Juliet, Nua e Crua

Juliet, Nua e Crua (Juliet, Naked, 2018) é uma despretensiosa Comédia Romântica no melhor estilo britânico. A rotina de um casal é assombrada por uma obsessão: um cantor que teve uma carreira meteórica, cuja obra foi suficiente para viciar uma centena de fãs por longos anos mesmo após seu desaparecimento misterioso. Mas tudo vai mudar quando seu fã número 1  - e parte integrante do casal citado - receber um CD com o áudio bruto do primeiro álbum do cantor. Baseado no livro de Nick Hornby, o longa de Jesse Peretz (mais conhecido por dirigir séries como Girls, Projeto Mindy e New Girl) é uma boa pedida para quem quer se divertir com uma estória bonitinha e com um quê diferente.

Annie (Rose Byrne) é a típica mulher que teve grandes sonhos, mas a vida teve outros planos para ela. Moradora de uma cidade pequena, seus melhores anos foram durante a faculdade - quando precisou viver em Londres. Foi no ambiente acadêmico que conheceu seu namorado, Duncan (Chris O'Dowd). Diferente dos outros caras, ela podia conversar sobre tudo com ele - até a segunda página. Duncan sempre fora um fã fervoroso do cantor Tucker Crowe (Ethan Hawke), a ponto de manter ativo um blog e um fórum online sobre ele e sua carreira mesmo depois de Crowe ter caído no ostracismo.

Annie (Byrne) em seu ambiente de trabalho: rotina desmotivadora
Assim, Annie vive uma rotina bastante monótona, que inclui um trabalho em um museu fadado à mesmice e as aventuras amorosas de sua irmã lésbica, Ros (Lily Brazier), e a obsessão do namorado sobre Tucker Crowe. Quando ela abre uma correspondência para Duncan e descobre um CD com as versões originais do primeiro álbum de Crowe, Annie magoando Duncan por tê-lo ouvido antes dele. Chateada pela reação exagerada dele, ela resolve criar um pseudônimo apenas para fazer um comentário maldoso sobre sua apaixonada análise do material. O que ela não esperava era que o próprio Tucker Crowe fosse concordar com ela - nem que entrasse em contato.

Tucker (Hawke): "Aquele momento estranho" em que você entra na casa de alguém e descobre um santuário dedicado a você (!)
Annie passa a se corresponder com Crowe, que mora nos Estados Unidos e enfrenta problemas familiares (que envolvem vários filhos de mães diferentes) e financeiros (que o obriga a viver na garagem da ex-mulher). Os dois acabam se  identificando, em suas rotinas sem glamour e as dificuldades cotidianas. sem perceber, se aproximam nesse contato íntimo e totalmente virtual, mesmo com um oceano entre eles. E as coisas continuariam bem, até que surge a oportunidade de Tucker ir até Londres para transformarem a amizade virtual em uma amizade real.

Chris O'Dowd vive o superfã Duncan: destaque do filme
O diretor consegue extrair ótimas atuações do elenco, especialmente do trio principal. Hawke está tão à vontade em cena que parece se identificar com o ex-galã esquecido do público que aceitou viver fora dos holofotes, mas sente saudades disso. Byrne podia ter transformado Annie em apenas-mais-uma-mocinha, mas a forma contida com que interpreta não a deixa cair nem estereótipo da mulher mal amada, nem da protagonista bobinha. Mas o maior destaque é para O'Dowd, que faz graça levando seu personagem muito a sério. Duncan é um personagem adorável e irritante ao mesmo tempo, e faz o público amá-lo e odiá-lo ao mesmo tempo. As melhores cenas são com ele em cena, sem dúvida. 

Além disso, há uma insinuação muito atual e relevante: até que ponto é saudável ter uma fixação por um ídolo? E o que leva alguém a creditar que sabe mais sobre a vida de um estranho do que ele próprio? Em uma das falas do próprio Duncan, surge também um questionamento interessante: a obra de um artista é feita para ele próprio se orgulhar dela ou para que seu público lhe atribua seu devido valor? Ainda assim, mesmo que você saia do cinema sem se questionar sobre esse tema, ainda vai valer a pena ter ido assistir a Juliet, Nua e Crua. O filme é uma ótima pedida para quem gosta de filmes leve e divertidos, sendo uma distração com boas reflexões - sem nada muito complexo.

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