3 blogueiras + 1 desafio = aprimorar a cinefilia.
DVD, sofá e pipoca,
formando cinéfilas melhores!

quarta-feira, 30 de agosto de 2017

Atômica

Atômica (Atomic Blonde, 2017) me deixou seriamente dividida. Enquanto uma parte de mim ficou muito empolgada pela belíssima fotografia, a excelente trilha sonora e o pano de fundo interessante para uma estória de espiões, o fetichismo e o final previsível acabaram por tirar muito do brilho do longa. Mas vamos por partes.


A premissa é: uma lista contendo todos os nomes de agentes de todos os serviços secretos (e suas operações) que estava em mãos de um agente britânico foi perdida e há muitos interessados nela. A agente Lorraine Brought (Charlize Theron, em atuação enérgica e convincente) é selecionada pelo serviço britânico para resolver o problema. Ela é enviada a Berlim, às vésperas da queda do muro, para procurar outro agente aliado, David Percival (James McAvoy, a gente já se acostumou a vê-lo entregar-se completamente aos papeis que interpreta). 

Lorraine (Theron) e Percival (McAvoy): aliados em Berlim - ou não?
Acontece que Percival não é exatamente alguém confiável. Para completar, paira sobre eles uma ameaça chamada Satchel, um agente duplo que ninguém sabe quem é ou para quem trabalha - e que pode arruinar de vez a missão de Lorraine. Querendo descobrir mais sobre o que realmente aconteceu com o agente que perdeu a lista (por motivos pessoais), Lorraine se compromete a ficar mais tempo em solo alemão e ameaça por em risco toda a operação para correr atrás da verdade. 

O interrogatório dura todo o filme: narrativa em flashback intercalado com o depoimento de Lorraine
Em linhas gerais, a trama é empolgante assim. Some-se a isso uma trilha sonora empolgante, uma produção de arte e figurinos acima da média, a fotografia bonita e funcional (mudando de acordo com o humor da personagem e o clima da cena), cenas de ação empolgantes e boas atuações de todo o elenco. Eu não esperava menos que isso, e foi o que me entregaram. Só que Atômica não superou minhas expectativas. O roteiro, apesar de bem executado, é apenas correto - e as soluções para surpreender a plateia realmente não funcionam. Quem já viu filmes de espiões saca na hora que tem caroço naquele angu (e que a gente deve sempre "confiar desconfiando"). 

Charlize fez a maioria das suas cenas de ação: mandou muito bem!
A montagem do longa, que conta a estória a partir do relatório "pós-confusão" (para ficar com uma palavra fofa), ajuda a manter o mistério, brincando com a memória do espectador e reforçando a veia detetive do público. Mas aí entra em campo um fator bastante incômodo - pelo menos para a audiência feminina: o fetiche. Lorraine é uma espiã extraordinária, com habilidades incríveis e astúcia. É lógico que usará de seu poder de sedução em algum momento, mas até na hora de enfrentar um relatório filmado ela precisa fumar sensualmente? Fica ainda mais difícil acreditar quando a gente lembra que a própria Charlize fez a magnífica Imperatriz Furiosa, em Mad Max - Estrada da Fúria

Theron e Boutella: boas atuações além das cenas de sexo entre elas
Se pararmos para analisar, só há duas atrizes no longa: as duas são belas e representam a loira fatal e a morena sensual; e é óbvio que as duas se pegam. Para perceberem o quanto isso é chato, um dos comentários que ouvi ao sair da sala foi "a cena das duas na cama foi a melhor coisa do filme". Viu só? Tudo se reduziu ao prazer de ver as duas em cenas quentes, infelizmente. Charlize foi fundo na composição da personagem, fazendo ela mesma a maioria das cenas de luta e ação; até a forma que ela pega a arma é diferente da maioria das outras beldades que precisam empunhar uma arma em cena. Mas do que se lembram? Pois é.

John Goodman: o ator mais subaproveitado nesse elenco de estrelas
Portanto, eu estou realmente dividida com o filme. Gostei bastante, principalmente pela estética e ritmo de ação; mas os pequenos detalhes se acumularam tanto que não consegui superá-los. Esperava muito mais do que o que foi entregue, principalmente ao ver os nomes de peso do elenco, como Toby Jones e John Goodman, e pouco os vi em cena - mas ainda assim, o resultado foi aceitável. A estória, baseada na HQ de Anthony Johnston, The Coldest City, deve agradar ao grande público - especialmente aos fãs de ação. Para mim, foi uma experiência divertida que não vai ficar na memória.

0 comentários: