Atômica

Atômica (Atomic Blonde, 2017) me deixou seriamente dividida. Enquanto uma parte de mim ficou muito empolgada pela belíssima fotografia, a excelente trilha sonora e o pano de fundo interessante para uma estória de espiões, o fetichismo e o final previsível acabaram por tirar muito do brilho do longa. Mas vamos por partes.


A premissa é: uma lista contendo todos os nomes de agentes de todos os serviços secretos (e suas operações) que estava em mãos de um agente britânico foi perdida e há muitos interessados nela. A agente Lorraine Brought (Charlize Theron, em atuação enérgica e convincente) é selecionada pelo serviço britânico para resolver o problema. Ela é enviada a Berlim, às vésperas da queda do muro, para procurar outro agente aliado, David Percival (James McAvoy, a gente já se acostumou a vê-lo entregar-se completamente aos papeis que interpreta). 

Lorraine (Theron) e Percival (McAvoy): aliados em Berlim - ou não?
Acontece que Percival não é exatamente alguém confiável. Para completar, paira sobre eles uma ameaça chamada Satchel, um agente duplo que ninguém sabe quem é ou para quem trabalha - e que pode arruinar de vez a missão de Lorraine. Querendo descobrir mais sobre o que realmente aconteceu com o agente que perdeu a lista (por motivos pessoais), Lorraine se compromete a ficar mais tempo em solo alemão e ameaça por em risco toda a operação para correr atrás da verdade. 

O interrogatório dura todo o filme: narrativa em flashback intercalado com o depoimento de Lorraine
Em linhas gerais, a trama é empolgante assim. Some-se a isso uma trilha sonora empolgante, uma produção de arte e figurinos acima da média, a fotografia bonita e funcional (mudando de acordo com o humor da personagem e o clima da cena), cenas de ação empolgantes e boas atuações de todo o elenco. Eu não esperava menos que isso, e foi o que me entregaram. Só que Atômica não superou minhas expectativas. O roteiro, apesar de bem executado, é apenas correto - e as soluções para surpreender a plateia realmente não funcionam. Quem já viu filmes de espiões saca na hora que tem caroço naquele angu (e que a gente deve sempre "confiar desconfiando"). 

Charlize fez a maioria das suas cenas de ação: mandou muito bem!
A montagem do longa, que conta a estória a partir do relatório "pós-confusão" (para ficar com uma palavra fofa), ajuda a manter o mistério, brincando com a memória do espectador e reforçando a veia detetive do público. Mas aí entra em campo um fator bastante incômodo - pelo menos para a audiência feminina: o fetiche. Lorraine é uma espiã extraordinária, com habilidades incríveis e astúcia. É lógico que usará de seu poder de sedução em algum momento, mas até na hora de enfrentar um relatório filmado ela precisa fumar sensualmente? Fica ainda mais difícil acreditar quando a gente lembra que a própria Charlize fez a magnífica Imperatriz Furiosa, em Mad Max - Estrada da Fúria

Theron e Boutella: boas atuações além das cenas de sexo entre elas
Se pararmos para analisar, só há duas atrizes no longa: as duas são belas e representam a loira fatal e a morena sensual; e é óbvio que as duas se pegam. Para perceberem o quanto isso é chato, um dos comentários que ouvi ao sair da sala foi "a cena das duas na cama foi a melhor coisa do filme". Viu só? Tudo se reduziu ao prazer de ver as duas em cenas quentes, infelizmente. Charlize foi fundo na composição da personagem, fazendo ela mesma a maioria das cenas de luta e ação; até a forma que ela pega a arma é diferente da maioria das outras beldades que precisam empunhar uma arma em cena. Mas do que se lembram? Pois é.

John Goodman: o ator mais subaproveitado nesse elenco de estrelas
Portanto, eu estou realmente dividida com o filme. Gostei bastante, principalmente pela estética e ritmo de ação; mas os pequenos detalhes se acumularam tanto que não consegui superá-los. Esperava muito mais do que o que foi entregue, principalmente ao ver os nomes de peso do elenco, como Toby Jones e John Goodman, e pouco os vi em cena - mas ainda assim, o resultado foi aceitável. A estória, baseada na HQ de Anthony Johnston, The Coldest City, deve agradar ao grande público - especialmente aos fãs de ação. Para mim, foi uma experiência divertida que não vai ficar na memória.

0 comentários:

Meses temáticos!

Confira nosso catálogo de críticas e curiosidades completo, distribuído em listas e meses temáticos.

Lista de 2015 Lista de 2010
Meses temáticos
2014 2013 2012 2011
Trilogia Millenium Ficção-cientifica Pioneiros De Volta para o Futuro
Meryl Streep e o Oscar Broadway Brasileiros no Oscar Liz Taylor
Fantasias dos anos 80 Realeza Tarantino Filmes de "mulherzinha"
Pé na estrada Scorcese Chaplin Stephen King
Mês Mutante Off-Disney Filmes de guerra Noivas
Mês do Futebol Mês do Terror Agatha Christie Genny Kelly
Mês Depp+Burton Shakespeare HQs Harry Potter
Cinebiografias Pequenos Notáveis Divas Almodovar
Robin Williams Mês do Rock Woody Allen Remakes
Mês das Bruxas Alfred Hitchcock Rei Arthur Vampiros
Humor Britânico John Wayne John Hughes Elvis
Mês O Hobbit Contos de Fadas Apocalipse O Senhor dos Anéis

Especial do momento

Mulan

As definições do projeto para formar cinéfilas melhores foram atualizadas

Agora nos dedicamos a um filme por mês, sem deixar de lado as críticas dos lançamentos no cinema. Venha com a gente descobrir curiosidades dos nossos especiais e se atualizar das estreias nas telonas!

Receba por e-mail

Gêneros

Resenhas (771) Drama (235) Lançamentos (136) Ficção científica (109) Aventura (102) Comédia (76) Musical (52) Terror (47) Ação (46) Fantasia (36) Animação (29) Comédia romântica (25) Épico (24) Faroeste (22) Biografia (21) Thriller (7)

Arquivo do blog

Google+ Followers

Seja parceiro

Descubra como!
 
Copyright ©
Created By Sora Templates | Distributed By Gooyaabi Templates