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domingo, 21 de setembro de 2014

Adivinha com quem vamos jantar?

Um jovem casal se conhece na faculdade, e apesar da pouca idade resolvem sem casar. É claro, as respectivas famílias se espantam. Uma delas, após o susto decide apoiar a decisão do filho. A outra ignora a notícia da filha, até que o tal matrimônio pareça ser a miraculosa solução de um escândalo, que poderia arruinar a reeleição ao senado do patriarca.

Agora, adivinhe qual dessas famílias é considerada um modelo para a sociedade, e qual é vista como uma abominação?

Em A Gaiola das Loucas Val (Dan Futterman), é filho de um casal gay em 1996, muito antes da série Modern Family tornar famílias disfuncionais "legais". E são Armand (Robin Williams) e Albert (Nathan Lane) quem apoiam o rebento, não apenas com o casamento precoce, mas também com a loucura de tentar convencer os pais da noiva Barbara (Calista Flockhart), de que são uma tradicional família conservadora, durante um jantar organizado à toque de caixa.

O plano incluí, uma enorme redecoração da casa, que fica em cima de uma boate Drag Queen. Mudança de hábitos e trejeitos do pai Armand, seu companheiro Albert "Alby" e até do (por falta de título mais apropriado) mordomo Agador (Hank Azaria). Além da participação de uma mãe biológica vivida por Christine Baranski.

E se isso tudo parece pouco, um escândalo e os consequentes abutres da imprensa, começam a perseguir o senador Kevin Keeley (Gene Hackman). Este por sua vez arrasta a esposa (vivida por Dianne Wiest) e a filha, na louca busca pela salvação de sua campanha.

A Gaiola das Loucas é uma comédia inteligente e leve, aparentemente sem grande propósitos. Mas que, por acidente (ou não) apresenta de forma simples e clara diversas críticas à sociedade. Do preconceito com a homossexualidade, ao conservadorismo hipócrita, até os novos "modelos" de família que começavam a se deixar conhecer lá pelo final dos anos 90. É claro, que já existiam essas famílias não tradicionais, mas foi por essa época que a sociedade começou a considerá-las. Este longa é um reflexo dessa lenta  (que ainda está em processo) mudança na sociedade. 

Tudo isso, só funciona por causa do roteiro bem desenvolvido e das atuações impecáveis de todo o elenco. Impossível não acreditar no obtuso senador, que não percebe a diferença entre uma Drag e uma mulher. Ou se divertir com os olhares perplexos entre o casal de noivos diante do incomum um jantar, que ocupa o clímax do filme. 

É claro, os destaques, ficam com Robin Williams e Nathan Lane, que encarnam um caricato porém totalmente crível casal Gay. Que incluem rompantes de diva por parte de Alby, e as inúmeras tentativas de Armad para controlar seu emotivo parceiro, manter o relacionamento e agradar o filho.

Leve, engraçado, inteligente e surpreendente simples, são as características que melhor definem e tornam A Gaiola das Loucas  uma comédia memorável.

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