3 blogueiras + 1 desafio = aprimorar a cinefilia.
DVD, sofá e pipoca,
formando cinéfilas melhores!

quarta-feira, 10 de março de 2010

É uma droga! Mas não é de todo mal...

Calma, não estou falando do filme. A vida é uma droga! E para George Bailey (James Stewart) foi ainda mais cruel, ele tinha grandes sonhos e bem que tentou realiza-los. Mas de uma forma ou de outra a vida o impediu. Desde pequeno Bailey abriu mão de seus sonhos para fazer o que era certo. Mas ele é humano e quando se vê sem saída, se desespera e resolve cometer suicídio. 

Mediante dezenas de orações por Bailey, Deus resolve que o cara merece uma ajudinha. Afinal se tanta gente o quer bem algo ele deve ter feito de bom! É aí que entra Clarence (Henry Travers), um abobado e bastante humano, anjo que ainda não recebeu suas assas, e tem sua chance se for bem sucedido ao ajudar George. O anjo tem a brilhante idéia de mostar ao suicida em potencial como seria seu mundo, ou seja a cidadezinha de Bedford Falls, se ele não tivesse nascido. Assim ele pode ter noção da diferença que fez para todos.

Volta e meia agente se pregunta: Não vai fazer diferença, então por que ter tanto trabalho? Logo impossível não se identificar com Bailey. Um homem comum cuja vida levou por caminhos diferentes dos planejados. É assim com a maioria de nós. Infelizmente não temos a oportunidade de Bailey, de visitar um mundo sem nós e descobrir pessoalmente nosso valor.

Não temos Clarence, mas temos Capra. O diretor nos mostra de forma delicada e com muita ternura a importância de cada um. Fala de compaixão, de ganância de se doar aos outros sem esperar recompensas. Tudo muito bem ilustrado por diálogos e ótimas atuações, especialmente de James Stewart, Donna Reed (Mary esposa de Bailey), que nos levam dos apaixonados e sonhadores adolescentes aos responsáveis pais de familia. 

A Felicidade Não Se Compra, não traz tramas intricadas, nem efeitos especiais espetaculares, nem trilha sonora memorável. Traz sim uma boa história, muito bem contada e com lições que são absorvidas sem notarmos e podem ajudar a lidar melhor com os outros e com nós mesmos.

Ser grato pelo que tem, e não inconformado pelo que não tem. É a lição imediata do filme. Bastante adequada a época em que foi feito, imediatamente após a Segunda Guerra Mundial. Quando começavam a juntar os pedaços e reconstruir.

A outra lição, vem por escrito "Ninguém é um fracasso se tem amigos". Contudo, em uma época em que a amizade foi banalizada (centenas no orkut!). Não há como saber quantos realmente conquistou, quantos pulariam por você. 

Todos abrem mão de alguma (ou muita) coisa em algum momento. Seja extremamente bondoso como nosso protagonista ou não, todos estão sucessíveis a desistir, chutar o pau da barraca, pedir para sair. É a isso que devemos estar atentos, ao momento em que outra pessoa, seja ela amiga ou não vai precisar que saltemos no rio por ela. Na falta de Clarence deviríamos exercitar a solidariedade e compaixão que o filme emana e ser anjos da guarda um dos outros. 

Afinal a maior parte do tempo a vida é uma droga! E vai continuar assim. Então aproveite a parte boa e se me ouvir gritar "Para o mundo que eu quero descer!", por favor me segure na cadeira!

0 comentários: