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quarta-feira, 7 de setembro de 2016

Ok, escolha não escolher, mas sustente isso!

Escolha vida. Escolha um emprego. Escolha uma carreira. Escolha uma família. Escolha uma merda de uma televisão grande, escolha máquinas de lavar, carros, CD players e abridores de lata elétricos. Escolha boa saúde, colesterol baixo, e plano dentário. Escolha prestações fixas para pagar. Escolha uma casa para morar. Escolha seus amigos. Escolha roupas de lazer e uma bagagem que combine. Escolha um terno feito do melhor tecido. Escolha se masturbar e pensar quem diabos você é em uma manhã de domingo. Escolha sentar no sofá assistindo programas que nada te acrescentam, game shows, estufar-se comendo um monte de porcarias. Escolha apodrecer no fim de tudo, numa casa miserável, envergonhando os pirralhos egoístas que você gerou para te substituírem. Escolha seu futuro. Escolha sua vida. Mas por que eu iria querer me preocupar em fazer coisas como essas? Eu escolhi não escolher uma vida: eu escolhi outra coisa. E a razão? Não há razões. Quem precisa de motivos quando se tem heroína?
Ah.... esse monólogo despejado sobre o expectador em um ritmo frenético, durante uma fuga com o sotaque charmoso de Ewan McGregor parecia tão promisso inicialmente não é? Até que ele chega à parte dos motivos e eles se resumem à heroina. Aí não demora muito para você perceber, que o discurso de "escolher, não escolher" é vazio e um disfarce para as verdadeiras escolhas que aqui são as mais idiotas possíveis. Como poderia ser diferente? Os personagens estão chapados.


Os amigos Mark Renton (Ewan McGregor), Sic Boy (John Lee Miller), Spud (Ewen Bremmer), Tommy (Kevin McKidd) e Begbie (Robert Carlyle), são jovens, educados e com boas condições de vida, e como muitos escolhem a vida louca das drogas. Cada um com seu narcótico, estilo e falsas tentativas de ficar sóbrios. Acompanhamos suas desventuras pela cidade de Edimburgo, e os extremos de seus vícios, atitudes impensadas e relacionamento nada construtivo. Nem mesmo problemas com a justiça colocam um freio no grupo.

Super elogiado na ocasião de seu lançamento (1996), o filme abordaro extremo da desilusão em uma geração regida pela sociedade de consumo. Estes adotam a marginalidade como protesto, o que não é uma boa escolha afinal. O retrato de uma época

Trainspotting - sem limites, é uma excelente adaptação. Uma produção bem dirigida, com ritmo frenético e um elenco de "futuras" estrelas, em um eficiente primeiro trabalho de peso. Entretanto é 2016, o mundo mudou, filmes inspirados nestes foram feitos à exaustão e agora. O resultado: se você, assim como eu, só o viu agora este longa soa apenas como mais um deles.

Um pensamento fica com certeza: não importa quais sejam minhas escolhas, estou feliz por não precisar ver a supra-mencionada cena do banheiro, ou um bebê mecatrônico no teto, para não escolher o mesmo caminho de Renton e cia.

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