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quarta-feira, 19 de maio de 2010

Curiosidades em meio às luzes da cidade

Tecnicamente, Luzes da Cidade não é um filme mudo. Embora os diálogos apareçam escritos na tela,  o longa possui música e efeitos sonoros sincronizados. Chaplin só pôde fazê-lo sem falas pois produzia e dirigia seus próprios filmes. Depois do lançamento de O cantor de jazz em 1927, aderir aos talkies, os filme falados, era regra em Hollywood. O último filme completamente mudo de Charles Chaplin foi The circus, de 1928.

Chaplin chegou a despedir Virginia Cherril, a florista cega, por chegar sempre atrasada.  Ele recomeçou as gravações com Georgia Hale, coadjuvante em The gold rush (1925), atitude que encareceu os custos: não seria possível refazer as cenas prontas sem levar a produção à falência. O que o fez recontratar Cherril para poder concluir as filmagens. Ela só aceitou o papel de volta depois de um aumento de 100% em seu salário.

Luzes da cidade teve, na época, o maior número de takes para uma única cena. Perfeccionista, Chaplin era famoso por filmar muito mais takes que outros diretores da época. Foram precisos 342 para ele ficar satisfeito na cena em que o Vagabundo compra flores da moça cega. O problema? Ele não conseguia encontrar um modo de mostrar que a moça o confundira com um homem rico. A solução foi a simples batida da porta do carro.

Luzes da cidade foi muito bem recebido pelo público e crítica em seu lançamento. Foi, e ainda é, aclamado por grandes diretores como Orson Welles, Stanley Kubrick, Federico Fellini, Woody Allen.

A estreia em Los Angeles tinha Albert Einstein entre os convidados. Já em Londres, Chaplin teve Bernard Shaw sentado ao seu lado.

Em relação à última cena do filme, o crítico James Agee escreveu na revista Life em 1949 que foi a "melhor atuação já registrada em celulóide".

Chaplin expressava desprezo pelos Oscar. Segundo seu filho, ele provocou a ira da Academia ao deixar seu Oscar de 1929 ao lado da porta, para não deixá-la bater. Isto talvez explique porque Luzes da cidade e Tempos modernos, considerados por várias enquetes como dois dos melhores filmes de todos os tempos, nunca foram indicados a um único Oscar.

O Vagabundo é provavelmente o personagem mais imitado da história do cinema. Rumores contam que o próprio Chaplin participou uma vez de um concurso de imitadores de Charlie Chaplin. Ele tirou o 3º lugar!

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