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quinta-feira, 24 de agosto de 2017

A Torre Negra


A Torre Negra (Dark Tower, 2017) é um longa baseado na saga homônima de Stephen King, não necessariamente no primeiro volume dos sete que a compõem. E aí já começou aquela sensação de incômodo que permeou toda a duração do filme. Não consigo sacudir a impressão de que quem montou o roteiro acabou sem saber o que fazer com tanta informação para pouco tempo de tela. Resta saber porquê não decidiram antes se condensavam toda a estória em um único filme épico (o que eu acho quase impossível) ou resolveram apostar de cara em uma franquia.

Roland (Elba) e Jake (Taylor): o encontro de dois mundos - literalmente

Começamos acompanhando Jake Chambers (Tom Taylor, excelente) e seus estranhos pesadelos com uma terra devastada e experimentos com crianças. A coincidência desses sonhos ruins com estranhos e cada vez mais frequentes terremotos faz a família do fragilizado Jake acreditar que ele precisa de ajuda psiquiátrica. Ao perceber que ao invés de ser mandado para uma clínica ele seria, na verdade, raptado pelos vilões de seu sonho, Jake resolve fugir e buscar ajuda com o único em quem sentia que podia confiar: um Pistoleiro. Na outra dimensão, Jake encontra Roland Deschain (Idris Elba), o último Pistoleiro vivo. Amargurado por perder todos a quem amava pelas mãos do Walter (Matthew McConaghey), o terrível Homem de Preto, Roland vaga pelo seu mundo destruído atrás de vingança. Quando seu caminho cruza com o de Jake, o destino dos dois está selado. Um vai precisar ajudar o outro a encontrar seu caminho. E é exatamente nesse ponto - o mais importante da trama, diga-se - que o filme falha.

McCounaghey interpreta o vilão Walter, mais conhecido como o "Homem de Preto"
Tem muita coisa errada nesse filme, e mesmo quem não conhece a obra por completo (como eu) percebe que tem algo estranho na tela. Há uma mitologia que não é explicada e acaba sendo pouco explorada (o que dificulta muito para que o público se encante e se interesse) e a ação corrida não deixa brecha para se apegar aos personagens. O vilão, aliás, é um sério engano: a figura nitidamente encarno o papel da Morte e deveria ser sombria e má, mas a forma escolhida para mostrar sua influência sobrenatural sobre os outros é risível. De um status sobrenatural, a vilania acaba caindo para um clichê (quase literal, diga-se) de "vilão que tira doce de criança". A audiência que não conhece minimamente os personagens não vai compreender os laços profundos e complexos que unem o Pistoleiro e o Homem de Preto, nem os que acabaram de ser criados entre o Roland e Jake. Confesso que li o primeiro volume para não chegar boiando no cinema e saber pelo menos a origem das coisas - e quase nada do que eu li aconteceu ali.

Cenas de ação: muito malabarismo e pouca emoção
Bem, se eu que não sou fã achei que tudo estava meio "nada a ver", eu imagino a revolta que vai causar nos verdadeiros fãs da saga. Muitas soluções apressadas nos fazem questionar a verossimilhança dos argumentos, muita coisa soa muito falsa - e olha que a gente está falando de um universo multidimensional com seres monstruosos e mágica envolvida, mas até para que isso exista algumas regras precisam ser obedecidas. A gente já viu bala ser congelada no ar e até fazer curva para atingir um alvo, e a gente até se empolgou com essas coisas - mas aqui, infelizmente, o mesmo efeito não é alcançado. Eu fiquei realmente brava por não ter conseguido me empolgar com nenhuma cena de ação - além de achar bem canastrona a interpretação de McCounaghey e muito apática a de Elba. Nenhum dos dois conseguiu transmitir o carisma que esses personagens precisam ter.

Uma pequena demonstração do que eu falei sobre a atuação de McCougnahey e dos malabarismos especiais
A quem não está interessado em mergulhar no universo, sobram a tensão inicial com o drama sobre Jake, a atuação do pequeno Tom Taylor e, mais para o fim, algumas piadinhas bem colocadas. Uma pena não terem pensado em um roteiro firme, com propósito definido, e o que chegou a nós foi um produto meio remendado - quase como um trabalho enfim finalizado porém sem muita convicção. Uma pipoca bem morna, daquelas que a gente só termina de comer porque já tá quase no fim mesmo.

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