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quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

A cara da riqueza

Cleópatra (Cleopatra, 1963) não é chamado de clássico à toa: um filme dessa magnitude não poderia passar despercebido. Impressionante é o mínimo que podemos dizer sobre ele. Os cenários são luxuosíssimos, os figurinos são impecáveis e belíssimos (as roupas de Cleópatra são lindas e realçam a beleza de Elizabeth Taylor, apesar de ser difícil de acreditar que houve uma rainha egípcia branca de olhos azuis), a quantidade de atores e figurantes em cena surpreende. A cena da entrada triunfal de Cleópatra em Roma, após se casar com o César (Rex Harrison, o melhor em cena) é de deixar qualquer um com os olhos grudados na telinha. Imagine ter que dirigir tudo isso e ainda ser fiel a uma história verídica? O filme também é um ótimo exercício de memória, me fez lembrar dos tempos de escola, quando eu estudava a história do grande Egito e as grandes civilizações. E ficava sempre aquela pulga atrás da orelha: mas foi isso mesmo que aconteceu? Bem, na verdade não. É só pesquisar no Google para ver que a história não foi bem assim. Mas, como enredo de filme, vale. Ou valeria, se fosse melhor explorado e representado.

Atuações exageradas à parte e uma certa confusão em conseguir distinguir quem é quem na história (no filme e na História em si), eu gostei do filme mas não me empolguei, nem me apaixonei. Fiquei um pouco desapontada, acho que esperava mais. Da atuação de Liz Taylor, pelo menos sim. Sua criação de uma rainha ainda muito jovem porém já bastante ambiciosa foi boa mas resvalou numa encenação teatral, ficou meio superficial. Cleópatra era jovem e boa estrategista, ela fazia o que era melhor para seu país - ela era o faraó, a encarnação da deusa Ísis, sua vontade era lei. O orgulho dela vinha disso, mas no filme, pela interpretação de Taylor, às vezes ela parecia uma criança birrenta. Só faltava fazer beicinho. E o pobre do faraó irmão dela? Sumiu logo depois do primeiro diálogo e apareceu para ser condenado à morte (praticamente), mas não disse a que veio. Nem sequer ficou claro como nem porque a irmã banida pos palácios conseguiu se manter lá após se reinfiltrar após entrar disfarçada, enrolada em um tapete (ou você seria capaz de me dizer que ela não chamou a atenção do irmão com todas as suas aias e proteção lá dentro?).


Como alguém que você não gosta se infiltra na sua casa e fica nessa mordomia sem que você perceba ou se incomode com isso?


E o que era o Marco Antônio, gente (Richard Burton)? Todo trabalhado no metal, com armaduras uma mais linda que a outra... Mas não conseguiu manter o orgulho depois que abandona a sua legião para fugir com Cleópatra. Aí o filme virou novela mexicana. Seu suicídio me lembrou a prática do harakiri dos samurais - a morte do guerreiro para recuperar ou manter sua honra e dignidade. Mas essa foi a parte mais difícil de acompanhar - o sono já quase me dominava. Um ritmo bem lento e as atuações superficiais e exageradamente dramáticas acabam cansando uma hora. Imagina depois de quase quatro horas de filme!



Depois que os dois se unem, o filme vira quase uma novela mexicana

Cleópatra foi uma rainha memorável, seja pela situação histórica que enfrentou (já na fase de declínio do Grande Egito) ou pelas suas representações dramáticas, em filmes e peças de teatro. Talvez este Cleópatra seja a mais grandiosa produção sobre ela, e Liz Taylor seja a mais bonita atriz a representá-la. Mas mesmo assim, mesmo sendo puro luxo, o filme não me conquistou. Valeu a oportunidade de ver um dos maiores filmes de todos os tempos, obrigatório na lista de qualquer pretenso cinéfilo (nosotras, inclusive) e por ser meu primeiro filme de Elizabeth Taylor. Espero que os próximos sejam mais empolgantes.

3 comentários:

Quito disse...

Vi esse filme quando ainda era bem novo, e me apaixonei pelo luxo que ele representa... Voce ta certa quando diz que o roteiro deixou a desejar, realmente não são considerados os filhos de Cléo e Marco Antonio, nem tampouco o choque entre ela e calpurnia (esposa de Cesar, que naquele filminho com Leonor Varela até alfineta a Rainha num banquete)Mas aquela entrada em Roma, oque era aquilo?? Arrepio quando vejo, a música, a multidão gritando e ela lá, toda poderosa trepada naquela esfinge gigantesca!!!Como aquilo saiu do Egito e foi parar em Roma? De qualquer forma, Cleópatra é um dos grandes feitos do Cinema de todos os tempos.. E como diria a sacerdotisa: " Roma o conhecerá vestido de ouro, o oriente o verá coberto de jóias..."

Quito disse...

Também esqueci de dizer uma coisa: Ótimo blog, parabéns e adoro filmes épicos (Ben-Hur e os 10 mandamentos)Pena que é dificil conseguir em DVD....Abraços.

Geisy Almeida disse...

Obrigada por nos visitar, amigo! Que bom que esteja gostando do nosso blog =D

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