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sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Neve no deserto

Neve no Velho Oeste!
Tenho certa dificuldade ao assistir cenas de neve em faroestes, pois, na minha cabeça a característica mais forte do velho e selvagem oeste estadunidense, é o calor, a poeira e os tons de marrom, de uma paisagem sem vida. Em Rástros de ódio, a neve serve para mostrar a passagem de tempo, pois a história se estende por mais de cinco anos de uma busca incasável.

Três anos após o fim da guerra civil, e tendo lutado do lado dos perdedores, Ethan (John Wayne), finalmente retorna a fazenda de seu irmão. O típico cowboy solitário mal tem tempo de descansar, a tragédia chega em seu encalço. Índios Comanches atacam a família, destroem a casa, matam o irmão, sua esposa e filho, e sequestram as meninas. Ethan começa uma busca obsessiva pelas sobrinhas, com a ajuda do "filho adotivo" de seu irmão, o mestiço Martin (Jeffrey Hunter).

Não nos é contado muito sobre o passado de Ethan, afinal ele é do tipo de cavaleiro solitário de poucas palavras. Tudo que podemos perceber é que se trata de um homem, amargurado pela solidão do deserto, extremamente desconfiado e bastante racista. Sua "refinada" personalidade só torna mais interessante sua jornada ao lado, do jovem e impetuoso mestiço Martin. 

Bora pra casa, Debbie!
A relação entre os dois vai do tenso ao cômico, do ódio ao respeito mútuo. Mesmo os estilos de atuação dos dois são opostas. Enquanto Hunter,assume o papel de galãzinho exagerado, ao ponto de beirar a caricatura, tipo de atuação que incomoda mais hoje que na época em foi feita. Wayne, por sua vez é contido, simples e depois de quase duas décadas dando vida a homens do deserto, nem ao menos parece estar atuando. Wayne é aquele homem.

Tudo que precisamos saber sobre os índios é que são maus. Arrancam escalpo, sequestram mulheres, destroem lares. Entretanto neste roteiro são poucos personagens como estes, que escapam da ambiguidade. Ethan odeia de tal forma os peles vermelhas, e está tão obcecado em sua busca, que começamos a questionar seus reais motivos. Reaver a sobrinha, vingança ou extermínio?

A pequena Debbie (Natalie Wood), única das duas sobrinhas a sobreviver, e por quem a busca se estende: após anos, ela quer mesmo ser regatada, ou agora ela é membro dos Comanches? A dúvida dela cria outro questionamento para Ethan. Afinal, alguém como ele preferiria a sobrinha morta a vê-la como "um deles".

Chegada e partida: o fim e o início em uma porta
O roteiro é simples: bandidos raptam a moça = mocinhos ao resgate. Sobra tempo para pequenos personagens, como o louco que desejava uma cadeira de balanço, talvez o mais são dos personagens, e a adorável "Look" esposa por acidente de Martin. Para belas paisagens e passagens poéticas, o longa começa e termina em uma porta. Além do romance de Martin, a mocinha em sua "quase" eterna espera, que desiste exatamente quando este retorna. Não ajuda em nada na busca por Debbie, mas diverte. A cena de luta entre Martin e o noivo de sua amada, cheia de regras e pausas é de rolar de rir.

Poeira, calor, pouca água, conforto nenhum, índios malvados, doenças causadas pelas condições precárias, longa espera por notícias, a solidão do deserto. A vida no Velho Oeste era horrível, e por mais que se acreditasse que era promissora, ainda me surpreendo por essas pessoas que se aventuraram por lá. O mais perto que chegaram de uma recompensa foi uma bonita (e deserta) paisagem na janela. Entretanto, suas histórias, se bem contadas como em Rastros de ódio, eram incríveis!

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