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quarta-feira, 7 de abril de 2010

Não era para entender mesmo!

Sei que meus sonhos não são lá essas coisas, mas se Luis Buñuel e Salvador Dalí viam esse tipo de coisas adormecidos, não quero nem tentar imaginar o que eles pensavam acordados. Pensando melhor, até dá para imaginar, sim. Ele pensavam: esse mundo é  chato, uma droga, tá tudo errado! Vamos dar uma chacoalhada nele. E pelo visto, tinham completa consciência de que a melhor maneira de fazer uma pessoa se mexer é incomodá-la.

Um cão andaluz não apenas incomoda, gera estranheza, choca, perturba, nos enche de perguntas. nos deixa desconfortáveis, mais pela tentativa fracassada de compreendê-lo, que pelas imagens desagradáveis. E põe desagradáveis nisso.

Ô tarefinha difícil encontrar uma imagem para ilustrar este post. Mesmo estáticas, a maioria causa desconforto, e as demais não ilustram tão bem o curta. Não o fazem bem, pelo simples motivo que são as imagens mais fortes que marcam. Lembro de tê-lo assistido em uma aula, mas juro que não lembrava das cenas mais "calminhas". Quando mencionavam o filme, tudo que eu lembrava era de navalha nos olhos, insetos e animais mortos.

Se há 81 anos a idéia era, gerar questionamentos na sociedade cheia de regras da época, contestar os valores burgueses. Atualmente, "na era do tudo pode!", ele continua a causar a mesma reação. Talvez, para não esquecermos de tudo que aprendemos, da pior maneira possível na primeira metade do século passado cheio de guerras, não apenas entre as nações, mas entre os valores da sociedade.

Concordo com a Geisy, em duas coisas. Uma é que a gente não entende realmente o conceito de surreal até ver esse curta. E a outra é que a graça do cinema está em histórias bem contadas. Um cão andaluz não conta nada, mas abre caminho para imaginarmos muita coisa. Seja tentando encontrar lógica no caos, entender o que se passava na cabeça dos autores, o compreender o contexto e as idéias do movimento, ou ainda se dar por vencido e admitir: Não era para entender mesmo!

Eu não entendi. 

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