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terça-feira, 14 de março de 2017

A Bela e a Fera


Chegou o esperado dia! A ansiedade corroeu os corações dos aficionados por Disney e fãs de Emma Watson, mas, enfim, a espera acabou. Essa semana estreia nos cinemas a versão live action da animação primorosa dos estúdios Disney (que, aliás, foi a primeira da História a ser indicada ao Oscar de Melhor Filme - e não de Animação). E o que tenho a dizer sobre o longa? Bem. Apesar de já ter passado alguns dias desde a exibição para a imprensa, eu ainda não sei dizer se gostei do filme ou não. Nem sei dizer se isso é só implicância minha. Portanto, hoje eu resolvi fazer uma resenha diferente: vou analisar caso a caso e ver se descubro o que, de fato, eu senti pelo longa de Bill Condon.

ATENÇÃO: esta análise pode conter alguns spoilers. Se pretende descobrir quais são as mudanças em relação à trama da animação no cinema, esta resenha pode estragar algumas surpresas. ;)


Trama

Esse é um ponto superpositivo do filme. Apesar de ter feito questão de reprisar cenas encantadoras do filme de 1991, não se ateve a isso. O argumento de Stephen Chbosky e Evan Spiliotopoulos abre espaço para homenagear outras versões da história, como a versão de 1947 e o musical da Brodway, além de preencher lacunas que não foram resolvidas anteriormente.

Produção

Bela e funcional, é outro dos maiores trunfos desta versão. Os efeitos visuais beiram a magia, principalmente nos habitantes do castelo da Fera. Figurino, maquiagem, produção de arte estão "padrão Disney" - mas abro exceções. De alguma forma, o vestido de baile da Bela não causa o mesmo impacto que deveria (o efeito oposto ao que aconteceu na versão de Cinderela) e a caracterização do Príncipe Adam (também conhecido por Fera) é estranha. Não causa o encantamento que deveria - ou isso é apenas a minha alta expectativa frustrada falando mais alto.


Música

A clássica "Beauty and the Beast" não poderia jamais deixar de estar presente - mesmo que na versão com Ariana Grande e John Legend. Céline Dion, que interpretou a versão original da música que ganhou o Oscar de Melhor Canção foi homenageada, com outra música inédita (que toca ao fim dos créditos). Várias canções da animação também aparecem, mas de certa forma as músicas novas soam como se funcionassem melhor no palco do que no longa. A nova canção da Fera é linda, mas tem um quê de Les Miserábles que é impossível de ignorar.

Personagens e elenco

Aí a gente tem ir com calma. O elenco estelar conta com nomes de peso como Sir Ian McKellen e Emma Thompson, além de introduzir ao grande público as figuras de Dan Stevens (que fez a série Downtown Abbey e atualmente está em Legion) e Josh Gad (que deu voz ao Olaf, de Frozen - Uma Aventura Congelante). Aqui temos altos e baixos. Vamos aos destaques.

* Bela (Emma Watson)


Eu não quero parecer aquelas pessoas implicantes, mas... Acho que não funcionou tão bem quanto eu esperava. A Bela sempre me pareceu uma moça jovem, com espírito livre, com ânsia de viver mais do que aquela vida camponesa. Emma cria a Bela mais altiva, mais empoderada (100 pontos pra Grifinória!) porém é mais fechada, menos delicada. E era exatamente isso o que me encantava na princesa: ela era a prova viva de que você pode ser delicada, alegre, atenciosa e saber quem você é, o que você merece, quais as suas responsabilidades e o que quer para o seu futuro. Infelizmente, essa Bela ficou a desejar nesse quesito. Outra coisa que me irritou bastante: o auto-tune usado em Emma Watson. Fica bem evidente que houve modificação na voz da atriz, embora eu ache que ela podia ter cantado sem uma afinação perfeita que teria sido lindo do mesmo jeito.

* Fera (Dan Stevens)


Meus problemas com a Fera já começam na maquiagem. Fosse uma maquiagem real, como pelos aplicados diretamente no rosto do ator, então eu entenderia porquê não procuraram criar um visual mais animalesco - há uma limitação física. Mas se é digital, acho que poderiam ter ousado mais. A Fera é para assustar mesmo, é para causar estranheza, fazer a gente questionar a sanidade da Bela por se apaixonar por ele. Mais importante, é para que a única característica humana dele sejam os olhos - é neles que a Bela reconhece o amor que ele sente por ela e então tem certeza de que o príncipe é mesmo a Fera. Mas, dessa vez, eu tenho certeza que é pura implicância minha! Stevens faz um ótimo Fera, bastante intratável e, ao mesmo tempo, delicado - além de arrasar na belíssima nova canção do personagem. O trecho inicial, que conta a história da Fera até receber a maldição, também é bem empolgante. Mas, como par romântico, eu acho que teve o mesmo problema do Evans ao ser escalado como Gaston: ele parece velho demais para Emma Watson.

* Gaston (Luke Evans)


Apesar de eu ter ficado empolgadíssima com a caraterização dele - faltaram apenas os olhos azuis para ele ser idêntico à versão original - Evans ficou caricato (e, cá entre nós, um tanto velho demais para a Bela tão jovem). Uma pena! Mas devo ressaltar que na parte musical, Evans deu um show à parte. A química entre Gaston e LeFou também funcionou, e o personagem realmente mostra as garras (com perdão do trocadilho) nessa versão.

* LeFou (Josh Gad)


Esqueça a polêmica em torno da homossexualidade de LeFou: se você viu a animação antes, você já sabia disso. O que esta versão fez foi explicitar isso, mas não acontece nada de escandaloso que possa alarmar os pais mais conservadores. Valendo-se da hilaridade do personagem, a subtrama passa leve e não altera em nada os acontecimentos. O personagem, aliás, ganha ainda mais camadas: se antes ele só massageava o ego de Gaston; agora ele tem consciência dos seus atos e ganha um final explicado (anteriormente, ele apenas sumia de cena).

* Maurice (Kevin Kline)


Uma grata surpresa. Maurice não é o fofo e atrapalhado inventor de geringonças, mas é um homem doce e adorável, um viúvo que carrega um amor incondicional pela esposa e pela única filha. Essa delicada combinação é lindamente por Kline, que encontra o tom certo entre drama e comédia. A história do pai da Bela se aproxima mais das outras versões, onde ele causa a fúria da Fera por roubar uma rosa de seu jardim. Essa versão da história dele me agrada mais, devo admitir.

* Lumiére (Ewan McGregor)


Simplesmente hilário, mesmo que McGregor tenha penado um bocado para fazer sotaque francês - mas o fez com maestria. As implicâncias com Horloge (McKellen) e sua paixão por Plumete (Gugu Mbatha-Raw) são divertidíssimas, mas ele arrasa mesmo quando canta. Acho que todos lembram de Moulin Rouge e o quanto ele é bom em musicais, não é? Pois o sucesso é garantido aqui também.

Por tudo isso que descrevi, das emoções que tive ao ver esse longa e ter revivido as outras experiências que já tive com o clássico conto infantil, A Bela e a Fera é um bom longa: emocionante e divertido, profundo. Só o tempo dirá se vou amá-la tanto quanto a animação original - quem sabe eu só precise deixar de reparar na aparência e descobrir o que há de bom na alma desse filme? ;)

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