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domingo, 27 de julho de 2014

Sobre tempo, percepção e falhas...

Quando peguei no sono ao rever a versão de Tim Burton para Alice no País das Maravilhas, que percebi que minha estratégia de republicar a resenha que escrevi originalmente em 2010 não iria funcionar. Quatro anos mais tarde, longe do calor da publicidade viral e da expectativa gerada pelo atraso no lançamento do filme, e a percepção sobre a versão de Burton para o conto de Carol, mudou.

Não que o que eu tenha escrito antes não seja verdade, mas alguns parágrafos extras se fazem necessário. Sendo assim, a resenha de 2010:

"Antecipação e expectativa, podem até servir como boa promoção, mas podem ser um perigo para o sucesso de crítica e público de um filme. Dezenas de belas imagens promocionais, e um mês e meio de atraso no lançamento nacional, geraram uma expectativa enorme para o lançamento de Alice no País das Maravilhas. Depois de meses de especulações muita gente encontrou menos que esperava.

A versão de Burton para o clássico de Lewis Carroll se passa 13 anos após a história original. Alice, que acredita que sua primeira aventura foi apenas um pesadelo, foge após ser pedida em casamento, segue um coelho branco de cartola e acaba caindo em um buraco que a leva a um país das maravilhas, bastante diferente. A Rainha Vermelha dá as cartas, e os demais personagens vivem em uma espécie de resistência secreta, arriscando suas cabeças às espera do Glorian Day, data em que a malvada cabeçuda seria derrotada.

A história embora nova, é bastante simples: o bem tentando derrotar o mal. E dá destaque a personagens que antes estavam apenas de passagem, nos permitindo conhecer outras faces de suas personalidades.

A graça do filme está no visual. O mundo subterrâneo é belamente sombrio, no melhor estilo Tim Burton. Assim como figurinos, muito bem planejados, especialmente os de Alice que precisa mudar de roupa cada vez que troca de tamanho. E aparentemente ela é sempre muito pequena ou muito grande.O 3D, embora torne tudo mais deslumbrante (o sorriso do Gato nunca fora tão brilhante) é bastante dispensável, e em algumas cenas mais ágeis podem irritar olhos despreparados.

O elenco, a maioria repetindo sua parceria com o diretor está bem confortável, cada um conhece bem o seu lugar. As novidades ficam a cargo de Mia Wasikowska , uma Alice não tão brilhante como sua personagem no seriado Em Terapia mas não chega a decepcionar. Anne Hathaway, é uma rainha branca cheia de trejeitos de princesa e com olhar meio perdido (uma vez princesa Disney...). E os divertidos Tweedledee e Tweedledum são interpretados por Matt Lucas.

A única bola fora é Crispin Glover (conhecido por A Vingança de Willard e por ser o pai de Marty Macfly em De Volta Para o Futuro). Sua personagem o Valete de Damas, parece andar sobre um corpo falso, meio robótico.

Ainda estão no elenco Johnny Depp (Chapeleiro Maluco), Helena Bonham Carter (Rainha de Copas), Alan 'Snape' Rickman (a Lagarta), Michael Sheen (coelho branco), Timothy 'Rabicho' Spall (The Bloodhound), Stephen Fry (o Gato risonho) e Christopher Lee (The Jabberwock).

Alice no País das Maravilhas é uma viajem nova e deslumbrante a um mundo já conhecido. Satisfaz quem gosta de uma boa fantasia."

Quanto a esta última frase, há controvérsias!
Acho que muita gente gostaria sim, de vera loucura tradicional de Lewis Carol, com o visual Burton, mesmo com uma Alice já adolescente. Afinal, uma atriz com mais idade poderia lidar melhor com todas as ambiguidades e mensagens subliminares do conto (percebe se não dá vontade de ver mais das poucas sequencias de flashback com a Alice em sua visita original). Entretanto o longa é um recorte de vários trechos, referências e misturas entregues em forma de sequencia. Apesar da aventura e dos efeitos especiais, não carrega a longevidade da história clássica. E, após algumas sessões, perde a graça, fica chato.

Já os efeitos especiais em nível megalomaníaco, finalmente mostram o quanto a escolha fora exagerada. Na época a estranheza era confundida com a "novidade" do 3D. Quatro anos mais tarde (já faz tudo isso!!!), bem mais acostumados com a nova tecnologia, percebemos, foi exagero mesmo. Basta ver as fotos de bastidores, para ver o excesso do uso da tela verde. E some-se aí o enorme número de personagens em CGI, e as alterações feitas por computador nos atores. Ninguém escapou dos retoques da computação gráfica.

Com apenas 4 anos, Alice no País das Maravilhas, não envelheceu bem. Uma pena, mas não se pode acertar todas!

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