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sexta-feira, 3 de julho de 2015

Ah, se toda paródia fosse assim...

"Está tudo bem, eles tem todos os instrumentos para pousar em segurança!"
 
 
Lembro vagamente de ter visto esse filme quando criança, mas garanto que rever Apertem os cintos... O piloto sumiu! (Airplane!, 1980) fez muito mais sentido - e foi muito mais divertido - agora. As piadas são ácidas e constantes, mas não são apenas um punhado de esquetes mescladas. Há, sim, um enredo por trás de tudo. Todas as loucuras se passam dentro de um avião, prestes a enfrentar uma longa e turbulenta viagem, até que este finalmente pouse em segurança. O desfile de clichês de filme de avião e as paródias de cenas famosas de clássicos (como A um passo da eternidade, que a gente já viu aqui no blog, e Os embalos de sábado à noite) são a cereja do bolo. E a presença de Leslie Nielsen no elenco dispensa comentários.
 
Em meio a uma hilária briguinha de casal dos controladores no aeroporto e vários profetas de diversas religiões, Ted Striker (Robert Hays), um taxista e ex-combatente de guerra, tenta desesperadamente falar com sua namorada, Elaine (Julie Hagerty) antes que ela embarque. A aeromoça não quis saber de conversa, e foi cumprir seu trabalho - assim como Ted não quis saber do passageiro em seu táxi e embarcou atrás dela, tentando superar seu trauma de voar apenas para ter a atenção dela. Surpresa de vê-lo a bordo, resolveu dar um gelo nele e continuar trabalhando. Triste pela situação, Ted começou a desabafar com as pessoas que estavam a seu lado, contando como conheceu sua amada. Todo mundo já deve ter passado por uma situação parecida na vida, mas acho que não teve ninguém que tomou atitudes tão extremas para fugir do tédio de uma conversa...
 
Striker (Hays) abrindo o coração: quem nunca?
Em meio a isso, as aeromoças servem o serviço de bordo, que acaba por causar um mal estar em quem pediu peixe - inclusive toda a tripulação. Mesmo com a presença do piloto automático Otto, um boneco inflável (absolutamente sensacional a ideia), o avião não seria capaz de suportar a tempestade e pousar tranquilamente em Chicago. Desgovernado, passando por uma turbulência, as aeromoças precisam de ajuda: alguém que possa pilotar o avião e fazê-lo pousar em segurança, e um médico. Ted, mesmo relutante, acaba por assumir o controle. E o doutor Barry Rumack (Nielsen) ficou responsável por lidar com os passageiros que estão intoxicados. Esse trio teve que lidar com o descontrole dos passageiros e da sala de controle, que tentava lidar com a crise em terra. É hilário ver o supervisor McCroskey (Lloyd Bridges) despejando ordens para todos os lados e sendo obedientemente obedecido - menos por Johnny (Stephen Stucker, sensacional). Com a situação desesperadora, o capitão Rex Kramer (Robert Stack) é chamado para resolver a questão. Sendo ele um desafeto de Ted, tudo tende ao caos.
 
McCroskey (Bridges) e Kramer (Stack): sala do (des)controle
É engraçado perceber porque esse filme não passa na tv politicamente correta de hoje. Piadas sobre os negros no avião e uma insinuação de pedofilia, além de uma leve sexualização infantil, numa cena muito breve, não é bem visto pelos corneteiros de plantão. É meio desconfortável, mas dá pra se contextualizar e se divertir com isso. As atuações são tão divertidas e as situações são tão esdrúxulas que é impossível não rir em algum momento. Eu, particularmente, ri o tempo todo. O melhor de tudo é que o filme se conduz apenas enfatizando o ridículo de alguns clichês e sem apelar para escatologia absurda, bem diferente de muitos filmes de paródia atuais. Comédia obrigatória para todo mundo que curte um bom entretenimento.

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