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quinta-feira, 10 de abril de 2014

A jornada é a mensagem

McCandless (Hitsch), enfrentando desafios em busca da própria felicidade - e de dar uma lição nos pais
Road movies são filmes que geralmente traduzem a necessidade de mudanças dos seus protagonistas em uma viagem de descoberta pelas estradas, uma metáfora bem utilizada e muito fácil de ser compreendida. O que surpreendeu nesse Na natureza selvagem (Into de wild, 2007) foi que a história não é metáfora para nada, o principal personagem realmente existiu e fez todas as coisas que estão na tela. E todos os dramas ali não foram criados para fazer crescer o espectador, mas simplesmente o registro de uma vida.

Além da belíssima fotografia e de uma atuação emocionante de todo o elenco, o filme fala de vida. De achar a forma mais adequada de se viver. E, pasmem ,não dá nenhuma receita de bolo para isso. Muito pelo contrário, o filme te faz até questionar as escolhas de Christopher McCandless (vivido por Emile Histch). Chris e sua irmã Carine (Jena Malone) eram extremamente infelizes em casa por conta da infelicidade e violência que existia na conturbada relação de aparência de seus pais, Walt (William Hurt) e Billie (Marcia Gay-Harden). Cansado de viver só nas aparências, da falta de amor, das mentiras, da cobrança da sociedade em serem uma família feliz e perfeita, Chris decide doar suas economias para a caridade e meter o pé na estrada.

Acompanhado de seus livros e de seus ideais de felicidade (solidão e contato direto com a natureza), sair para ficar em contato com a natureza mais selvagem, sempre que possível isolado do contato com outro ser humano (e principalmente do dinheiro), Chris some no mundo por quase dois anos e não volta a dar notícia para os pais. A irmã era a única que realmente importava para ele, mas ela também compreendia bem o porquê dele querer sumir - e ela respeita essa necessidade de isolamento. Uma frase dita por ela na narração em off resume bem o que é essa jornada de Chris: ela podia não compreender mais exatamente o que o irmão queria dizer com aquela atitude, mas ela sabia que ele precisava fazer tudo o que fez. É legal também perceber que Chris atingiu não somente aos pais com sua teimosa jornada de busca pela verdadeira felicidade (e a obsessão pelo Alasca e sua solidão absoluta), mas também influenciou ou mudou a vida dos outros que cruzaram caminho dele.

Acompanhei o filme acreditando ser uma história ficitícia, até essa cena.
 Então, todo o sentido do filme mudou
A sensibilidade de Penn na direção, a trilha sonora inspiradíssima de Eddie Vedder, a belíssima fotografia e o elenco inteiro completamente afinado - em especial Hitsch, que parecia realmente estar descobrindo o valor da verdadeira liberdade junto com o personagem, são mais do que chamativos para esse filme. Eu, que nada havia lido sobre ele, me surpreendi bastante. O filme é comovente, bonito, uma lição de vida. 

3 comentários:

renatocinema disse...

Lindo texto sobre um filme que também me comoveu muito.

Gostei de sua visão sobre o conceito do filme apesar de ser Road Movie, não foi construído por isso. Afinal..história real.

A trilha realmente me marcou.

Amo a parte ""Mais que amor, dinheiro e fama, dai-me a verdade. Sentei-me a uma mesa em que a comida era fina, os vinhos, abundantes e o serviço impecável, mas faltava sinceridade e verdade e fui-me embora do recinto inóspito, sentindo fome. A hospitalidade era fria como os sorvetes". Henry David Thoreau - A Vida nos Bosques


Parabéns.

renatocinema disse...

Lindo texto sobre um filme que também me comoveu muito.

Gostei de sua visão sobre o conceito do filme apesar de ser Road Movie, não foi construído por isso. Afinal..história real.

A trilha realmente me marcou.

Amo a parte ""Mais que amor, dinheiro e fama, dai-me a verdade. Sentei-me a uma mesa em que a comida era fina, os vinhos, abundantes e o serviço impecável, mas faltava sinceridade e verdade e fui-me embora do recinto inóspito, sentindo fome. A hospitalidade era fria como os sorvetes". Henry David Thoreau - A Vida nos Bosques


Parabéns.

Geisy Almeida disse...

Obrigada, Renato!

É bom quando a gente pega um filme sem saber muito sobre ele e se surpreende, não é? Aconteceu isso comigo nessa experiência aqui. Chris provou para todo mundo que cruzou o seu caminho (e que viu sua história contada depois) que ele realmente estava feliz enquanto buscava sua felicidade. Era o caminho que o fazia feliz, e se livrar das amarras que o prendiam pode ter sido um passo errado, difícil e incompreendido - mas ele tinha certeza que era isso o que queria. Inspirador, não?

Obrigada pela visita e pelas palavras. Sinta-se à vontade em nosso sofá! =D