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sábado, 26 de julho de 2014

Então...


O livro é bem mais sinistro que isso
Tem duas versões sobre a história da menina curiosa que cai na toca de um coelho e vai parar num mundo de fantasia que eu gosto muito: a primeira é a versão original, a dos livros de Lewis Carrol; a segunda é a versão em animação dos estúdios Disney - apesar das diferenças significativas. Quando ouvi falar da versão de Tim Burton para o clássico, e que ele misturaria os livros Alice no País das Maravilhas e Através do espelho, eu fiquei com um pé atrás. Mas o coração da gente é fraco, e eu quis dar um voto de confiança - até porque a trinca de ouro estava garantida, com a escalação de Helena Bonham Carter e Johnny Depp. Bem, eu estava certa em recear. Alice no País das Maravilhas (Alice in Wonderland, 2010) tentou misturar tudo: Rainha Vermelha (Helena Bonham Carter), Rainha Branca (Anne Hathaway), Chapeleiro Louco (Johnny Depp), Coelho Branco, Tweedle-Dee e Tweedle-Dum (Matt Lucas), Gato de Cheshire, dragão malvado, chá das cinco, luta de espadas, romance, lição de moral, noções de política e CGI. Não deu muito certo. 

Alice (Wasikowska): mas o quê?!
O filme começa com Alice (Mia Wasikowska) em uma festa organizada por sua irmã mais velha, onde seria anunciado o noivado dela com um almofadinha qualquer. No meio dessa festa chata, Alice vê o Coelho Branco e vai correndo atrás dele. Cai no buraco e adentra um mundo mágico, onde beber de um vidrinho a faz encolher e comer um bolinho a faz crescer. Acreditando ser um sonho, ela continua em meio às esquisitices. Encontra os gêmeos gordinhos, uma rata bem malcriada, o coelho e uma lagarta que a põem em dúvida sobre ela ser ela mesma e qual seria seu destino. Depois de ver que ela estava destinada a matar o dragão Jaguadarte (dublado por Christopher Lee) no dia do "juízo final", até ela começou a duvidar de si própria. Conversa vai, conversa vem, andando pela floresta ela encontra o Gato de Cheshire (não sei como chamá-lo, prefiro Cheshire Cat - mas em português é Gato Risonho, mas não gosto muito dessa tradução). Ele a faz chegar até o Chapeleiro Louco e a Lebre Maluca, que a protegem de ser encontrada pela patrulha de busca da Rainha Vermelha - que já sabia de seu retorno ao país e de seu destino de matar o dragão, acabando com seu reinado. 

"Fora, Cabeçuda!"
O Chapeleiro Louco arrisca a própria vida para enviar Alice até o palácio da Rainha Branca, mas ela teima em voltar para salvá-lo da Rainha Vermelha. Depois de se passar por amiguinha da Rainha Vermelha e ver como ela maltratava todos em seu reino, ela consegue dar um jeito de resgatar não só o Chapeleiro, mas também o Coelho, Tweedle-Dee e Tweedle-Dum, a espada que matará o dragão e ainda ganha uma fera de brinde. Já com a Rainha Branca, ela tem que decidir se realmente é a Alice da profecia ou não. Com uma ajudinha extra da lagarta no momento crucial, ela decide, enfim, partir para a batalha. Tudo ocorre como o previsto: Alice mata o Jaguadarte e todos são felizes para sempre no país das Maravilhas - menos a Rainha Vermelha e o soldado que foi acorrentado à ela, como castigo pelas coisas ruins que fizeram. Alice decide voltar para seu mundo e tornar-se dona de seu destino: diz não ao noivado, "samba na cara das inimigas"  - quase literalmente - falando boas verdades para todo mundo na festa, e decide partir para outros países maravilhosos - esses reais, viajando como aprendiz de mercadora. E este, senhores, é o fim (da picada).

Muito CGI pra pouco efeito na estória...
Dá pra perceber que o filme é totalmente pensado para impressionar no quesito efeitos visuais. A história da Alice fica quase em segundo plano, tamanha dedicação para os efeitos especiais. O tal do passo maluco no fim da batalha foi ridículo. Não houve nada mais sombrio no clima do filme, se é que essa foi a intenção em se trazer Burton para dirigi-lo; apenas houve a credibilidade do nome do diretor como um escudo para as críticas ou um chamariz para fãs. As rainhas me deram nos nervos: a Branca pelos trejeitos desajustados de Hathaway - precisa ficar com as mãos suspensas no ar o tempo todo para indicar leveza?, e a Vermelha pelo efeito esquisito da cabeçorra. Carter até que dá um pouco de dignidade à ela, mas... Não sei, não consegui gostar da Rainha Vermelha, achava que ela deveria ser mais temperamental e menos mimadinha (sem falar de apaixonadinha). Todos os outros personagens digitais parecem banais, exceto a lagarta. Um show de animação, claro, mas sem muito a acrescentar. De longe, esse é o filme de Tim Burton com menos cara de Tim Burton, e uma decepção completa pra mim. A impressão que dá é que o filme foi levemente inspirado na mitologia de Alice, não uma tentativa de levar a história em si para as telas. Não gostei da primeira vez que vi, e quase dormi da segunda vez que revi para avaliar para o blog. E, pra mim, já deu.

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