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segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016

Sucesso, ruim com ele, pior sem ele?

É a Hollywood dos anos 50, cheia de glamour e promessas. E o jovem roteirista Joe Gillis (William Holden), abandonou tudo para viver seu sonho. Infelizmente a busca pelo sucesso não é tão simples, e sem trabalho, Joe está prestes a perder seu carro. É fugindo dos cobradores, que o protagonista/narrador vai parar em uma aparentemente abandonada mansão dos anos de 1920.


Surpreendentemente, há moradores no decrepito casarão. A estrela do cinema mudo Norma Desmond (Gloria Swanson), e seu sinistro e fiel mordomo Max (Erich Von Stroheim). Após uma confusão de identidade Norma descobre que Joe é roteirista e o "contrata" para escrever seu grande retorno às telas. Sem outras opções ele aceita.

A partir daí, a dupla passa a criar uma estranha relação de dependência: o jovem aspirante mantido por uma carente e rica mulher mais velha. Um cenário amargo, porém estranhamente confortável já que nenhum dos dois, parece tentar alterar por um bom tempo.  Conforme o tempo passa o sucesso de ambos parece cada vez mais impossível, embora Norma não consiga ver o eminente fundo do poço.

Um tom de mistério em seu primeiro ato, seguido por uma relação conturbada, que apesar de terrível e fadada ao fracasso não conseguimos deixar de acompanhar. Este é o nível de qualidade do roteiro de Crepúsculo dos Deuses(Sunset Blvd. - 1950). Some-se aí o fato de que desde o início conhecemos o desfecho da história, já que o filme se passa em um longo flashback. Apesar de triste, e com desfecho conhecido o expectador não consegue desviar sua atenção.

Revelar o final em sua primeira sequencia, contar a história em um gigantesco flashback, narrado por um protagonista já morto, pode parecer comum nos dias de hoje. Mas era puro pioneirismo 1950, especialmente executado exemplarmente como neste longa.

Outra ousadia (ou seria esperteza?), é a constante relação entre a história, um roteiro original, e a realidade. Swanson, era de fato uma musa do cinema mudo, afastada das telas há alguns anos. O filme exibido dentro do filme, bem como suas inúmeras fotos, são de fato da juventude glamurosa de sua intérprete. Felizmente o destino de Swanson é bem melhor que o de Norma.

Sobre o cinema mudo: Não precisávamos de diálogo,
tínhamos rostos!
Erich Von Stroheim, intérprete de seu mordomo grande nome do cinema alemão. De fato dirigiu Minha Rainha, o filme exibido "dentro do filme", com Swanson como estrela. Já a visita aos verdadeiros estúdios da Paramount onde Swanson e Norma foram estrelas no passado, aconteceram durante filmagens reais. Cecil B. DeMille, que interpreta a si mesmo, estava de realmente filmando Sansão e Dalila. Assim os bastidores que vemos são reais.

De fato, nem precisava de toda esta relação com os verdadeiros bastidores do filme. Seu roteiro inteligente, bem executado e com excelentes diálogos já o transformariam em uma obra prima. E seu tema, a tentação e dificuldades de lidar com a fama e o sucesso, apesar de aplicadas à um contexto expecífico continuam atuais.

Logo, as qualidades dos últimos três parágrafos só tornam a obra ainda mais interessantes. É daquelas que vai direto para a lista de favoritos. Joe e Norma podem não terem se saído bem com sucesso, já a história que eles protagonizam....
All right, Mr. DeMille, I'm ready for my close-up

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