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quarta-feira, 14 de fevereiro de 2018

Pantera Negra


A espera valeu a pena. Pantera Negra (Black Panther, 2018) chega aos cinemas para fazer História: primeiro filme do Universo Cinematográfico Marvel recente a ter um elenco majoritariamente negro, o longa de Ryan Coogler se diferencia de seus “primos” também pela qualidade do roteiro. Focado nos dilemas do príncipe T’Challa (Chadewic Boseman) ao assumir o trono de Wakanda - todo o ritual de sucessão e as consequências pós-atentado que vitimou o rei T’Chaka (John Kani) durante os eventos de Capitão América - Guerra Civil - e com um discurso muito mais politizado que os filmes solo dos outros Vingadores, o filme equilibra brilhantemente cenas de ação empolgantes e drama sem deixar de ser divertido e relevante.

Wakanda: uma belíssima mistura de respeito à tradição e vanguarda tecnológica 
Uma linda cena de abertura, contando a história da criação de Wakanda (e como ela se tornou a grande nação tecnológica no coração da África por causa do vibranium, o metal alienígena mais resistente do universo) nas areias do tempo intercala um passado recente com consequências no futuro do novo rei. T’Challa está voltando para casa escoltado por sua melhor guerreira, Okoye (Danai Gurira, a Michone de The Walking Dead). A general das Dora Milaje - uma versão negra e muito badass das lendárias Valquírias e das Amazonas - o auxilia em uma missão de resgate a Nakia (Lupita Nyongo), mesmo que ela não precise tanto assim de ajuda. O objetivo era que ela também estivesse presente na coroação. Logo em seguida, porém, o roubo de um artefato wakandiano em um museu de Londres pode por tudo a perder: se o mundo souber que o carregamento de vibranium roubado por Klaue (Andy Serkis) era apenas uma parte - e não a totalidade - do metal existente no planeta, o país africano estaria em perigo. É nesse contexto que entra o Agente Ross (Martin Freeman), que também está investigando artefatos de vibranium desde os acontecimentos de Capitão América - Soldado Invernal.

O agente Ross (Freeman) tenta seguir os rastros do vibranium que Klaue (Serkis) ainda contrabandeia
Era quase inevitável que Pantera Negra tratasse de questões como racismo, protagonismo feminino e barreiras políticas (físicas ou não) para proteger um país e suas riquezas, mas a forma como isso se desenvolve nas entrelinhas é algo especial. Por todo o longa existem atitudes que falam mais do que as palavras dizem, mesmo que elas sejam às vezes mais diretas. O vilão Killmonger (Michael B. Jordan, de Creed: Nascido para lutar) luta por uma causa justa: se Wakanda tem toda aquela tecnologia e harmonia, porque se esconder atrás de barreiras invisíveis e deixar que suas nações irmãs sofram tanto? A espiã Nakia se recusa a viver no conforto de sua terra natal depois de ver que Wakanda se recusa a abrigar refugiados - mesmo que esta tenha plenas condições para dar-lhes uma vida digna. 

Duelo entre T'Challa (Boseman) e Killmonger (Jordan)
É esse contraponto entre o discurso político e as excelentes cenas de ação - dosadas perfeitamente com humor e, o mais importante, funcionalidade delas - que é o ponto forte do filme. Sim, porque não é porque estamos falando de um super-herói que precisa ter ação alucinante a todo momento para ser considerado bom: a gente já tinha visto isso em Logan, e agora foi a vez de Pantera Negra provar este ponto. Os perfis são diferentes, mas a lógica é a mesma: se o personagem é bom, e o roteiro é melhor ainda, não precisamos de malabarismos para fazer um ótimo filme. 

Ação mistura os estilos de super-herói e filmes de James Bond: classe, humor e adrenalina
Méritos devem ser dados a todos os que fizeram a excelência: o roteiro sem excessos de Coogler e Joe Robert Cole, a maravilhosa produção de arte que criou uma Wakanda futurista e tribal belíssima (e totalmente verossímil), os ótimos efeitos visuais, e o elenco maravilhoso que inclui nomes de peso como Forest Whitaker, Martin Freeman e Angela Basset além de gratas surpresas como Letitia Wright. Sua carismática princesa Shuri, irmã do rei T’Challa e Chefe da Inteligência Tecnológica do reino, é forte e divertida - aliás, o trio Shuri, Nakia e Okoye não rouba a cena, mas se equipara em peso e importância aos antagonistas principais Pantera e Killmonger. Uma aula e tanto de feminismo, hein...

Shuri (Wright): uma princesa inteligente e sem medo da briga
Delicioso de ver, divertidíssimo de acompanhar, importantíssimo para a História do cinema. Superlativos não são exagero quando se trata de Pantera Negra, que cumpre o que promete e eleva o patamar dos níveis de heroi - especialmente depois do questionável Thor: Ragnarok. Só nos resta esperar com mais ansiedade a primeira parte de Guerra Infinita. Falta muito para abril?

P.S.: Como já é tradição, espere pelas cenas pós-créditos. Uma é bem rapidinha e faz conexão direta com os próximos eventos dos Vingadores. A outra... Bem, só dá para adiantar que todo mundo vai entender aquela metáfora. 

1 comentários:

Mariana Soto disse...

Foi uma maneira diferente de conhecer a história de um personagem desconhecido para muitos. Wakanda foi muito bem representado e Killmonger perfeitamente bem construído. Michael B. Jordan foi impecável. Ele sempre surpreende com os seus papeis, pois se mete de cabeça nas suas atuações e contagia profundamente a todos com as suas emoções. Ele vai estrelar a nova adaptação de Fahrenheit 451. Na minha opinião, será um dos mehores filmes distópicos de 2018. O ritmo do livro é é bom e consegue nos prender desde o princípio. O filme vai superar minhas expectativas. Além, acho que a sua participação neste filme realmente vai ajudar ao desenvolvimento da história.