso para não fazer amizade com astros de rock. Ao menos ele escuta sua mãe, e não usa drogas.

Inspirado na experiência real que o diretor Cameron Crowe, teve aos 16 anos quando acompanhou diversas bandas em turnê para a revista Rolling Stone, Quase Famosos cria um alter-ego que cresceu amando rock apresentado pela irmã "rebelde", escondido da reguladora mãe, e que mantêm o entusiasmo e o deslumbre de qualquer adolescente amante de música. É com este olhar, que descobre mais do que julga, que William, e Crowe, nos apresentam o mundo do rock.

Escute "Tommy" com uma vela acesa e você verá todo o seu futuro!

Ligar para Mãe - vale a pena quebrar!
Não usar drogas - não vale a pena!
Na estrada com a banda fictícia Stillwater, o garoto concilia uma viagem de auto-descoberta (como todo bom road-movie), com a descoberta do mundo do rock. Mostrando seus astros fora do pedestal, nos momentos bons e ruins. Junto com ele, conhecemos pessoas incríveis, coisas brilhantes e idiotices que podem fazer, quebramos "nossas primeiras regras" e também tomamos consciência de quais delas valem a pena de ser quebradas. Enfrentamos a responsabilidade de nossos atos e compromissos, vivemos um amor platônico. Tudo isso, claro, com muito rock'n'roll.

Adorável Penny Lane, rendeu um Globo de ouro e uma
indicação ao Oscar para Hudson.
E como o inexperiente protagonista ignora alguns conselhos profissionais, Crowe curiosamente decide contar esta jornada de uma forma leve. Sim, há sexo, drogas e rock'n'roll, mas os dramas nunca chegam ao extremo deprimente, comum em longas sobre astros de rock. Mesmo a trama mais complexa, da apaixonante "tiete" Penny Lanne (Kate Hudson), que é de certa forma "usada" pela banda e em algum momento é traída por seus ídolos, é resolvida com uma seriedade singela e, até, otimista.

O elenco embora bem afinado, sofre de um mal comum de filmes de rock, o excesso. Astros de rock, empresários, equipe, tietes, é muita gente para decorarmos os nomes. Por outro lado, oferece vislumbres de fases curiosas da carreira de vários nomes conhecidos atualmente, desde Hoffman, passando por Anna Paquin, Jay Baruchel, Jason Lee, Michael Angarano, Zooey Deschanel e Jimmy Fallon.

Quase Famosos é honesto do ponto de vista de seu protagonista, mas apenas pontualmente impiedoso com seus astros de rock de egos inflados, e cheio de excessos. É um bom filme de auto-descoberta, e sobre rock, que ainda deixa qualquer jornalista, blogueiro e/ou aficionado por música com inveja de William/Crowe e seu início de carreira dos sonhos.

Ahhh! Rolling Stone porque nunca me contrataram para uma aventura dessas?

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