3 blogueiras + 1 desafio = aprimorar a cinefilia.
DVD, sofá e pipoca,
formando cinéfilas melhores!

sábado, 11 de outubro de 2014

Wait, what?!

Então... 
"Cara! CARA! Eu assisti a Elvira, a Rainha das Trevas (Elvira, Mistress of the Dark, 1987) quando eu era criança! Tipo, eu devia ter uns 10 anos e via na Sessão da Tarde, antes do McGuiver - que fazia bombas nucleares com um chiclete, uma lata de spray e um cotonete usado. Ah, como era bom ser criança nos anos 80/90..." Oh, wait. Como assim?! Esse foi o primeiro pensamento que eu tive ao rever o filme. E eu ainda tô chocada porque, de repente, eu vi o quanto eu me acostumei ao politicamente correto e que eu consegui me espantar com as coisas que fazem desse filme um clássico do "terrir": uma boa dose de piadinhas de duplo sentido em um roteiro meio sem-pé-nem-cabeça, que tem o típico humor que a gente se acostumou a não falar "na frente das crianças" - mas fala o tempo todo. Às vezes me pergunto se realmente fez tanto mal assim pra minha vida... Mas, vamos ao que interessa, que é falar sobre o filme.

Tio Vinnie (Shepperd), o bruxo do mal - morria de medo dele
Convenhamos, o roteiro não é lá grande coisa: Elvira (Cassandra Peterson, hilária) é a apresentadora de um programa trash numa emissora de tv, e acaba pedindo as contas depois de mandar às favas o novo dono do lugar (que achou que tinha comprado os direitos sobre o corpinho dela junto com a empresa). Sem saber que seu sonhado show em Las Vegas estava por um fio, o que era também o motivo de ter tomado a decisão no ímpeto, ela acaba recebendo uma herança de uma tia-avó que nem sabia que existia. Pensando na grana que poderia receber, viajou até uma cidadezinha do interior só para descobrir que ela não era a única herdeira. Além de dois empregados (que receberam boas quantias de dinheiro, diga-se), havia também um tio-avô. Vincent (William Morgan Shepperd, excelente), um sujeito ganancioso e bastante desagradável, obviamente não foi com a cara de Elvira - ainda mais porque ela ficou com o livro que ele tanto queria. Se ele recebeu alguma coisa? Nada. Mas o que Elvira ganhou também não a deixou nada contente.

Elvira (Peterson) e seu mega rock star poodle protetor mágico
Uma casa caindo aos pedaços, um poodle fofinho e um livro de receitas antigo. Essa era a herança que a tia Morgana (Peterson) havia deixado. Como é que ela sobreviveria naquela cidadezinha modorrenta e totalmente conservadora? Ainda mais com aquelas cães de guarda da Moral e dos Bons Costumes como a Castidade (Edie McClurg) e a senhora Meeker (Pat Crowford Brown) no cangote dela? Ainda bem que existia Bob (Daniel Greene, muito foi-aqui-que-pediram-uma-pizza?), o bonitão meio "lento". Ao menos ele era uma distração - assim como eram os jovens da cidade, que se empolgaram com a chegada da estrangeira que prometia dar uma sacudida na pacata vida deles. 

Ah, é só um inofensivo ensopado...
Então o filme se desenrola assim: na verdade, o livro de receitas é um livro de feitiços poderosos, e o tio rabugento é um bruxo do mal, o poodle é um guardião poderoso (que se transforma em rato e em rottweiller) e Elvira é uma bruxa poderosa - que não sabe nem como fazer um feitiço seguindo a receita. Quando ela descobre seu poder, sabe que precisa proteger o livro de Vincent, pois ele quer usar o eclipse lunar e o livro para se tornar ainda mais poderoso. Mas tem piadinha de pegar nos peitões da Elvira a cada 15 minutos, então relaxe. Ah, e ainda tem uma verdadeira caça à bruxa (co direito a fogueira em praça pública), baby Elvira, um monstrengo saindo da panela, um cover de Flashdance, explosão de posto de gasolina, um vilão de dar medo de verdade, um carrão de fazer inveja a muito rock star e um piquenique caliente - não necessariamente nessa ordem. 

Ugh! E tem gente que odeia esse filme!
Pois é. Elvira com decotes que quase chegam à fenda do vestido, ainda fica pulando sempre que possível só pra sacudir as peitcholas. E, bem, se até a minha mãe se lembra da cena final dela "dançando", acho que o filme conseguiu o que queria: transformar a personagem em um ícone do pop e do trash. Mas, sinceramente, acho que o filme é até mais do que isso. Elvira é mais ou menos um emblema de rebeldia adolescente, algo que quer chocar só para ver a reação dos outros, mas que na verdade nem é tão perigoso quanto tenta parecer. Fala de fetiches, mas também quer dizer que sexo não é "coisa do demo" e que as mulheres não são só brinquedos do tipo "olhei, peguei porque tenho direito". A verdade é que nem se está preocupado em quebrar as regras, mas apenas em seguir seus sonhos/instintos e se divertir. Se você está afim de se distrair e rir um bocado, assista a esse filme e aproveite o ridículo - porque ele cumpre muito bem o seu papel de entreter sem compromisso. Agora, se você não quiser perder seu tempo, não tem problema. Você nunca vai saber o que perdeu...

0 comentários: