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sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

Viagem no tempo e no espaço

Desde os primórdios até hoje em dia o homem ainda faz o que o macaco fazia. Eu não trabalhava, eu não sabia, o homem criava e também destruía

Eu ia começar este post com uma citação de Arthur C. Clarke, mas subitamente a música dos Titãs me veio à cabeça. E não é que encaixou direitinho? Antes de tudo, deixa só eu dizer que não tenho a menor pretensão de dizer que entendi 2001: Uma odisseia no espaço. De curiosidade, li alguns textos na internet com teorias interessantes sobre o filme (considerado a obra-prima de Kubrick), mas eu não tenho cacife pra isso. Quem faz isso são fãs que assistiram ao longa repetidamente, em alta definição, dublado, legendado, de cabeça pra baixo. Calma lá, eu estou chegando agora. Confesso que dá uma certa vontade de ir mais fundo, de achar algumas respostas para as milhares de perguntas que a obra desperta. Coisa de nerd? Pode ser. Mas os clássicos têm esse poder.

Quando avisei aos amigos que esse era o filme da semana, alguns disseram que eu ia pegar no sono. Mas não foi isso que aconteceu. Tá, a história é devagar (literalmente, já que muitas cenas são em câmera lenta) e quase não tem diálogos. Sem falar que algumas sequências, em especial as do capítulo final, são uma grande viagem. Mas em grande parte da projeção eu fiquei foi de boca aberta com os estupendos efeitos visuais (sem computador, dá pra imaginar?) e com a sensacional trilha sonora: disso ninguém pode reclamar. Quanto à trama propriamente dita, não dá para negar que é a gênese de uma discussão que perdura até hoje, a do homem versus máquina, que já gerou zilhões de livros e filmes de ficção científica. Uns brilhantes, outros medíocres. A questão é que já estamos em 2010 (quase 2011!) e ainda não temos respostas satisfatórias e/ou definitivas para o problema. Já disse aqui que sci-fi não é muito a minha praia. E mesmo não sendo especialista no gênero, consigo lembrar de relance de infinitos filmes claramente inspirados neste, não necessariamente com o mesmo requinte visual, diga-se de passagem (sério, é tão bacana que me lembrou por que eu queria ser astronauta quando crescesse). Impossível ficar indiferente a uma obra dessas - e estamos em 1968. 

Para mim, a parte mais assustadora do filme é o capítulo 3, onde entra em cena o computador HAL, bem-sucedida realização do antigo sonho humano de criar a inteligência artificial. Juro, não sei por que tamanha obsessão. Ou sou só eu que tenho calafrios toda vez que ouço um ser inanimado reproduzindo emoções humanas? Alguém duvidava que um computador que diz "eu imagino", "eu creio", "eu qualquer coisa" pudesse se tornar uma ameaça? Tenso. Até agora não consegui me decidir se a falha foi realmente um bug no sistema ou o primeiro indício de um plano maligno. Sei não, de segundas intenções o mundo já está cheio... de seres humanos.

Fora isso, o filme é metáfora pura. Desde a repetição de ciclos (o macaco e o homem, em épocas muito distantes, igualmente fascinados pelo monolito, que representa o desconhecido) até a conclusão de que as ferramentas descobertas pelos nossos ancestrais e as desenvolvidas por nós podem servir para o bem ou para o mal. Claro que tem muita coisa aí que diz respeito a alienígenas, seres superiores, vida após a morte, corpo, espírito, outras dimensões e o que mais vocês quiserem colocar em jogo. Não sei se concordo com tudo, acho que tenho o direito a ter dúvidas. Não acho que existam respostas prontas. Mas uma das teorias que me chamou a atenção é a de que o filme mostra que o homem, apesar de toda sua evolução tecnológica, ainda é uma criança no espaço. Na nave, os astronautas precisam reaprender a andar, a comer, até a ir ao banheiro (gravidade zero, lembram?). Só agora me dei conta: então a starchild, aquele bebê medonho que aparece no fim, não representaria nossa inexperiência diante deste vasto universo? Olhem bem as fotos abaixo. Será que qualquer semelhança é mera coincidência?



P.S. 1: Adoro quando um filme dá pano pra manga... Quem disse que cinema não faz pensar? Gostei tanto desse texto, do blog Saindo da Matrix, que resolvi linká-lo. Coisa de fã apaixonado mesmo, traz uns pontos interessantes sobre o filme.

P.S. 2: Feliz Natal pra todo mundo! :)

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