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quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

No calor do Velho Oeste

Haja vassoura pra limpar tanta terra de dentro de casa...

Juro, toda vez que penso em assistir um filme de faroeste sempre me desanima pelo simples fato de ser um filme passado no deserto. Eu quase posso "sentir" o calor que parece emanar da tela, daquelas paiseagens áridas, secas, terrosas, quase sem vida. Só para constar, eu odeio calor (sim, sou uma carioca que não sou fã de praia; somos poucos, mas existimos). E, confesso, nunca tinha visto nenhum filme de John Wayne - talvez influenciada pelo estilo rançoso de Velho Oeste dos filmes de Clint Eastwood. Ou seja, nunca tive paciência para filmes de faroeste e não tinha nenhum atrativo nesse tipo de filme para mim.

Tomei esse filme por desafio: ver um faroeste sem dormir já seria aposta ganha. E não é que eu gostei? Gostei de verdade. Não posso dizer que o filme é diferente de todos os outros, não vi muitos filmes do gênero, mas ele é bem diferente do que eu imaginava que seria. Estão lá todos os elementos que eu não gosto, o sol insuportável, o calro que emana da tela, a aridez que deixa a boca da gente seca e os outros elementos do imaginário coletivo quando o assunto é faroeste: o caubói solitário, de poucas palavras e dedos rápidos, a fazenda no meio do nada (porquê? porque alguém vai construir uma casa no meio do canion?!), os índios malvados, o sotaque texano anasalado...

É. Não é todo mundo que nasce para ser John Wayne. Desculpa aí.

Mas tem John Wayne. E ele fez toda a diferença. entendi porque tantos críticos gostam tanto dele. Uma atuação segura, a expressão do homem viril e temeroso, mas que é bom de coração - o suficiente para passar po cima de seus preconceitos para resgatar a sobrinha sequestrada pelo grupo de Comanches malvados. Ainda mais se compararmos as atuações de Wayne e de Jeffrey Hunter, que interpreta o sobrinho Martin Pauwley. Ele tenta posar de galã e acaba ficando caricato, enquanto Wayne nem se esforça para parecer um cara que sabe o que está fazendo. Acho que todo texano que se preza deve se espelhar em John Wayne. Para o bem e para o mal.

Uma história com alguns mistérios (porque a cisma de Ethan com os índios? E como sabia tanto sobre eles, inclusive como falava os diferentes idiomas fluentemente? E porque se recusava a aceitar o pobre Marty como um membro da família?) que permaneceram sem solução, mas muito bem amarradinha, situações cômicas (?!) e inusitadas que são o tempero do filme, tiros para todos os lados, atuações impecáveis (principalmente de Ward Bond como o reverendo-ranger Clayton, e de Hank Worden como o impagável Mose Harper) e uma fotografia linda (ora bolas, um deserto tem que ser marrom, né?). Uma experiência divertida, que me fez perder um pouco o preconceito contra filmes de faroeste. Assim como o próprio Ethan, acho que eu aprendi a lição.

1 comentários:

Anônimo disse...

intiresno muito, obrigado