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quarta-feira, 3 de março de 2010

Seguindo a estrada...

Desde pequena, sempre que assistia a O Mágico de Oz, uma pergunta vinha à minha mente: para onde vai a estrada de tijolos vermelhos?

A resposta deve existir em algum lugar. No livro, nas idéias de que criou o cenário, mas para Dorothy pouco importa. A menina está tão empolgada com o novo mundo colorido que nem questiona. Por que aquela estrada? Quão longa é? O que posso encontrar pelo caminho? Não que a bruxa boa fosse responder, mas ela podia tentar com mais vontade.

A verdade é que a atitude de Dorothy é mais comum do que a gente imagina. Nos dizem o caminho para chegar aonde, achamos, que queremos ou precisamos estar, e lá vamos nós. Sem preparo, sem perguntas, e torcendo para encontrar um bom pensador na próxima encruzilhada. Provavelmente porque, assim como Dorothy, a maioria de nós se sente preso à vida cotidiana sem cor, onde todos parecem muito ocupados e onde tudo que fazemos parece dar errado. É por isso que a gente se identifica e embarca com a menina, sem hesitar, nas loucuras de Oz. E, de quebra, ainda nos divertimos muito!

Vai dizer que nunca quis enganar uma árvore para que ela lhe atirasse maçãs de graça? Aliás, no Brasil, ainda dá mais vontade, já que quase ninguém tem uma macieira no quintal. Ou nunca agiu como se fosse um rei (ou rainha), com coroa improvisada e tudo. Eu sei, com certeza, que toda menina já quis dar uma passada no salão de beleza democrático da cidade de Esmeralda.

Também morremos de medo, da bruxa e dos seus artifícios para conseguir os sapatinhos. Lembro de apavorada toda vez que via os macacos voadores esvaziarem o espantalho, e até hoje acho essa cena assustadora. Porque a malvada sempre começava com o pobre espantalho? Será que estava ganhando tempo para descobrir como acabar com um homem de lata? Dica para ela: um abridor bem grande. Pena que o politicamente correto invadiu os filmes infantis hoje em dia, tornando as maldades mais leves para não assustar os pequenos.

Além de tudo isso ainda sobra tempo para lições de moral. Aprendemos a contar com os amigos, a não confiar tanto na fama e nas aparências. As pessoas nem sempre são o que parecem ou o que dizem dela. Que, por mais estranho que seja o lugar, sempre haverá algo de familiar, e encantador se estivermos dispostos a conhecer. E, é claro, o valor da família e a capacidade de fazermos o que quisermos. Existe uma expressão em inglês "be in your shoes", literalmente estar em seus sapatos, estar em seu lugar. Apenas você pode estar em seus sapatos, e eles te levam aonde você quiser ir.

É como se não fosse divertido o bastante ainda é um musical (a blogueira aqui adora!). Levante a mão quem nunca cantarolou "Over the Rainbown", ou mesmo "Além do Arco-íris" de Luiza Possi. Uma boa versão em português, isso é muito raro.

Nunca me acostumei a chamar Glinda (viu, sei o nome dela) de bruxa boa ao invés de fada. Parece com uma fada, age como fada, tem varinha de condão: é uma fada! E adoro ver o espantalho andar, as pernas são moles ele vive caindo, e os amigos sempre o puxando para cima (e tem metáfora aí também). É tão engraçado quanto ver Jack Sparow correr.  

Oz não é apenas divertido, é deslumbrante, literalmente. Quase 100 anos depois e acho que ainda é o filme mais colorido já lançado! O que curiosamente torna a fazenda no Kansas mais interessante quando retornamos. É preciso um lugar seguro, para descansar entre uma aventura e outra, especialmente se a jornada for em uma terra tão diferente e perigosa. No fim até começamos a achar o sépia charmoso.

Quem sabe depois de um descanso na fazenda, não pegamos a outra estrada e finalmente descobrimos onde ela leva?

2 comentários:

Daniel Caetano disse...

Fabi,
Perfeita a análise... Adorei a parte do questionamento sobre os tijolos vermelhos.
Teria a ver com o tema que inspirou um filme bom e duas porcarias quase 100 anos depois: a pílula vermelha e a pílula azul? :)

Fabiane Bastos disse...

Olha, não tinha pensado nisso quando escrevi. Na verdade foi mais um viajem que surgiu na minha mente enquanto via o filme. Mas agora que você falou, não é que tem tudo a ver!