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segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

Um dia em Nova Iorque

Gabey (Kelly), Chip (Sinatra) e Ozzie (Munshin): os três marinheiros
E depois de mais um filme estrelado pelo ator e bailarino Gene Kelly, eu acredito que me tornei fã incondicional do artista. Um dia em Nova Iorque (On the town, 1949) é uma comédia musical com números interessantes, mas é Kelly quem brilha. Nem mesmo a presença de Frank Sinatra e sua voz de veludo conseguem ofuscá-lo.


O inocente chip (Sinatra) e a agitada Hildy (Garret): um casal divertido
Três marinheiros aportam em Nova Iorque e tem apenas 24h para curtir a cidade. Chip (Sinatra) quer conhecer os muitos pontos turísticos, Ozzie (Jules Munshin) quer se divertir e Gabey (Kelly) quer arrumar um amor para passar o tempo. No metrô, ao esbarrar em uma moça que vira num anúncio, Gabey crê que está apaixonado por uma grande estrela. Totalmente fissurado na bela bailarina, decide gastar seu tempo procurando-a pela cidade. Seus amigos resolvem ajudar. Hildy (Betty Garret) é uma taxista bem "saidinha" que se encanta por Chip e não vai medir esforços para ajudar aos rapazes - qualquer coisa para ficar mais tempo com seu belo marinheiro. Já Ozzie parece que conseguiu uma bela companhia: Claire (Ann Miller) é a animadíssima antropóloga do museu e se apaixona por ele ao perceber a estranha semelhança física entre Ozzie e uma estátua de um homem das cavernas (!). Ao finalmente encontrar uma pista de Ivy (Vera-Ellen), a misteriosa garota do poster, as coisas não saem como o esperado.
Dançando no topo do mundo: loucuras por amor
O filme é um divertido passatempo, mas assisti-lo agora (em pleno século 21) traz algumas conclusões que, à época, seriam despercebidas. É muito estranho o número musical em que Claire canta que adoraria ter um homem à moda antiga - literalmente sendo puxada pelos cabelos - e as moças sendo, ao mesmo tempo, bastante modernas e independentes (principalmente para a época, sendo mais espertas que os rapazes e até pagando as próprias contas), além da paixão instantânea que o pessoal tinha naquele tempo. Mas é tudo compreensível se nos lembrarmos da época em que a obra foi realizada - e tudo é perdoado pela presença de Gene Kelly. A genialidade dele fica mais evidente quando se compara o desempenho dele com os outros dois atores em cena: é nítido ver como ele se destaca na dança e que ele nada deixa a desejar ao maior cantor americano. Aliás é fácil perceber a diferença entre o cantor que sabe dançar e atuar e o dançarino que sabe atuar e cantar. Simplesmente fascinante.

Ivy (Ellen) e Gabey (Kelly): a coreografia mais bonita do musical
Dentre os musicais, o filme fica marcado para mim como uma curiosidade. Ver Sinatra na flor da idade e dançando é pura diversão! O roteiro é simples, porém cumpre sua função de mostrar todos os talentos de Kelly e amarrar todos as pontas soltas - porém a comparação com Cantando na Chuva, outro filme com Kelly, é inevitável. Lembro até da fala da doce Cathy (Debbie Reynolds) tirando sarro de Hollywood: "se você viu um filme, já viu todos!". Como esse longa foi rodado anos antes da obra-prima musical, dá para perceber uma espécie de ensaio para o clássico - ou ainda como o clássico de 1952 é fantástico em seu sarcasmo - mas nada que impeça a gente de curtir esse longa: dá pra se divertir bastante com as trapalhadas amorosas dos marinheiros. Um dia em Nova Iorque é uma ótima pedida para uma tarde preguiçosa e uma deliciosa experiência para fãs de musicais.

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