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terça-feira, 16 de maio de 2017

O Rastro


Filme brasileiro de terror, a gente logo associa a Zé do Caixão, ícone-mor do gênero no país. Então, todos os outros filmes nacionais deveriam ser do mesmo estilo, certo? Errado. O Rastro (2017) é uma ótima tentativa de fazer algo diferente pelo terror nacional. Buscando uma estética mais parecida com o terror japonês e investindo numa trama que mescla suspense e sobrenatural, o longa de J. C Feyer não decepciona - porém, tampouco surpreende.

Na trama, João Rocha (Rafael Cardoso) é um jovem médico, casado com Leila (Leandra Leal) e prestes a ser pai. Seu trabalho agora é mais burocrático, trabalhando diretamente com a Secretaria de Saúde do Estado do Rio de Janeiro. O hospital onde ele fez residência e onde seu amigo, Heitor (Jonas Bloch) trabalha, está prestes a ser fechado por conta da decadência: praticamente insalubre, funciona ainda graças à compaixão do doutor - que não quer deixar de atender à população.

Leila (Leal): grávida, pouco pode fazer para ajudar o marido João (Cardoso)

Com a decisão do secretário geral, e amigo de João, Ricardo (Felipe Camargo) em não aceitar mais nenhum paciente e fechar a unidade, João tem que lidar com um dilema: Júlia de Sousa (Natália Guedes) fora internada sem autorização por Heitor, como uma medida de impedir o fechamento do hospital. Apesar de aceitar a nova paciente, o mandato para as transferências de pacientes ocorre em meio a muita confusão. É quando João percebe não há registros de que a menina fora transferida que a ação começa.

O corredor guarda mais segredos do que João (Cardoso) consegue lidar
O espectador acompanha o desespero de João para obter informações, e descobre que a trama é muito maior que só o desaparecimento da pequena Júlia. Política, briga de egos, alucinações sobrenaturais, mortes - a espiral de desgraças só aumenta. Tudo está misturado, e a carga é forte demais para o jovem médico. Nesse ponto, o filme acerta em cheio: focar na visão parcial e confusa do personagem ajuda no processo de duvidar do que se vê - e, consequentemente, no impacto do desfecho.


Fantasmas e hospitais abandonados, receita certa para sustos

Porém quem estiver mais atento (ou for muito fã de filmes do gênero) já vai ter sacado o “pulo do gato” lá no início. E, para piorar, o argumento usado para justificar uma morte importante é plausível, mas improvável - e a gente sai com a impressão de que não funcionou bem essa “licença poética”, apesar de ter boa intenção e ser uma justificativa para a última cena. Mas o que mais incomodou mesmo foi o som: a gente já espera que venha aquele barulho alto no momento de susto para nos fazer pular da cadeira, mas ele estava extremamente alto (ao ponto de incomodar ao invés de assustar) e usado em algumas cenas despropositadas. Ou seja, menos seria muito mais nesse caso.

Ainda assim, não tiro o mérito desse filme: um esforço coletivo de produção, direção e elenco em fazer uma obra de um gênero muito pouco explorado no Brasil, e com um pano de fundo tão atual quanto o que vivemos atualmente no Estado, vale e muito o ingresso do cinema. 

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