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domingo, 20 de julho de 2014

Vingança, um prato que se come... cantando?

Todd (Depp) e Turpin (Rickman): olha o que o amor faz...
Não achei fácil gostar de Sweeney Todd - O barbeiro demoníaco da Rua Fleet (Sweeney Todd - The demon barber of Fleet Street, 2007), mas tenho que dar o braço a torcer. A história é sensacional, os atores formam um elenco primoroso, a produção de arte e fotografia nunca foram tão caprichadas. Mas a cantoria irrita um pouquinho. O que eu estranhei - e muito - foi a questão de ser um musical. Ok, as músicas são composições ricas e complexas, os vocais executados com perfeição  pelos próprios atores e as letras substituindo diálogos inteiros são impressionantes. Mas, confesso, achei bem cansativo. Não é a primeira vez que assisti a esse filme, e a sensação ao final foi a mesma: "como seria essa mesma história, esse mesmo elenco, essa mesma produção se não fosse um musical?"

Atnthony( Bower) e Johanna (Wisener): ah, o amor...
O filme começa com uma chega à Londres vitoriana, à bordo de um navio vindo de muito longe. Anthony (Jamie Campbell Bower) é um marinheiro recém-chegado e, de sua parte, considera-se amigo do estranho senhor Sweeney Todd (Johnny Depp, em uma atuação nem tão brilhante). Anthony não sabia de duas coisas: que o senhor Todd era, na verdade, o barbeiro Benjamin Baker e que este havia voltado para vingar-se de quem o havia feito mal, e que ele encontraria Johanna (Jayne Wisener) e se apaixonaria perdidamente por ela. Johanna é como um passarinho numa gaiola, mantida prisioneira por seu tutor, o juiz Turpin (Alan Rickman, sempre excelente) - um homem cruel e ciumento, que sempre conta com a ajuda de seu fiel escudeiro, Beadle Bamford (Timothy Spall). Mas o amor nasce no coração dos jovens, mesmo com todas as ameaças e privações que o malvado juiz impõe aos pombinhos.

Enquanto isso, de volta à Rua Fleet, Todd também descobre o que aconteceu com sua amada família há 15 anos - quando foi sumariamente arrancado de sua cidade sob uma acusação qualquer, só porque o juiz cobiçava sua esposa. Conversando com a senhora Lovett (Helena Boham-Carter, dispensa apresentações), a dona da quase falida "Loja de empadas da Sra. Lovett", Todd fica sabendo que Lucy, sua esposa, envenenou-se logo após ter sido levada pelo juiz para viver sob sua custódia. A sra. Lovett usa de seu poder de persuasão para evitar que Todd saia fazendo um banho de sangue assim que chega - afinal, quanto mais tempo ele se demorasse "planejando o plano", mais tempo ela teria ao lado de seu amado. Precisavam chamar a atenção do juiz, isso era um fato, mas como? 

Balmut (Spall), Todd (Depp) e Pirelli (Cohen)
Quando um barbeiro se apresenta como o melhor do mundo, Todd tem a chance de mostrar o seu talento e deixar que sua fama se espalhasse até chegar aos ouvidos do juiz. Após uma disputa em praça pública, onde Beadle Balmut o declarou vencedor, Todd ganhou um admirador - o próprio Balmut - e um inimigo, o barbeiro Pirelli (Sacha Baron Cohen, o Borat). Quando Pirelli vai pedir satisfações a Todd e revela que conhece seu segredo - ele era um grande admirador de Benjamin Barker, e o reconheceu, o barbeiro demoníaco acabou fazendo sua primeira vítima. Inesperadamente, impensadamente. E agora? Como resolver isso? A sra. Lovett teve uma brilhante (e repugnante) ideia: já que suas tortas/empadas precisavam de carne para ser feitas, e carne boa estava realmente muito cara - razão de sua queda de produtividade/lucro, ela deixou no ar a real intenção para completar o serviço. Todd aceita a sugestão, começando, assim, a terrível e macabra parceria do casal: Todd matava os homens em sua barbearia e a sra. Lovett aproveitava a carne para suas tortas. Eca!

