Mentes Sombrias

Mais uma distopia voltada para o público adolescente chega às telonas nessa semana: Mentes Sombrias (The Darkest Minds, 2018) é um bom exemplo de adaptação desse nicho literário, e se mantém acima da média. Na trama, uma misteriosa doença atingiu todas as crianças dos Estados Unidos e a maioria não sobreviveu. Os que restaram, adquiriram estranhas habilidades psíquicas - e, portanto, precisavam ser controlados pelo governo para não se tornarem ameaças. Baseado na obra homônima de Alexandra Bracken, o filme de Jennifer Yuh Nelson (diretora de Kung Fu Panda 2 e 3) é o chute inicial que promete manter a bola em jogo.

Ruby Daly (Amanda Stenberg, a Rue de Jogos Vorazes) é uma sobrevivente, embora ainda não tenha percebido nenhuma mudança em si. Mas, na manhã seguinte ao seu aniversário de dez anos, ela acorda e sua mãe não se lembra da sua existência - e a pequena Ruby vai descobrir que é uma das crianças especiais. Todas as que são como ela são levadas para reformatórios governamentais, onde  são separadas por cores (dependendo de seus poderes), vigiadas e controladas até que se descubra uma cura. A diretriz vem do próprio presidente Gray (Bradley Whitford), que tem interesse pessoal nisso: seu filho, Clancy (Patrick Gibson, o Steve da série The O.A.), foi um dos afetados pela doença e ele não poupará esforços para livrar o país daquela ameaça.

O diagnóstico, onde as crianças são separadas devido às suas habilidades: ameaças em potencial
Porém, o tempo passa e nenhuma cura é encontrada. Em seis anos, a economia entrou em colapso e houve evasão de americanos. As cidades estão abandonadas, e quem ficou tem medo do futuro. As crianças recolhidas são obrigadas a trabalhar e a manter a disciplina - mas apenas as que são classificadas nas categorias mais brandas. Azuis, Verdes e Dourados são tolerados, mas os Vermelhos e Laranjas são imediatamente eliminados por serem extremamente perigosos. E na hora de ser avaliada, Ruby descobre que é uma Laranja, com poder de influenciar as pessoas. Ela consegue manipular o doutor que a avaliava e se enquadra como uma Verde, de extrema inteligência. Seu disfarce dura por um tempo, mas logo ela será descoberta.

Zu (Cech), Ruby (Stenberg), Liam (Dickinson) e Bolota (Brooks): amizade para enfrentar perigos
Prestes a ser eliminada, ela recebe a ajuda inesperada da doutora Cate (Mandy Moore, a Rebecca da série This is Us), que a ajuda a fugir. Ela, porém, desconfia dessa ajuda providencial - especialmente depois que conhece um grupo de adolescentes como ela que vivem fora dos reformatórios. Zu (Miya Cech) e Bolota/Charles (Skylan Brooks) são liderados por Liam (Harris Dickinson), um ex-afiliado da mesma Liga das Crianças da qual Cate disse fazer parte - e ele avisa a Ruby que eles não são o que eles dizem ser. Juntos, eles vão enfrentar a perseguição de Lady Jane (Gwendoline Christie, a Brienne de Game of Thrones), uma caçadora de recompensas implacável, da Liga das Crianças e dos agentes do governo que procuram pela perigosa fugitiva para ajudar Ruby a voltar para sua família.


Os efeitos especiais dos Azuis é telecinese: estranhamente, estes efeitos ficam aquém dos outros
O longa em si é mediano, principalmente por conta de alguns efeitos especiais envolvendo os poderes de telecinese dos Azuis, mas tem seus méritos. A boa produção e rostos conhecidos do público, além de um bom ritmo intercalando ação e drama, são os maiores trunfos. Há espaço para introduzir questões atuais em meio ao entretenimento, sem se tornar enfadonho ou didático: o principal é o discurso contra o preconceito racial diluído em uma analogia esperta, com a separação em cores das crianças especiais. Como era de se esperar, há um romance entre os personagens e uma tensão romântica - afinal, esse é um livro voltado para um público mais jovem e que gosta dessas declarações e arroubos apaixonados típicos de sua idade. Mas nem por isso o filme é insuportável para os adultos que, por curiosidade, queiram assisti-lo.

O roteiro de Chad Rodge tenta condensar o máximo de informação sobre o universo distópico e dar margem para a imaginação, mas não chega a ser redondo. Nada que comprometa o trabalho da diretora Jennifer Yuh Nelson, que consegue manejar os detalhes e valorizar o carisma dos personagens, entregando um filme que chega a um fim satisfatório mesmo que a sequência não venha a ser produzida. Acho difícil de não acontecer, uma vez que o público parece empolgado com essa nova saga literária - e que deve arrebatar mais alguns fãs depois dessa incursão cinematográfica. 

Ruby e Liam: romance tipicamente adolescente
Por fim, Mentes Sombrias é uma pipoca adorável e divertida, leve e com um conteúdo mais encorpado do que só um romance adolescente. Não chega a ser um Jogos Vorazes ou Maze Runner (duas trilogias adolescentes de sucesso bem adaptadas para o cinema, embora nem mesmo elas tenham conseguido manter a alta qualidade cinematográfica até o fim), mas é acima da média dos filmes produzidos para esse público, sendo capaz de entreter também aos adultos. Isso, claro, se eles desapegarem da ideia de que este não é um longa da badalada série Stranger Things (apesar de ter os mesmos produtores), e das semelhanças com os mutantes mais famosos - além da diferença de produção para os atuais filmes de super-heróis. Ficamos no aguardo da sequência da história de Ruby Daly.

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