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Esquadrão Suicida

Esquadrão Suicida (Suicide Squad, 2016) é o típico filme em que o trailer engana: promete muito e entrega pouco. Faço parte do time que não havia ouvido falar sobre o grupo de supervilões, então garanto que o filme não veio aqui para explicar nada. Para quem já conhecia o grupo das hqs, talvez faça mais sentido. Mas, ainda assim, o filme desaponta.


Em uma introdução apressada, apesar de bastante estilosa, conhecemos todos os integrantes do grupo formado por Amanda Waller (Viola Davis, divinérrima). Ela tem todas as informações sobre os vilões - e deixa a entender que tem informações sobre todo mundo mesmo - e aparece em um jantar com representantes do exército afim de convencê-los a usar o seleto grupo como uma arma. Afinal Superman foi um presente divino: e se ele fosse um "terrorista" e quisesse tomar a Casa Branca? A quem eles iriam a recorrer? Em quem eles iriam botar a culpa?

Demonstrando seu invejável poder de persuasão, Waller consegue convencê-los de que sua ideia é boa ao demonstrar controle sobre Magia (Cara Delavigne). Ela é uma entidade ancestral que habita a Terra há muito tempo e que se apossou do corpo da arqueóloga June Moone. Waller prova que tem controle sobre o coração de Magia/Moone (há um trocadilho aqui, viu?) e então consegue a liberação pra montar uma força tarefa supersecreta, que só entrará em ação quando um caso muito grave acontecer.


O que ninguém esperava era que eles fossem entrar em ação tão cedo. Magia consegue se libertar do frágil controle de June e acorda seu irmão, outra entidade superpoderosa. Revoltada com a forma como os humanos a tratam e a aprisionam, como eles pararam de venerá-los como deuses, Magia pretende criar uma máquina que elimine os humanos ingratos e que retome o poder para si e seu irmão. Ante tamanha ameaça, é hora de o Esquadrão Suicida salvar o mundo.

Escrito assim, parece até empolgante. Mas a dura verdade é que Esquadrão Suicida parece um conjunto de cenas de ação mal coreografadas e editadas de qualquer jeito, como se fosse uma versão não finalizada do longa. Os personagens são introduzidos de forma superficial e logo são jogados no front. Não há tempo para se criarem laços de amizade/amor/ódio/rivalidade, por isso soa tão inconcebível a aliança. A ação inicial já é a principal, e o clímax é um festival de clichês e soluções apressadas que deixa tudo muito morno.


Aliás, nenhum dos vilões-heróis parece ser realmente capaz de combater uma "ameaça Superman" - ao menos da forma como foi apresentado, já que essa foi a desculpa usada para reunir os talentos deles. Crocodilo (Adewale Akinnuoye-Agbaje) aparece para uma piada e para justificar o CGI; Bumerangue (Jai Courtney) não diz a que veio; Katana (Karen Fukuhara) sofre com o subaproveitamento de sua magnífica arma e pelo excesso de grandes vilões no grupo, El Diablo (Jay Hernandez) poderia ser muito mais terrível e impressionante do que só a aparência bizarra de seu intérprete.


Mas o mais confuso de tudo são os relacionamentos amorosos. O casal June Moone e Rick Flag (Joel Kinnaman, o novo Robocop) tem muita história para ser explorada, porém quase nada vem à tona e o que é mostrado torna-se um dramalhão mexicano. Talvez tenha sido a solução para não tirar o foco do principal e mais badalado (e controverso) casal Arlequina (Margot Robbie) e Coringa (Jared Leto). E, bem, eles são um caso à parte. Robbie constrói uma Arlequina adorável, e algumas das cenas mais divertidas são com ela. Porém o timing da personagem está completamente comprometido pela edição, que não valoriza as muitas cenas de luta nem as melhores tiradas dos personagens.

Já o caso do Coringa é um pouco diferente. Preocupado em distanciar e criar uma nova vida para este personagem depois da maravilhosa versão de Heath Ledger, Leto criou um palhaço gângster (alguns fãs me garantiram que essa é uma versão mais aproximada da personalidade dele dos quadrinhos) cheio de cacoetes e olhares arregalados. Desnecessário ser tão careteiro. O jogo psicológico do Coringa é muito mais cruel se feito com a sutileza de uma ameaça velada ou numa jura de amor falsa. É assim que ele manipula e desconstrói a doutora Harley Quinn. E, não, ele não a ama - no máximo, gosta dela rastejando aos pés dele. E esse é o maior erro. O enfoque no relacionamento romântico dos dois é equivocado e, além do mais, tira a atenção do restante do filme. A sensação no fim é a de que quiseram misturar dois filmes em um: o do Esquadrão Suicida e o do "casal" Coringa e Arlequina, de tão deslocados que estão no contexto. Em miúdos, não deu certo.


São muitos os furos no roteiro, muitos personagens subaproveitados, muitos tiros a la Rambo e pouco efeito dramático, muitos clichês e coisas ridículas (sim, eu falo da Magia endeusada, que precisa rebolar - literalmente - para lançar feitiços e explicar o plano maligno). À excessão de Viola Davis, Joel Kinnaman e Margot Robbie, todo o resto do elenco deixa a desejar em algum momento. Will Smith, apesar de dar seu recado como Pistoleiro, aparece como um protagonista herói em meio a um grupo de vilões, sendo até mais presente na liderança do grupo do que o verdadeiro mocinho, Joel Kinnaman (Rick Flag). Fica a sensação de que ele não se conformou em não ser o centro das atenções e quis que seu personagem se sobressaísse aos demais. Não deu pra entender.

Muito mais erros que acertos, uma decepção para quem esperou tanto pelo resultado final. É preciso que os estúdios entendam que não são só cenas intermináveis de ação, uma musa badass, caríssimos efeitos especiais e algumas piadas aleatórias que fazem um bom filme de super-herói. O trailler, com Queen de trilha sonora, em seus poucos minutos consegue ser mais empolgante e interessante que a versão final.

Ah!, aguardem os créditos finais. A cena é curta, mas vale a pena.

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