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quinta-feira, 20 de maio de 2010

Alegria e sutileza


Chaplin foi um gênio. De forma simples e delicada, de forma engraçada e ingênua, ele apresenta o amor puro de um vagabundo por uma florista cega, e tudo o que é possível fazer por causa de um amor. O cara finge ser um milionário, e até se torna amigo de um milionário de verdade [mas só quando este está bêbado demais]; se mete nas maiores roubadas, a maioria hilárias, tudo para conseguir o dinheiro necessário para pagar o aluguel atrasado da florista [que cuida da avó] e uma cirurgia que a devolveria a visão.

Com piadas ingênuas, arranca gargalhadas de quem assiste. Tudo foi pensado para fazer rir e refletir. Impagável a cena de abertura, em que o vagabundo é descoberto dormindo sobre a estátua a ser inaugurada. As inúmeras quedas na água na tentativa de salvar o milionário suicida, o ritmo acelerado das cenas de dança só a fazem ser mais engraçadas, a rixa com o mordomo. Tudo tem aquele ar meio 'bobo', mas é impossível resistir ao charme do personagem Carlitos. É o que dizem, quando uma piada é boa, não importa quantas vezes você a ouça. Ela sempre vai ser ótima.

Devo ressaltar a cena da festa como a minha favorita. E, confesso, me identifiquei com ela. Explico: na cena, Carlitos engole, sem querer, um apito. Começa, então, a soluçar e apitar. Chega um cantor para se apresentar, mas a crise de soluços se agrava. E nada consegue fazer parar aquele apitaço. A situação vai ficando cada vez mais constrangedora, até que ele resolve sair do local - mesmo que isso não resolva seu problema. A cena, hilária, me lembrou das minhas crises de riso - quando eu começo, não páro; aí a situação vai ficando ridícula e eu me enchendo de vergonha, o que só faz eu ficar ainda mais nervosa e rir mais ainda. Detalhe: minha gargalhada é tão ridícula quanto um soluço-apito. E a cena final, tão fofa, o reconhecimento através do toque das mãos... Onde foi para a máxima "o que os olhos não veem, o coração não sente"? Críticas sociais e quebra de paradigmas sem ser enfadonho, e ainda contar um conto de fadas.

Acho que essa é a verdadeira graça dos filmes de Chaplin em geral, fazer graça com coisas cotidianas, coisas a que qualquer sujeito está exposto. Quem nunca quis impressionar alguém e deu tudo errado? Quem nunca se deu mal por querer ajudar alguém? Assim é Luzes da cidade (City lights). Não é uma piada, é uma história de amor contada com charme e delicadeza, mas também não me canso de ver. Mais um pra minha já grandinha lista de "filmes para ter em casa e rever dezenas de vezes".

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