3 blogueiras + 1 desafio = aprimorar a cinefilia.
DVD, sofá e pipoca,
formando cinéfilas melhores!

terça-feira, 17 de janeiro de 2017

La La Land - Cantando Estações


La La Land - Cantando Estações (La La Land, 2017) é uma grata surpresa. Quem espera um musical leve, encontra; quem espera algo mais clássico, também; e quem quer algo bem moderno, não vai se decepcionar. Ora, mas como pode? Ser leve, clássico e moderno ao mesmo tempo é possível? Acho que esqueci de comentar que há um romance divertido e um drama pesado na mesma história.

Mia (Stone) após mais um teste de elenco: ossos do ofício
O longa conta a história de encontros e desencontros de Sebastian (Ryan Gosling) e Mia (Emma Stone), os sonhos, o amor, a vida e muito mais. Ele é um músico de jazz, ela é uma aspirante a atriz. Ambos são apaixonados por sua arte e engolem os maiores sapos enquanto persistem em seu sonho. Ele é uma bagunça, um cara que acredita na beleza da música e se recusa a ceder aos padrões para algo tão banal como "sobreviver". Bagunçado, sonhador, resistente, não se importa em deixar boas oportunidades de negócio por conta de suas convicções. Ela se desdobra em testes de elenco bizarros e um trabalho de atendente numa cafeteria dentro de um estúdio de cinema. 

Sebastian (Gosling) tocando piano: poesia visual
Tudo gira encantadoramente ao som da música que embala as sequências de dança e a vida acontece exatamente como um coreografia: ação e reação se sucedem até que eles se reencontrem, se descubram, se apaixonem. Leve e ágil, como uma dança apaixonante. Mas, assim como na vida fora da telona, o casal aos poucos compreende: só o amor não basta. Amor entre eles, amor às suas artes, amor próprio. O equilíbrio é muito tênue. Numa coreografia, especialmente se for uma dança a dois, um passo errado é um desastre. Mas quem errou primeiro? Será que houve algum erro de verdade ou era só a própria dança que não era adequada aos dançarinos? Ou foram os dançarinos que não souberam dançar?
Emma Stone como Mia: excelente atuação
O filme é lindo em muitos sentidos: visual, musical, técnica e poeticamente. O elenco está excelente, com destaque para Emma Stone e sua frágil porém forte Mia. Stone encontrou o equilíbrio perfeito entre a ingenuidade dos sonhadores, a obstinação consciente dos realistas, a persistência dos corajosos e a dor dos incompreendidos. Gosling também convence, principalmente porque consegue evitar que seu personagem seja tachado de "mala" - sério, seria muito difícil conviver com alguém como ele. A sensação de ter assistido a uma história que poderia ser mesmo real traz um misto de sentimentos: leveza, tristeza, alegria. La La Land é diferente dos últimos filmes lançados, e pode agradar àqueles que curtem vários gêneros - e até àqueles que não curtem a sua principal classificação, musical. E isso é mérito do diretor Damien Chazelle, que construiu um roteiro muito bem costurado com suas paixões, cinema e jazz.

O casal protagonista: vivendo e aprendendo
A história começa num ritmo eufórico e aos poucos, conforme os personagens enfrentam a realidade e tudo ganha tons mais densos, a gente se sente oprimido e termina melancólico. Não é ruim essa sensação, aliás é um alívio perceber que ainda existem filmes capazes de mexer tanto assim com a audiência. Porém ainda fico em dúvida se o longa encontrará seu nicho. Tomo por exemplo outros longas musicais que são inesquecíveis, Cantando na Chuva e Moulin Rouge. O primeiro é um clássico inegável (e que inspirou muitos outros musicais, e recebe várias homenagens até hoje - inclusive aqui, em La La Land), o segundo renovou o gênero ao modernizar as músicas e sequências de dança. La La Land - Cantando Estações parece não se encaixar em nenhum outro padrão, então só o tempo dirá se ele também irá se tornar um marco. A julgar pelo número de indicações e prêmios recebidos, assisti-lo no cinema é ver a história acontecer.

0 comentários: