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terça-feira, 30 de dezembro de 2014

Não recomendado para as aulas de história

Você era uma pessoa politizada na década de 1980? (eu nem ao menos sabia ler) É estudioso da história britânica? Ou no mínimo um aluno muito dedicado nas aulas de história do mundo? Seja você parte de um dos grupos mencionados acima, ou um completo desconhecedor da trajetória de Margareth Thatcher, meu conselho para assistir A Dama de Ferro é o mesmo: relaxe e apenas curta a atuação de Meryl Streep.
É com narrativas em 3 tempos diferentes que o roteiro tenta apresentar a trajetória de Thatcher (Meryl Streep). Já em idade avançada e lutando contra o mal de Alzheimer, que a faz ter alucinações com o marido morto (Jim Broadbent), a Dama de Ferro nos apresenta trechos de sua época no poder. E mesmo de tempos anteriores, sua juventude humilde de mulher letrada porém submissa tentando se libertar. Neste trecho a protagonista é vivida por Alexandra Roach.

É nesse vai-e-vem, repleto de figuras mais, ou menos, conhecidas do público e com passagens da história mundial apresentadas de forma aleatória, que a maioria dos expectadores vai se perder. Falta unicidade e coerência, ao apresentar uma história que funcionaria muito bem se apresentada na "fora de moda" ordem cronológica. É verdade que traçar paralelos entre diferentes épocas da vida, intercalando experiências torna o roteiro mais interessante, mas apenas se roteirista e diretor souberem o que estão fazendo.

Não é o caso de A Dama de Ferro,. que além de confundir o expectador ao jogá-lo de um ponto da história ao outro sem aviso. Dificulta também a criação de empatia com a personagem, uma vez que os saltos de tempo eliminam o desenvolvimento de sua personalidade, que justificariam suas mudanças de comportamento. Assim, vemos uma Dama que não apenas governa com mão de ferro, mas também muda de ideia frequentemente. Uma contradição ambulante.

Mas tudo bem, se você tem uma equipe de caracterização competente, que criam cabelo, próteses e maquiagem impecáveis, para transformar as duas intérpretes em diferentes versões da primeira ministra. E mais importante, se você tem uma intérprete como Meryl Streep, que faz o dever de casa. Incorpora maneirismos, trabalho gestual e de inflexão de voz em sua construção de personagem. Criando, muitos disseram, uma versão do mito Thatcher, mais pais reconhecível que a verdadeira Margareth.

Hipérboles a parte, são de fato a atuação de Streep e sua caracterização, os maiores méritos do longa. E como não é raro, coisa semelhante aconteceu em Piaf - Um Hino ao amor, é a intérprete quem carrega o longa nas costas. Sem nem mesmo certo apuro histórico, em se tratando do biografias, para ajudá-la. 
Logo, se você realmente conhece a trajetória da primeira mulher a ocupar o cargo de Primeira Ministra provavelmente vai ficar confuso ou irritado com as inúmeras alterações, usadas como meras "licenças poéticas". Se desconhece, provavelmente não vai aprender muita coisa. 

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