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quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Eu só mudaria o final...




Eu fico imaginando a reação das pessoas ao saírem do cinema depois de A morte num beijo. Eu sairia revoltadíssima. Pelo menos foi assim que me senti ao terminar de ver o filme. E se eu já tinha achado o desfecho bem decepcionante, imagina quando resolvi conferir o tal "final alternativo" prometido no DVD (na verdade, o final original, da versão do diretor, exibido nos cinemas) e descobri que era ainda mais frustrante. Como é que puderam fazer isso com um filme tão interessante?

Antes que me entendam mal: A morte num beijo é um filme noir delicioso. Tem mistério na medida certa, personagens instigantes, uma fotografia fantástica e um roteiro capaz de prender sua atenção o tempo todo. Impossível não ficar curioso diante da morte nebulosa de Christina Bailey (Cloris Leachman). Ainda bem que Mike (Ralph Meeker) não decide voltar à sua vida de golpes e se empenha em resolver o crime, porque sua obsessão é a nossa chance de conseguir algumas respostas. E, como o ser humano é curioso por natureza, vamos nos interessando cada vez mais em chegar à origem de toda a história, mesmo que isso tenha alguns efeitos colaterais (leia-se eventuais mortes que estavam na cara que iriam acontecer, né?). E aí alguns personagens vão se revelando nem tão inocentes como aparentavam ser, e a trama vai ganhando complexidade e não perde o ritmo em nenhum momento. Tudo isso só vai aumentando a tensão e, consequentemente, o nosso interesse.


Só que não dá pra simplesmente aceitar que todos os males do mundo (ok o motivo do crime) estejam ligados a... (tá bom, esse filme é um clássico, mas não vou estragar pra quem não viu ainda) um simples objeto. Muito menos que um dos personagens mais interessantes da história tenha se arriscado tanto por isso sem saber do que se tratava. E aí, é morro abaixo. E não me venham com esse papo de "Ah, é por causa do clima de incerteza gerado pela Guerra Fria e blá blá blá". Custava fazer um final à altura do filme? Custava respeitar o espectador que ficou lá sentado, bonitinho, esperando algumas respostas? Quer ter uma visão de mundo apocalíptica, tudo bem (também não sou lá das mais otimistas), quer fazer metáfora política, beleza. Mas o clima e a estrutura do filme são tão bons que fazem o desfecho não ser outra coisa a não ser decepcionante.

1 comentários:

Geisy Almeida disse...

Concordo em gênero, número e grau. =/