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domingo, 15 de junho de 2014

Sei lá, entende?

O futebol é o personagem principal; não inventa mais nada, minha gente...
Olha, sinceramente, não sei quem foi que teve a brilhante ideia de misturar futebol e segunda Guerra Mundial num filme sobre heroísmo americano patriótico cujo símbolo maior era ninguém menos que Sylvester Stallone. Sério, não sei o que deu na cabeça das pessoas envolvidas. Sente a sinopse de Fuga para a vitória (Victory, 1981) encontrada facilmente no Wikipedia: 

"O filme relata a vida de prisioneiros aliados que são internados em um campo de prisão nazista durante a Segunda Guerra Mundial.
Em um campo alemão de prisioneiros de guerra, o major Karl von Steiner (Max Von Sydow), que no passado havia sido jogador da seleção alemã de futebol, tem a ideia de fazer um jogo entre a Alemanha e uma seleção composta pelos prisioneiros aliados, liderados pelo capitão John Colby (Michael Caine), um militar inglês que era um conhecido jogador de futebol. Colby também teria a tarefa de selecionar e treinar o time, para enfrentar o time alemão no Estádio Colombes, que fica próximo à Paris. Enquanto os nazistas, com exceção de Steiner, planejam fazer de tudo para vencer o jogo e assim usar ao máximo a propaganda de guerra nazista, os jogadores aliados planejam uma arriscada fuga durante o intervalo da partida."

Sentiu o drama? Pois é.

O pior jogador em campo... Salva a pátria, lógico.
O personagem de Stallone, Hatch, é tão desnecessário que nem aparece na sinopse. Mas, como não podia deixar de ser, a "Síndrome de McGuyver" que tomava conta dos filmes de ação americanos dos anos 80 - e todos os grandes atores do filão - faz com que Hatch, mesmo que improvavelmente, seja escolhido para o time. Veja bem, ele queria de qualquer forma fazer parte do time porque haveria uma oportunidade ótima para fugir, mas só quando o seu plano A deu errado é que ele forçou a barra e foi aceito. Então, como é que ele virou peça chave no plano de fuga, minha gente?! O que é legal do filme é que o próprio Stallone faz piada o tempo todo com sua falta de noção: as piadinhas sobre ele, americano, ser o único a não saber nada sobre futebol ou quando ele comete uma falta no estilo futebol americano dão uma comicidade ao filme - o que eu vejo como uma coisa boa, mas não é nem de perto o foco. O filme, na verdade, era pra ser um drama. A cena em que os ex-jogadores que estavam no campo de concentração alemão (e que só foram salvos por muita insistência do capitão inglês Colby) é impactante. Mas a insistência em querer fazer um filme tipicamente do herói americano que salva o mundo contra todos os problemas do mundo quebra todo o clima denso que o filme poderia ter e não dá brecha para o filme crescer. Será mesmo que Hatch era tão necessário assim para que a fuga desse certo?

Além disso, a participação das estrelas do futebol são bem pequenas, mas incrivelmente ok. Assim, eles não eram atores, o resultado podia ser catastrófico. Mas até que eles desempenharam bem seus papéis - até o Pelé, com seu inglês macarrônico. No fim das contas, até dá pra assistir ao filme, mas tenha certeza de que não é nada memorável. Afinal, que outro filme tem Michael Caine, Stallone e Pelé no elenco?

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