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quarta-feira, 4 de maio de 2016

Estes caras não tem uma guerra para lutar?

Ao invés de perder tempo com boxe, bebidas, garotas, passeios na praia e brigas de bar? Ok, admito deve ser difícil de se concentrar em uma guerra quando sua base é no, até então pacífico, Havaí. Mas, até a chegada dos japoneses esses rapazes tinham uma vida muito distante do conceito de guerra que conhecemos em A um passo da eternidade (1953).


Prewitt (Montgomery Cliff) chega nesta nova base paradisíaca, e logo complica a própria vida. Conhecido campeão de boxe aposentado, se recusa voltar à ativa e completar o time de seu pelotão. Resultado: bullying! O que no exército significa, além de colegas pegando no pé, trabalho forçado sem folga, quando seu comandante não tem a devida noção de prioridade. Ainda sim, Prewitt arruma tempo para se encantar, e construir uma relação peculiar com Lorene (Donna Reed), funcionária de um clube para rapazes.

Seu único amigo no pelotão Angelo Maggio (Frank Sinatra, o melhor em cena), é aquele quem proporciona um pouco de diversão à Prewitt, inclusive o encontro com Lorene. Mas, também é eficiente em trazer mais problemas. Sempre bêbado parece empenhado em arrumar problemas com quem não deveria, e isso trará consequências.

Enquanto isso o Sargento Warren (Burt Lancaster) se apaixona pela mulher do chefe. A esposa do capitão, Karen (Deborah Kerr), vive um casamento de fachada, e também encontra conforto ao lado do belo Sargento. A dupla precisa fazer tudo às escondidas, inclusive planejar o divórcio da moça. Mas, não sem arrumar um lugarzinho deserto para protagonizar a mais ousada cena de beijo da época.


Traumas passados, abuso de poder, bullying, insubordinação, alcoolismo, romance (proibido, ou apenas complicado), adultério, todos temas ainda atuais. Daqueles que não saem das listas de discussão. Mas tudo parece um esforço sem sentido quando, já conhecemos o desfecho daquela base militar em particular.

É possível que para os estadunidenses em geral, o longa represente uma agressão, do que era bom sem seu "american way of life". Os problemas do dia-a-dia, bruscamente interrompidos, e perdendo importância diante dos horrores da guerra. Especialmente na época que foi lançado, quando a memória da nação ainda era muito fresca.

Para nós, brasileiros de 2016, que nasceram muito depois e aprendemos sobre essa época em livros de história e outros filmes, A um passo da eternidade soa como uma curiosidade. Um retrato de outra época, com um ritmo ao qual não estamos acostumados. Dilemas que conhecemos, mas que nos causam pouca empatia.

A melhor parte é finalmente conhecer as circunstâncias de um beijo famosos, e altamente referenciado. Apenas isso!

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