Anthony não havia desistido de Johanna e pediu ajuda a Todd para resgatá-la. Descobrindo que o rapaz estava interessado em sua filha, pensou que ele poderia ser útil a seu plano de vingança. Ao saber que ela havia sido levada para um sanatório, uma fortaleza praticamente impenetrável, ele arruma o disfarce perfeito para o rapaz ir salvá-la: dizendo que iria buscar cabelos para confeccionar perucas, disfarçou-se de ajudante de cabeleireiro e foi resgatar sua amada. Enquanto isso, Todd mandou uma mensagem ao juiz Turpin, dizendo que tinha descoberto o plano do rapaz de sequestrar a jovem Johanna. Lá chegando, ele teria a oportunidade de ouro para matar o homem que lhe roubara tudo o que mais precioso ele tinha. Mas coisas inesperadas acontecem, mesmo nos planos mais bem elaborados - o que também não é o caso desse plano, diga-se.
Sra. Lovett (Boham-Carter): as coisas que a gente não faz por amor...
Toby (Ed Sanders) era ajudante do barbeiro Pirelli, mas quando este "desapareceu", ele acabou ficando sob os cuidados da sra. Lovett. Alimentado e protegido, ele desenvolveu por ela um carinho e um instinto de proteção que só um órfão adotado poderia ter. Preocupado com a segurança dela, pois já estava desconfiando de que havia algo errado com o barbeiro do andar de cima, o jovem Toby tenta alertar à sua protetora sobre suas desconfianças. Ela, por sua vez, fica com pena de esconder do garoto o que realmente sabe do sr. Todd, mas acaba sendo impelida a revelar-lhe a verdade sobre sua cozinha e suas tortas de carne - mesmo que essa seja a última coisa que ele faça na vida. Então, chegamos ao clímax.

Um a um, os inimigos de Todd vão sendo passados - literalmente - à navalha. Beadle foi inspecionar a cozinha da sra. Lovett na hora errada, a mendiga louca que gritava que a cozinheira era uma bruxa também foi investigar a barbearia no pior momento, o juiz caiu no plano do barbeiro. Por um momento a sede de sangue de Todd quase faz uma vítima indesejada: Johanna havia sido resgatada por Anthony e estava disfarçada como um rapaz; ela se escondeu em um baú na barbearia quando ouviu alguém se aproximar. Antes que ela fosse morta pelo próprio pai, ele teve uma emergência para resolver: um grito horrível da sra. Lovett o fez deixar a menina apenas com uma ameaça. Na cozinha, onde não encontravam Toby, um último e terrível segredo estava por ser revelado ao barbeiro mais sanguinolento do cinema.

Todd (Depp) e Johanna (Wisener): quando o ódio cega o amor
Se você ainda não viu o filme, vale a pena que eu não conte agora qual surpresa o barbeiro descobriu naquela fétida cozinha. Até porque é a história e o desenrolar dela que realmente prendem nossa atenção. Musicais nem sempre são cansativos, mas creio que essa não seja a melhor narrativa para essa história. O sangue jorrando à la Tarantino, a frieza do barbeiro de Depp, a química da dupla Depp-Boham-Carter em cena... Acho que a cantoria rouba boa parte da atenção que devia ser destinada à eles. Também é divertido rever agora e perceber que Rabicho e Belatrix já faziam suas vilanias enquanto Snape, de novo, se ferrava por causa de um amor não correspondido. Desculpe, não dá para desassociar personagens de atores nesse caso. No fim das contas, o filme é interessante sim, mas não indispensável. Uma obra de regular a boa, em minha humilde avaliação, da dupla-quase-trio (se a gente contar a Helena) e que ficou um pouquinho aquém das expectativas dessa fã de carteirinha.

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