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quarta-feira, 11 de janeiro de 2017

Assassin's Creed


Baseado na série de jogos eletrônicos de mesmo nome, Assassin's Creed (Assassin's Creed, 2017) é para iniciados. Digo porque, mesmo não sendo uma jogadora - mas já tendo ouvido falar sobre  o famoso game da Ubisoft e já lido um livro da série de romances inspiradas no game - ainda achei a coisa toda muito confusa. Mas, ao que parece, o filme é bastante fiel ao universo original da Seita dos Assassinos: a luta através dos séculos para evitar que os Pedaços do Éden (relíquias sagradas) caiam nas mãos dos Templários.

Aguilar (Fassbender): o assassino ancestral de Cal Lynch
 Começando com uma linda cena de iniciação ritual na Andaluzia do século XV, vemos o sacrifício a que os Assassinos se comprometiam para usar as suas armas mais características, as lâminas retráteis, e o quão ameaçados estavam com a chegada da Inquisição Espanhola. Logo passamos a explorar a vida de Cal Lynch (Michael Fassbender, também produtor do filme) desde sua infância. Um menino destemido, acaba passando o resto da vida com ódio do pai por este ter matado sua mãe e o obrigado a fugir. Com sérios problemas de comportamento, acaba sendo preso e condenado à morte na cadeira elétrica. Depois do procedimento, ele descobre que fora parar em Abstergo - uma espécie de prisão médica, por assim dizer - e está sob os cuidados da doutora Sofia Rikking (Marion Cotillard, bastante deslocada). Sua pesquisa consiste na procura da cura da agressividade - tida aqui como uma doença causadora de todo o mal do mundo. Mas não é bem isso o que acaba acontecendo.

A execução de Cal Lynch (Fassbender): o começo

Leva um tempo até que Cal compreenda o que realmente querem dele, e também encontra poucos amigos lá dentro. O Animus, um programa de computação capaz de rastrear a memória genética e transformá-lo em uma projeção 3D, é a peça-chave para a obtenção das memórias. Ele está sendo usado pelos doutores Rikking, pai e filha, nos descendentes dos Assassinos para obter informações sobre a Maçã do Éden - artefato procurado por gerações de Templários e que conteria a chave para controlar a humanidade.

Salto de Fé: se você não sabe o que é, não vai ser aqui que vai descobrir
A trama é bastante intrincada e interessante, mas o filme não consegue superar as boas cenas de ação. De fato, essas são lutas bem coreografadas - especialmente nas cenas de batalha no passado de Cal - porém não há boa estrutura dramática no contexto. Em miúdos, o longa não se sustenta sozinho. Se o espectador não conhece previamente algumas passagens típicas do jogo, vai ficar perdido. Há pouca explicação sobre passagens tipo o Salto de Fé (que é uma habilidade do jogador, mas ela fica ali, jogada no ar sem ninguém voltar a ela) ou a memória genética, que não é bem uma reencarnação - embora fique mais fácil para nós entendermos assim. A sensação é de que estamos assistindo àquelas partes introdutórias do jogo que todo bom jogador pula para ir direto ao combate. Acho até que funcionaria, principalmente com o bom elenco escalado, mas as lacunas para os leigos deixa a sensação de incompreensão ao final.

Sofia (Cotillard): pouco à vontade em cena
Há muitas falas piegas e enquadramentos clichês, tornando um filme meio Frankenstein: as ótimas sequências da Espanha em sua clara referência à parte interativa do jogo e a estranha parte do presente-futurista, onde todos parecem perdidos e deslocados. Michael Fassbender ainda convence como um homem atordoado por um passado brutal que descobre em seus genes algo ainda mais sombrio, mas que abraça seu destino, porém a atuação de Marion Cotillard deixa claro a confusão: ela parece não saber se vai se aprofundar no drama ou abraçar a ação, ficando muito aquém do potencial da atriz.

A parte de ação é a mais interessante, mas não sustenta a trama sozinha.
Nos prós e contras, pontos negativos para o roteiro de Michael Leslie, Adam Cooper e Bill Collage que consegue demonstrar a raiz do jogo fielmente, mas deixa aquele espectador comum na mão ao não explorar alguns detalhes importantes, e para o diretor Justin Kurzel, que apesar do bom material, produção e elenco, não foi capaz de produzir um filme memorável para todas as audiências. Pontos positivos para as cenas de ação, intensas e bem coreografadas, e para o mote principal que sugere o início de uma franquia também nos cinemas. Para os fãs, um prato cheio. Resta saber se vai agradar ao público em geral.

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