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quarta-feira, 15 de julho de 2015

O Conto da Princesa Kaguya

Dizer que essa animação é pura poesia ou uma verdadeira pintura seria redundante e muito simplista, mas absolutamente verdadeiro. O conto da princesa Kaguya (Kaguya-hime, 2013) é uma homenagem à tradição japonesa, que tem uma delicadeza ímpar em tratar de assuntos tão fortes e tão pertinentes à condição humana.


Contando com um toque místico, o longa narra a estória de um agricultor pobre que encontra no bambuzal que cultivava uma pequena princesa nascida do broto de um bambu. Ao levá-la para casa, a esposa dela imediatamente a adotou como filha e a família estava, então, completa. A bebê tinha um crescimento rápido, e evoluía também, como se houvesse ânsia em viver. Aos poucos, ela se enturma com os garotos da região e vai crescendo ainda mais, tornando-se uma bela jovem. Tudo muda quando ele encontra, no mesmo bambuzal, outros brotos de bambu com ouro e tecidos finos. Interpretando aquilo como um sinal de que ela deveria ser tratada como uma princesa, ele resolve que aquela vida no interior não serve mais para ela.

Buscando o melhor para a moça, constrói um palácio para a filha e muda-se com a família para o local. Lá, ela tem que aprender as regras de uma vida social rígida, a seguir normas, a ficar no palácio, a atender aos pretendes. Aos poucos a jovem, agora batizada Kaguya pelo ministro, vai deixando de acreditar que aquela mudança tenha sido realmente boa. Apesar de ter se empolgado a princípio, ela sentia falta de estar ao ar livre, de correr pelos campos, de seu amor.

Começa, então, o sofrimento dela. Sem querer desagradar ao pai, acaba se reclusando em um casebre dentro do palácio, junto com a mãe, onde cultivavam um jardim e mantinham os hábitos simples de antes. Mas a insistência do pai em fazê-la uma verdadeira princesa, casando-se com um nobre rico, a deixa tão deprimida que ela deseja, de todo o coração, sumir. Quando seu pedido está prestes a ser atendido, ela descobre que não mais deseja desaparecer.


O filme fala, sobretudo, de escolhas. As que fazemos e as que fazem por nós, e as consequências que podem ser maravilhosas ou terríveis em qualquer uma delas. Mas não se resume a só isso, e fala também de amor, de simplicidade, de felicidade genuína, de sonhos. Assistir ao longa é uma experiência que descrevo como experimentar um sonho poetizado. Os traços leves e os tons pastéis contrastam com o tema pesado de vida e morte, a música envolve e transporta para dentro dos sentimentos de Kaguya, a liberdade e o misticismo do outro lado da balança da realidade. Um filme lindo, que emociona e diverte, e faz pensar na vida que a gente leva sob outra ótica.

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